Guillermo “Memo” Ochoa fez história pela seleção mexicana e teve, nesta Copa do Mundo, um reconhecimento à altura de sua trajetória. Diante da Tchéquia, no Estádio Azteca, o goleiro entrou em campo nos minutos finais, recebeu a braçadeira de capitão e foi ovacionado por sua torcida em um dos maiores palcos do futebol mundial.
O momento teve um peso enorme. Afinal, foi a despedida simbólica de uma lenda do México justamente no estádio em que sua carreira começou, ainda quando era um jovem goleiro do Club América. Anos depois, Ochoa voltou ao mesmo lugar como um dos maiores nomes da história da seleção. O goleiro entrou emocionado, fez o sinal da cruz, cumprimentou os companheiros e correu em direção ao gol enquanto a torcida gritava seu nome. Pouco depois, participou do início de uma jogada que terminou em gol mexicano. Em uma noite de festa, o México venceu por 3 a 0 e manteve sua força no Azteca, estádio onde nunca perdeu uma partida de Copa do Mundo.
Para Ochoa, foi um capítulo perfeito. Aos 40 anos, perto de completar 41, o goleiro viveu um encerramento marcante diante do seu povo, da sua família e em uma Copa do Mundo. Depois de tantas defesas importantes e tantas lembranças criadas com a camisa mexicana, ele teve a chance de receber o carinho que construiu ao longo de mais de duas décadas.
Ochoa virou símbolo de uma geração no México
A carreira de Guillermo Ochoa pela seleção mexicana ajuda a explicar o tamanho da homenagem. O goleiro foi convocado para seis Copas do Mundo, marca alcançada por poucos jogadores na história do futebol. Neste grupo, ele aparece ao lado de nomes como Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, o que mostra o peso de sua longevidade.
Além disso, Ochoa disputou mais de 150 partidas pelo México, conquistou seis Copas Ouro da CONCACAF e também uma medalha de bronze olímpica. São números que sustentam sua importância, mas não contam sozinhos toda a história. Afinal, a relação entre Ochoa e a torcida mexicana vai muito além das estatísticas. O goleiro se tornou um daqueles jogadores que aparecem nos momentos mais difíceis. Mesmo quando o México enfrentava seleções mais fortes, a presença de Ochoa no gol dava ao torcedor uma sensação de segurança. Em Copas do Mundo, principalmente, ele construiu uma imagem quase mística.
Foi assim em 2014, no Brasil, quando segurou o empate contra a Seleção Brasileira com uma atuação memorável. Entre as defesas daquela partida, uma cabeçada de Neymar ficou marcada como um dos grandes lances de sua carreira. A bola parecia ter destino certo, mas Ochoa voou para fazer uma intervenção impressionante.
Em 2018, na Rússia, o goleiro também brilhou contra a Alemanha. Em cobrança de falta de Toni Kroos, a bola foi em direção ao ângulo, mas Ochoa conseguiu tocar nela e mandá-la no travessão. Mais uma vez, em um jogo grande, ele apareceu como personagem principal.
Já em 2022, no Catar, o momento marcante veio contra a Polônia. Ochoa defendeu um pênalti cobrado por Robert Lewandowski e ajudou o México a segurar o empate. Para a torcida, aquele foi mais um capítulo da história de um goleiro que parecia crescer justamente quando a pressão era maior.
Neste cenário, não surpreende que o jogador tenha se tornado uma figura tão querida. Para muitos mexicanos, Ochoa não foi apenas um goleiro importante. Ele foi parte da infância, da juventude e da vida de uma geração inteira de torcedores. Enquanto outros países têm seus grandes ídolos ofensivos, o México aprendeu a olhar para o gol e enxergar esperança em Memo.
Essa idolatria também aparece dentro do próprio elenco. Gilberto Mora, uma das jovens promessas mexicanas, já afirmou que Ochoa é seu ídolo. O atacante cresceu vendo o goleiro defender a seleção e, agora, teve a chance de dividir o campo com ele. Esse tipo de passagem mostra como a carreira de Ochoa atravessou gerações.
Ochoa teve uma despedida à altura de uma lenda
A despedida no Azteca teve todos os elementos para ficar marcada. Ochoa entrou como capitão, foi recebido com festa, participou de uma vitória do México e ainda pôde se despedir do gol de maneira simbólica. Ao fim da partida, beijou as traves, ajoelhou-se diante da meta e fez novamente o sinal da cruz.
Em seguida, os companheiros se aproximaram, cercaram o goleiro e o jogaram para o alto enquanto o estádio celebrava sua trajetória. Foi uma imagem forte, daquelas que não precisam de muita explicação. O México estava agradecendo a um jogador que defendeu sua seleção por muitos anos e que entregou ao torcedor alguns dos momentos mais marcantes da história recente do país em Copas.
Por sua vez. Ochoa também pareceu entender o tamanho da noite. Depois do jogo, o atleta afirmou que encerrar esse ciclo no Azteca, com sua gente e sua família, foi a cereja do bolo. O goleiro disse estar feliz e agradecido, mas também vazio, por ter deixado tudo pela seleção mexicana. Mesmo com o adeus simbólico, Ochoa ainda segue integrado ao grupo enquanto o México continua vivo na Copa do Mundo. A tendência é que ele não volte a entrar em campo, mas sua presença no elenco ainda tem peso. Em uma competição tão grande, ter uma figura como ele no vestiário também importa.
Agora, o México tenta ir mais longe no torneio. A seleção chega ao mata-mata com confiança, embalada por três vitórias na fase de grupos e por uma noite histórica para seu maior goleiro. Ochoa pode não ser mais o protagonista dentro de campo, mas segue como uma referência para o grupo.
Neste cenário, de certa forma, sua despedida também serve como combustível. O México viu uma de suas lendas receber uma homenagem merecida e agora tenta transformar essa energia em campanha.
Para Ochoa, independentemente do que aconteça daqui para frente, o capítulo final já teve o cenário perfeito. No estádio que o viu surgir para o futebol, diante da torcida que aprendeu a amá-lo, Guillermo Ochoa encerrou sua jornada como merecia. Como capitão, como ídolo e como uma das maiores lendas da história da seleção mexicana.
Créditos da foto: Getty Images Sport.