A temporada de estreia de Viktor Gyökeres com a camisa do Arsenal está longe de ser comum — e talvez também esteja longe de ser devidamente valorizada. Em meio a críticas sobre seu estilo de jogo e encaixe tático, o atacante sueco tem deixado sua marca onde mais importa: no placar. Com 21 gols em sua primeira temporada, ele já entrou para um grupo seleto na história do clube londrino.
A atuação contra o Fulham, na vitória por 3 a 0 no Emirates Stadium, foi o retrato perfeito disso. Dois gols e uma assistência, participação direta em todos os tentos da equipe e uma performance dominante. Não foi apenas mais um bom jogo — foi uma resposta clara a quem ainda duvida do seu impacto.
Mesmo assim, o debate segue aberto. Afinal, Gyökeres merece mais reconhecimento ou as críticas ainda fazem sentido? A resposta passa por contexto, números e, claro, expectativa.
Números colocam Gyokeres ao lado de lendas do clube
Os dados são difíceis de ignorar. Gyökeres é o primeiro jogador do Arsenal a marcar mais de 20 gols em sua temporada de estreia desde Alexis Sánchez, em 2014/15. Antes dele, apenas nomes históricos como Thierry Henry e Ian Wright haviam conseguido algo semelhante logo de cara.
Isso por si só já coloca o sueco em uma prateleira relevante dentro da história do clube. Para efeito de comparação, até mesmo Robin van Persie, um dos maiores artilheiros da era moderna dos Gunners, teve um início muito mais tímido, com apenas nove gols em sua primeira temporada.
E não para por aí. Desde o início de 2026, Gyökeres vive sua melhor fase. São 14 gols no período, número que o coloca entre os mais produtivos das cinco principais ligas da Europa, atrás apenas de nomes como Harry Kane, Vinícius Júnior e Lamine Yamal.
Ou seja, se a crítica inicial tinha base, o desempenho recente mostra uma evolução clara e consistente.
As críticas: estilo de jogo ainda levanta dúvidas
Nem tudo, porém, são flores. Parte das críticas a Gyökeres passa pela forma como ele participa do jogo coletivo. Em alguns momentos da temporada, o atacante pareceu isolado, com dificuldade para fazer o pivô ou se conectar com o restante do ataque.
Comparações com Kai Havertz surgiram justamente por isso. O alemão, mesmo não sendo um centroavante clássico, oferece mais mobilidade e construção. Já Gyökeres é mais direto, mais físico e mais focado em finalizar.
Além disso, houve períodos de seca. No início da temporada, marcou apenas três gols nos primeiros 11 jogos. Depois, enfrentou outra fase complicada, com apenas um gol em dez partidas. Para um jogador contratado por cerca de £55 milhões, isso naturalmente aumenta a pressão.
Outro ponto levantado é a quantidade de gols de pênalti. Embora não seja exagerada, ela existe — e sempre entra no debate quando se fala de artilheiros. Ainda assim, vale lembrar: converter pênaltis também é uma habilidade, especialmente em momentos decisivos.
O papel tático e o impacto além dos gols
Reduzir Gyökeres apenas aos gols pode ser um erro. O atacante também cumpre funções importantes dentro do sistema de Mikel Arteta. Sua movimentação em profundidade, por exemplo, abre espaços fundamentais para jogadores como Bukayo Saka explorarem.
Contra o Fulham, isso ficou evidente. O primeiro gol nasce justamente de uma jogada construída a partir da amplitude e da infiltração, características fortes do sueco. Ele não apenas finaliza — ele cria condições para que o ataque funcione melhor.
Além disso, sua presença física incomoda defesas, prende zagueiros e gera superioridade em zonas ofensivas. Mesmo quando não marca, influencia diretamente o comportamento do adversário.
Decisivo na briga pelo título
No fim das contas, o que define um centroavante são os gols — e nisso Gyökeres está entregando. Seus números ajudaram o Arsenal a abrir vantagem na liderança da Premier League, colocando o clube em posição privilegiada na reta final.
E esse talvez seja o ponto mais importante: ele aparece quando o time precisa. Seja em jogos grandes, seja em momentos de pressão, o sueco tem correspondido.
Se o Arsenal confirmar o título, a narrativa muda completamente. O que hoje é visto com ressalvas pode virar história de sucesso. E Gyökeres, inevitavelmente, será um dos protagonistas.
Respeito em construção
A trajetória de Viktor Gyökeres no Arsenal ainda está sendo escrita, mas os capítulos iniciais já são fortes. Ele não é um jogador perfeito, ainda tem aspectos a evoluir, mas seus números e impacto são inegáveis.
A crítica, em muitos momentos, parece ter sido precipitada. Talvez pela expectativa alta, talvez pelo estilo diferente do que o torcedor estava acostumado. Mas o futebol costuma ser justo com quem entrega — e Gyökeres está entregando.
Se continuar nesse ritmo, não será apenas respeitado. Vai ser lembrado.