A participação do Haiti na Copa do Mundo de 2026 é uma das grandes surpresas do torneio. Em apenas sua segunda presença em Mundiais, a seleção caribenha volta ao principal palco do futebol depois de mais de cinco décadas. A última e única participação havia acontecido em 1974, na Alemanha Ocidental.
Agora, os chamados Granadeiros terão pela frente uma missão extremamente complicada. O sorteio colocou a equipe no Grupo C, ao lado de Brasil, Marrocos e Escócia. Trata-se de uma chave que reúne diferentes estilos de jogo e seleções com mais tradição internacional.
A classificação do Haiti já pode ser considerada um feito importante. A equipe comandada por Sébastien Migné precisou superar uma série de obstáculos dentro e fora de campo. Além de eliminar adversários mais tradicionais nas Eliminatórias da Concacaf, como a Costa Rica, a seleção não pôde atuar em casa devido à grave crise de segurança que afeta o país há vários anos.
Apesar de ser, naturalmente, a seleção menos favorita do grupo, o Haiti chega ao Mundial com alguns jogadores interessantes e uma equipe que evoluiu ao longo do ciclo. Sem a pressão dos favoritos, os caribenhos podem tentar surpreender apostando em organização defensiva, força física e velocidade nos contra-ataques.
Como joga o Haiti
Durante as Eliminatórias da Concacaf, Sébastien Migné alternou principalmente entre os esquemas 4-2-3-1 e 4-4-2. No entanto, a Copa do Mundo exigirá adaptações. Diante de seleções tecnicamente superiores, é possível imaginar uma postura mais cautelosa, inclusive com uma linha de cinco defensores em determinados momentos das partidas.
Contra rivais de menor nível, o Haiti costuma propor o jogo e buscar o ataque pelas pontas. A equipe utiliza bastante a velocidade dos extremos e a força física de seus atacantes para criar oportunidades. Esse modelo funcionou em boa parte da campanha classificatória.
No Mundial, porém, a tendência é diferente. Contra Brasil, Marrocos e até mesmo Escócia, os caribenhos devem atuar de forma mais reativa. A estratégia provavelmente passará pela compactação defensiva e pela busca de contra-ataques rápidos após recuperar a posse de bola.
Para escapar da pressão dos adversários, a seleção deve utilizar muitas bolas longas em direção ao centroavante Frantzdy Pierrot, atacante de quase dois metros de altura. A ideia será acelerar as transições e evitar longos períodos de troca de passes em seu campo defensivo.
Na proteção da defesa, os volantes Pierre e Jean-Jacques terão papel fundamental. Eles formam uma dupla de marcação intensa, responsável por fechar espaços e dar equilíbrio ao time. Pelos lados, os meias também precisarão ajudar defensivamente antes de tentar puxar os contragolpes.
Embora conte com atletas atuando em ligas importantes da Europa, o Haiti ainda apresenta limitações técnicas consideráveis quando comparado às demais seleções da chave.
Principais jogadores
Duckens Nazon é um dos maiores nomes da história recente da seleção haitiana. Artilheiro e líder por muitos anos, ele continua sendo uma referência importante no elenco. No entanto, aos 32 anos, já não possui a mesma explosão física de temporadas anteriores, o que gera dúvidas sobre sua condição de titular absoluto.
Entre os nomes mais importantes da equipe está Jean-Ricner Bellegarde, meio-campista do Wolverhampton. Versátil, ele pode atuar tanto em funções ofensivas quanto em posições mais recuadas pelos lados do campo. Sua capacidade de conduzir a bola e acelerar as jogadas será essencial para o Haiti.
Outro destaque é Wilson Isidor, atacante do Sunderland. Rápido, forte fisicamente e com boa presença na área, ele oferece uma característica complementar à de Pierrot. Juntos, podem formar uma dupla ofensiva capaz de incomodar defesas mais qualificadas.
No gol, o experiente Johny Placide segue sendo uma peça importante. Aos 38 anos, ele traz liderança e conhecimento para um grupo que possui pouca experiência em grandes competições internacionais.
Como foi o ciclo do Haiti para a Copa do Mundo?
O caminho do Haiti até a Copa do Mundo começou na segunda fase das Eliminatórias da Concacaf. A equipe terminou em segundo lugar em seu grupo, atrás de Curaçao, mas conseguiu superar Santa Lúcia, Barbados e Aruba para avançar.
Na etapa seguinte veio a principal surpresa da campanha. Os haitianos terminaram na liderança de uma chave que contava com Costa Rica e Honduras, seleções tradicionalmente mais fortes no cenário regional. O desempenho chamou atenção e confirmou a evolução da equipe ao longo do ciclo.
Além das Eliminatórias, os Granadeiros também tiveram resultados competitivos em amistosos internacionais. O empate contra a Islândia e a derrota por apenas 1 a 0 para a Tunísia mostraram que o time consegue competir diante de adversários de nível superior.
É evidente que o Haiti chega como a equipe mais fraca do Grupo C. Ainda assim, a campanha recente indica que os caribenhos não devem ser subestimados.
Onde o Haiti pode chegar?
A primeira missão do Haiti será pontuar. Em sua única participação anterior, em 1974, a seleção enfrentou um grupo muito difícil e acabou perdendo todas as partidas disputadas.
Desta vez, o elenco parece mais equilibrado e preparado para competir. O objetivo inicial é dificultar a vida dos adversários e buscar ao menos um resultado positivo.
Se conseguir surpreender a Escócia na rodada de abertura, o Haiti poderá alimentar o sonho de avançar ao mata-mata. O novo formato da Copa do Mundo amplia as chances de classificação, já que oito das 12 seleções que terminarem em terceiro lugar avançam para a fase de 16 avos de final.
Mesmo assim, a realidade aponta para uma missão bastante complicada. Limitada tecnicamente e enfrentando rivais superiores, a seleção haitiana chega ao torneio como uma das maiores zebras da competição.
Os jogos do Haiti na Copa do Mundo
13/06 – 22h: Haiti x Escócia — Gillette Stadium, Boston
19/06 – 21h30: Brasil x Haiti — Lincoln Financial Field, Filadélfia
24/06 – 19h: Marrocos x Haiti — Mercedes-Benz Stadium, Atlanta
Foto: Reprodução/@fhfhaiti