O UFC Vegas 109 marcou mais um capítulo na ascensão meteórica de Anthony “Fluffy” Hernandez na divisão dos médios. Enfrentando o perigoso georgiano Roman Dolidze, número 9 do ranking, Hernandez não apenas venceu — ele dominou completamente, impôs seu ritmo desde o primeiro minuto e encerrou o combate com uma finalização cirúrgica no quarto round.
Com a vitória, ele alcançou sua oitava consecutiva na organização, consolidando-se como um dos nomes mais quentes da categoria e despertando discussões sérias sobre uma futura disputa de cinturão.
Hernandez mantém o bom momento
O contexto da luta já era favorável para medir o peso do triunfo. Hernandez vinha de um momento sólido, acumulando vitórias sobre adversários de estilos variados, enquanto Dolidze buscava se recuperar após resultados irregulares. A promessa era de um combate equilibrado, mas desde o soar do gongo inicial ficou claro que a noite teria dono.
Hernandez entrou com postura agressiva, mantendo o centro do octógono e trabalhando com golpes retos e low kicks para minar a base de Dolidze. Logo nos primeiros minutos, a diferença de volume e intensidade se tornou evidente: Hernandez pressionava com combinações rápidas e transições fluídas entre trocação e quedas, enquanto o georgiano tinha dificuldade para encontrar a distância e reagir.
O primeiro round terminou com clara vantagem para o estadunidense, que além de pontuar na trocação conseguiu impor o jogo de grappling para desgastar o rival. No segundo assalto, o padrão se repetiu: Hernandez manteve a pressão constante, obrigando Dolidze a lutar recuado, situação que não favorece seu estilo. A capacidade de Fluffy de misturar golpes potentes com entradas rápidas para a luta agarrada foi determinante para neutralizar qualquer tentativa de contra-ataque.
A partir do terceiro round, o desgaste físico de Dolidze se tornou ainda mais evidente. Hernandez continuava variando ataques ao corpo e à cabeça, alternando com quedas que resultavam em longos períodos de controle no chão. Cada avanço de Dolidze era respondido com contundência, e o georgiano começou a dar sinais claros de frustração, balançando a cabeça e evitando o centro do cage. Foi uma aula de imposição física e mental.
O desfecho veio no quarto round, em uma sequência que sintetizou a superioridade de Hernandez. Um cruzado de direita abalou Dolidze, seguido de uma cotovelada curta que o levou ao chão. No solo, Hernandez não perdeu tempo: avançou para as costas e encaixou um mata-leão, forçando a interrupção e selando uma vitória incontestável. O triunfo rendeu a ele o bônus de Performance da Noite, reconhecimento justo para uma atuação de altíssimo nível técnico e intensidade.
Dominância pode levar à saltos maiores
O impacto dessa vitória vai além do resultado imediato. Hernandez, agora com oito vitórias seguidas no UFC, se coloca em posição privilegiada no ranking, podendo muito bem figurar no top 5 já na próxima atualização. Mais do que números, o que impressiona é a consistência e a capacidade de adaptação que ele tem demonstrado. Contra Dolidze, mostrou volume de golpes, resistência, jogo de chão afiado e inteligência para explorar as fragilidades do adversário sem se expor desnecessariamente.
Analistas como Daniel Cormier elogiaram publicamente a performance, afirmando que Hernandez “é um dos nomes mais perigosos da categoria” e que está pronto para enfrentar a elite dos médios. Veículos especializados como o CBS Sports destacaram que “é hora de levar Hernandez a sério como candidato ao título”, enquanto o MMA Fighting classificou a atuação como possivelmente “a mais completa de sua carreira até aqui”.
O próprio Hernandez, no entanto, mantém um discurso cauteloso. Após a luta, declarou que prefere seguir a trajetória passo a passo, sem pular etapas, mas admitiu que está de olho em confrontos que possam levá-lo diretamente à disputa pelo cinturão. Um dos nomes citados foi o do atual campeão, além de Reinier de Ridder, em uma eventual luta valendo um “título simbólico” de BMF Middleweight — ideia que, segundo ele, serviria para promover ainda mais a divisão e atrair público.
Hernandez pode ameaçar o topo?
A realidade é que Hernandez reúne todos os elementos para ser uma ameaça real ao topo: condicionamento físico invejável, pressão ininterrupta, jogo versátil e mentalidade resiliente. Seu histórico recente inclui vitórias convincentes sobre atletas duros como Rodolfo Vieira, Ikram Aliskerov e Brendan Allen, mostrando que consegue lidar tanto com grapplers de elite quanto com strikers perigosos.
O futuro imediato deve colocar Hernandez frente a frente com alguém do top 5, talvez em um evento numerado. A depender de como o cenário da categoria se desenrole, uma vitória nesse próximo desafio pode ser suficiente para credenciá-lo a uma disputa de cinturão já em 2026.
Enquanto isso, o UFC ganha mais um nome sólido para promover na divisão dos médios, e os fãs, mais um motivo para acompanhar de perto cada passo de “Fluffy”. Se continuar no ritmo atual, Hernandez não apenas chegará ao topo — ele pode muito bem se tornar o novo campeão em um futuro próximo.
(Foto: Louis Grasse/PxImages)