Após retornar ao top-3 na corrida sprint da China, Lewis Hamilton, da Ferrari, deu a entender que a Mercedes pode estar se beneficiando de uma solução nas classificações similar ao antigo “modo festa”. Segundo o heptacampeão, as Flechas de Prata têm tido um salto de desempenho do Q1 para o Q2, quando o artifício supostamente passaria a ser usado.
Em 2020, a equipe alemã, campeã naquele ano com o próprio Hamilton, levantou polêmicas relacionadas a soluções que desenvolveu para obter vantagem. Além do modo festa — banido na oitava etapa daquele ano — citado pelo inglês, o DAS (sistema de duplo eixo) também causou burburinho nos bastidores e protestos das rivais.
Agora, do outro lado da história, Hamilton tenta entender os métodos da Mercedes que a colocam como time a ser batido na Fórmula 1 neste início de temporada.
Hamilton: ‘temos que descobrir o que é’

Ao sugerir o retorno do modo festa, o piloto do nº 44 afirmou que o objetivo da Ferrari agora é compreender onde a rival está obtendo vantagem para encurtar essa diferença e, consequentemente, ter melhores chances na briga pelo campeonato.
“Temos que descobrir o que é isso, porque há algo a mais que eles conseguem extrair, principalmente no Q2. Estávamos cerca de um décimo atrás no SQ1 [classificação sprint], e de repente vira sete décimos ou mais de meio segundo. É um grande salto”, explicou Hamilton.
A sugestão é apenas uma das teorias que tentam explicar por que a Mercedes está tão rápida, sobretudo em ritmo de uma volta. A polêmica da aferição da compressão do motor levou a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) a alterar as regras a partir de 1º de junho. Todavia, houve uma flexibilização na taxa permitida: antes obrigatoriamente de 16:1, a partir do GP de Mônaco o valor poderá chegar a 16,7:1.
Entretanto, o assunto perdeu parte da repercussão na imprensa internacional, o que dá a entender que a vantagem da fabricante pode não ser tão impactada pela mudança quanto esperam as rivais.
Na classificação para a sprint, Hamilton ficou 0,118s atrás de George Russell no SQ1, diferença que subiu para 0,801s no SQ2 e 0,641s no SQ3. Mais tarde, nos treinos válidos para o GP, ele terminou cerca de três décimos atrás da Mercedes mais rápida em todas as três sessões. Russell teve problemas no Q3, e a pole foi marcada por Andrea Kimi Antonelli.
Entenda o que era o modo festa

Embora tenha sido proibido apenas em 2020, o ‘party mode’ (ou modo festa, em português) se refere ao modo de classificação usado pela Mercedes desde, pelo menos, dois anos antes.
O termo surgiu no GP da Austrália de 2018, após a FIA diminuir a quantidade máxima de peças do motor que cada carro poderia usar ao longo da temporada. Isso obrigou as equipes a limitar o uso da unidade de potência por meio de diferentes modos.
Hamilton conquistou a pole position para aquela prova com sete décimos de vantagem sobre o segundo colocado e, em entrevista, declarou: “Nosso modo de classificação é o mais divertido, deveria se chamar modo festa”.
A Mercedes não era a única a ter um modo de motor nomeado por sua performance. Em 2019, a Ferrari conquistou nove pole positions — segundo maior registro da temporada — e levou o próprio britânico a afirmar que os italianos tinham o “modo jato”.
A FIA só bateu o martelo no GP da Itália de 2020 ao obrigar que as equipes usassem um modo único de motor durante a classificação, após pressão da Red Bull. Todavia, a proibição não freou a Mercedes, que, ao fim da temporada, venceu seu oitavo título de construtores, e Hamilton igualou Schumacher ao conquistar seu sétimo campeonato.
(Foto principal: Reprodução/Sky Sports)