A última vez em que o Manchester City conquistou a Premier League, Phil Foden emergiu como o principal nome da equipe. Foi a melhor temporada de sua carreira, encerrada com 19 gols apenas no campeonato — oito a menos que Erling Haaland — e marcada como o momento em que a joia da base finalmente transformou seu potencial ilimitado em impacto real. A expectativa era de que essa fase brilhante se estendesse também para a Eurocopa 2024, no verão daquele ano, servindo talvez como combustível para uma campanha vitoriosa da Inglaterra sob o comando de Gareth Southgate na Alemanha.
Contudo, mesmo iniciando sete partidas no torneio e chegando à final, Foden ficou aquém do que se imaginava. A pressão intensa mostrou pesar sobre um jogador ainda jovem para tamanha responsabilidade. A temporada ruim que veio na sequência coincidiu com a queda de rendimento do próprio Manchester City. O time tropeçou em praticamente todas as competições, perdeu o título para o Liverpool ainda em dezembro e, no processo, deixou escapar a aura dominante que o acompanhava. Foden, em especial, parecia sem rumo, muito distante do craque eleito o melhor jogador de 2023/24.
O retrospecto recente de Foden no Manchester City só importa porque contrasta com a recuperação que se desenha agora. “Esta temporada é daquele Phil que conhecemos há muito, muito tempo”, garantiu Pep Guardiola. Ele se refere ao jogador que atua com naturalidade mesmo de costas para o gol, enxergando o campo com clareza total e executando controles impecáveis. O atleta que vence divididas como se fossem previsíveis e inevitáveis. A mesma característica que salvou os Citizens no último fim de semana, apesar de o time quase entregar uma vantagem de dois gols.
Foden marcou logo no primeiro minuto e novamente aos 91, dois raros lampejos de qualidade em meio a uma atuação coletiva desordenada — uma repetição do caos vivido na mesma fase da temporada anterior. Mas este não é o Foden de um ano atrás no Manchester City. Longe disso. Hoje, aos 25 anos, ele se afirma como líder dessa nova formação dos Citizens, tornando-se uma das peças mais confiáveis para Guardiola e carregando o time quando outros ao redor oscilam.
Em contrapartida, Haaland finalizou apenas uma vez durante todo o jogo, aos 88 minutos — seu menor número de arremates em partidas como mandante, igualando seu pior registro. Mesmo assim, o norueguês não foi irrelevante: tocou na bola apenas 18 vezes no campo ofensivo, mas serviu como ponto focal de pressão defensiva. A eficiência de Foden nasce da capacidade de arrastar marcadores e expor espaços vazios. Na atual temporada, ele é a isca perfeita para um Manchester City que tenta reconquistar o título da Premier League após ter a hegemonia interrompida pelo Liverpool.
Para Foden, espaços livres são quase brinquedos: ele os reconhece antes que a bola chegue, já tendo analisado duas ou três possibilidades e preparado o corpo para finalizar ou conduzir em gesto único e veloz. Ele poderia ter anotado um hat-trick no Manchester City, se não fosse um corte brilhante de James Justin no sábado, numa jogada em que Haaland atraiu todos os defensores para o primeiro poste. Segundo os dados de xG, aquela chance era mais fácil do que os dois gols que Foden marcou.
Aimagens também evidenciam o quanto a defesa do Leeds ignorou o inglês, deixando-o a poucos metros da área enquanto três jogadores cercavam Haaland no centro. Com seis gols e três assistências na temporada, Foden vive números sólidos para alguém que está retomando o auge no Manchester City. Pep Guardiola encerrou sua coletiva chamando essa fase do jogador de “um presente”, afirmando ser “um prazer incrível” treiná-lo e destacando a mentalidade implacável do camisa 47: “ele quer a bola, e acredita que pode ganhar o jogo”.
A vitória sobre o Leeds United no último sábado (29), no Etihad Stadium, diminuiu a diferença para o Arsenal para cinco pontos e devolveu o Manchester City ao segundo lugar na tabela de classificação da Premier League, beneficiado pelo tropeço do Chelsea. O time mostra que ainda mantém a força e a resiliência para reagir em confrontos apertados. Se antes eram as façanhas de Haaland que frequentemente salvavam o clube, nesta temporada isso tem ocorrido com cada vez mais frequência graças a Phil Foden.

Foden retoma protagonismo no Manchester City em meio ao brilho de Haaland
Após duas temporadas marcadas pelo impacto imediato de Erling Haaland e por uma mudança natural no eixo ofensivo do Manchester City, Phil Foden voltou a assumir papel de destaque na atual campanha. O meia-atacante, formado nas categorias de base, recuperou a influência que o projetou nas primeiras conquistas da era Guardiola e hoje é novamente um dos pilares criativos do time.
Se a chegada de Haaland no Manchester City redirecionou atenções — tanto internas quanto externas —, Foden soube evoluir tecnicamente e amadurecer sua leitura de jogo para resgatar seu espaço. Nesta temporada, aparece mais decisivo, participando diretamente da construção, acelerando transições e finalizando com regularidade.
Esse retorno ao centro das ações também se deve a ajustes táticos de Guardiola. Em muitas partidas, Foden ganha liberdade entre as linhas, recebendo sem pressão e conduzindo rumo ao gol. Paralelamente, o peso gravitacional de Haaland continua sendo um trunfo: o norueguês atrai marcações duplas, abrindo corredores perfeitos para diagonais e infiltrações exploradas pelo inglês.
A confiança renovada do camisa 47 é visível em campo. Foden voltou a pedir a bola, arriscar passes verticais e decidir jogos. Sua versatilidade — atuando tanto como criador quanto como finalizador — o transformou em peça indispensável num momento em que o Manchester City oscilou mais do que o habitual.
Dessa forma, Foden não apenas recupera espaço dentro do elenco, mas reafirma seu peso estrutural no sistema guardiolista. Em um modelo que valoriza inteligência, mobilidade e decisões precisas, o inglês mostra que voltou ao protagonismo — não mais como promessa, mas como líder técnico dessa nova fase do Manchester City.

Foden desponta como novo protagonista no Manchester City após saída de De Bruyne para o Napoli
A transferência de Kevin De Bruyne para o Napoli deixou um vazio técnico e simbólico no Manchester City e, ao mesmo tempo, abriu a oportunidade ideal para que Phil Foden assumisse definitivamente o papel de protagonista no time de Guardiola. Lapidado no clube e tratado por anos como sucessor natural do belga, o camisa 47 entra nesta fase como a referência criativa central dos atuais campeões ingleses.
Sem De Bruyne — por tanto tempo o cérebro e o metrônomo do meio-campo —, as responsabilidades se redistribuem, e Foden, já amadurecido, surge como elo entre construção, mobilidade e poder de decisão. Com mais liberdade para atuar por dentro, ele se tornou o ponto de equilíbrio entre ritmo e improviso, progredindo com agressividade e aparecendo entre as linhas para acelerar jogadas.
O técnico Pep Guardiola, por sua vez, ajusta o funcionamento ofensivo para potencializar o talento do jogador. Sem o clássico passe vertical rasgado de De Bruyne, o City aposta em circulação rápida, jogo apoiado e infiltrações inteligentes — justamente áreas em que Foden mais evoluiu. A sintonia com Haaland segue como diferencial: enquanto o norueguês atrai marcadores, Foden explora os espaços criados, participando tanto da construção quanto da finalização.
Mais do que substituir o belga, Foden vive o momento ideal para consolidar sua própria identidade como líder técnico da equipe. Sua consistência crescente e sua capacidade de resolver jogos importantes fazem o clube enxergá-lo não apenas como herdeiro, mas como a nova face do projeto esportivo. Mantendo esse padrão, Foden não só assume o protagonismo — ele se torna responsável por escrever o próximo capítulo da era Guardiola em Manchester.
(Foto: Getty Images)