Harry Kane finalmente colocou fim à seca de títulos da sua carreira em 2025. Depois de 15 temporadas como profissional, o atacante inglês ergueu o troféu da Bundesliga com o Bayern de Munique, um feito que abriu caminho para ambições ainda maiores — tanto coletivas quanto individuais.
Mesmo vivendo o melhor momento da carreira, o capitão da seleção inglesa ficou apenas em 13º lugar no Ballon d’Or de 2025, cuja cerimônia foi vencida por Ousmane Dembélé, do PSG. Até hoje, Kane nunca ficou acima da 10ª posição no prêmio mais prestigiado do futebol mundial. Mas, desde então, o camisa 9 parece ter subido mais um degrau.
Com 32 anos, Kane atingiu a impressionante marca de 20 gols em 12 jogos pelo Bayern em todas as competições após a goleada por 4 a 0 sobre o Club Brugge na Champions League. Ele sabe que, se mantiver esse ritmo, conquistar a Champions e ajudar a Inglaterra a vencer a Copa do Mundo de 2026, pode ser o principal candidato ao Ballon d’Or.
Um sonho que parece cada vez mais real
“Eu adoraria ganhar, com certeza. Seria o resultado de algo grandioso, tanto individual quanto coletivamente. Seria quase uma temporada perfeita”, disse Kane recentemente.
O último inglês a vencer o Ballon d’Or foi Michael Owen, em 2001, quando brilhava pelo Liverpool. Antes dele, apenas três compatriotas haviam levado o prêmio: Stanley Matthews (1956), Bobby Charlton (1966) e Kevin Keegan (1978 e 1979). Agora, o camisa 9 do Bayern busca se tornar o quinto dessa lista.
Os números estão do lado dele. Desde o início da temporada, Kane vem quebrando recordes com facilidade. Em setembro, tornou-se o jogador mais rápido do século a marcar 100 gols por um clube das cinco principais ligas europeias, em apenas 104 partidas. Hoje, soma 105 gols em 108 jogos — uma média absurda.
A máquina de gols da Baviera
Nenhum jogador nas grandes ligas europeias marcou tanto desde o início da temporada 2023/24. Nem mesmo Messi ou Cristiano Ronaldo atingiram 20 gols tão rapidamente: o argentino precisou de 17 jogos; o português, de 13. Kane alcançou o feito em 12, marcando a cada 54 minutos em média.
Na Bundesliga, já balançou as redes 12 vezes em sete rodadas e caminha para um total estimado de 58 gols. Se mantiver o ritmo, pode quebrar o recorde histórico de Robert Lewandowski, que anotou 41 gols em uma única edição do campeonato.
Na Champions, o domínio é semelhante. Desde sua estreia pelo Bayern em setembro de 2023, nenhum jogador marcou mais gols (24) nem participou diretamente de mais tentos (24 gols e seis assistências). Apenas Ruud van Nistelrooy superou seu início, com 48 gols nos primeiros 60 jogos do torneio.
Mais do que um artilheiro
Mas o caso de Kane no Ballon d’Or vai além dos números. Ele não é apenas um finalizador letal — é também um criador, um jogador tático e versátil que mudou a forma de atuar como centroavante.
“Harry reinventou o papel do camisa 9, assim como Neuer revolucionou o de goleiro há cerca de 15 anos”, escreveu Lothar Matthäus, vencedor do Ballon d’Or em 1990. “Não vejo um atacante melhor no mundo hoje. Ele marca, cria, dribla e desarma. É ao mesmo tempo artilheiro, armador e jogador de área a área.”
Essa visão é compartilhada dentro do próprio elenco do Bayern. “Harry te faz melhor. Ele não está aqui só para finalizar — ele te coloca na cara do gol”, afirmou Kingsley Coman. “Ele gosta tanto de dar assistências quanto de marcar. E o melhor: consegue fazer as duas coisas.”
O cérebro ofensivo de Kompany
Desde a lesão de Jamal Musiala no verão europeu, o técnico Vincent Kompany ajustou o esquema tático para dar total liberdade ofensiva a Kane. “Ele joga como três ou quatro jogadores ao mesmo tempo, e isso o torna inestimável”, observou o jornalista Raphael Honigstein.
Para Mina Rzouki, comentarista do BBC Football Daily, o diferencial do inglês é sua inteligência: “O QI de jogo dele é absurdo. O nível de sacrifício e leitura tática que ele tem é o que o separa dos outros.”
Enquanto isso, seus principais concorrentes continuam produzindo números impressionantes. Erling Haaland já soma 24 gols em 14 jogos por Manchester City e Noruega, e Kylian Mbappé tem 18 em 14 partidas por Real Madrid e França. Kane, contando os jogos pela Inglaterra, tem 23 em 15.
O caminho até a glória para Kane
Ainda assim, Matthäus destaca uma diferença crucial. “Nunca vi Haaland ou Mbappé desarmarem dentro da própria área, como Kane fez contra o Dortmund. Também não os vejo dando passes de 50 metros ou tentando cavadinhas como ele.”
Historicamente, o Ballon d’Or costuma ir para jogadores de equipes que vencem grandes títulos — Champions, Euro ou Copa. “É um prêmio individual, mas quase sempre vai para alguém que fez parte de uma conquista coletiva”, admitiu Kane.
Com o Bayern invicto na Champions e a Inglaterra garantida na Copa de 2026 com 100% de aproveitamento, o sonho de Kane parece cada vez mais possível. Talvez este seja o ano em que ele una talento, títulos e reconhecimento — e viva, enfim, a sua “temporada perfeita”.