O Grêmio mais uma vez apresentou um jogo de domínio amplo diante de um adversário reativo, sendo esta a principal tônica dos adversários de Luís Castro. Em que pese a vitória por 2 a 0 na 5ª fase da Copa do Brasil diante do Confiança na Arena, o Imortal deixou o torcedor com aquele gosto de que poderia ter vencido por um placar mais elástico, mas a dificuldade inicial para romper o bloqueio baixo e imposição total somente partir do segundo tempo acabaram impedindo a construção de um placar mais favorável.
Grêmio ainda não consegue transforme amplo volume ofensivo em gols
A equipe comandada pelo técnico Luís Castro deixou clara sua proposta. Estruturado em um 4-2-3-1, o Grêmio buscou amplitude com pontas bem abertos e presença constante de área com Carlos Vinícius, enquanto o meio-campo tentava acelerar a circulação para desorganizar o bloco adversário. A ideia era transformar posse em pressão contínua, algo que se confirmou nos números, com ampla superioridade territorial, posse próxima de 70% e volume elevado de finalizações (22 a 4).
O Confiança apresentou exatamente o comportamento esperado para o contexto: linhas muito baixas, compactação extrema e foco quase exclusivo em resistir. A equipe sergipana praticamente abdicou da posse, apostando em lançamentos esporádicos e contra-ataques raros, dentro de uma estratégia assumidamente conservadora de “sobrevivência” no confronto. Com isso, o jogo se transformou em um ataque contra defesa, mas com pouca profundidade efetiva do lado gremista.
Faltaram ao Grêmio, nesse momento, movimentos mais coordenados entrelinhas e infiltrações que quebrassem a última linha adversária. A circulação, embora constante, era previsível em alguns trechos, e muitas das tentativas vinham por cruzamentos ou finalizações de média distância, facilitando o trabalho defensivo do Confiança, que se mantinha organizado dentro da própria área.
A virada tática do jogo ocorreu apenas na segunda etapa, pois a entrada de Braithwaite deu mais mobilidade ao setor ofensivo e alterou a dinâmica dos ataques, oferecendo uma referência menos estática e ampliando as possibilidades de combinação no último terço. O primeiro gol veio diretamente dessa mudança, com jogada pela direita, infiltração com mais agressividade e presença de área para o desvio decisivo de Carlos Vinícius, traduzindo em gol um padrão que até então esbarrava na falta de precisão.
Outro fator determinante foi a expulsão de um defensor do Confiança (Ícaro, aos 38′ de jogo após revisão do VAR), que acentuou ainda mais o cenário de domínio. Com superioridade numérica, o Grêmio passou a ocupar o campo ofensivo de maneira quase permanente, transformando o duelo em um verdadeiro exercício de ataque posicional. O adversário, já desgastado, recuou ainda mais suas linhas e praticamente abdicou de qualquer tentativa de reação.
Nesse contexto, o segundo gol surge como consequência natural da pressão acumulada. Mais do que uma jogada isolada, ele simboliza o desgaste progressivo imposto pelo volume ofensivo gremista. Ou seja, um time que, mesmo sem grande brilho criativo, conseguiu empurrar o rival até o limite.
Imortal necessita de maior cuidado nas finalizações
O Grêmio mostra capacidade de controlar jogos e sustentar pressão constante, especialmente em casa, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar domínio em controle de jogo, deixando o adversário muito vivo nos confrontos, um elemento que poderá ser fatal no restante da temporada. caso não seja rapidamente corrigido.
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