Botafogo x Vitória, Brasileirão 2026. Foto: Victor Ferreira/EC Vitória.
Futebol Brasileirão

Identidade do Vitória aparece novamente; por que time é tão competitivo sob o comando de Jair Ventura?

A pausa para a Copa do Mundo serviu para ajustes físicos, táticos e estratégicos em praticamente todos os clubes da Série A. No Vitória, porém, a retomada do Brasileirão reforçou uma certeza: a principal força da equipe continua sendo a identidade criada por Jair Ventura.

O Leão talvez não seja um dos times mais ofensivos da competição, tampouco aquele que domina a posse de bola. Ainda assim, poucos conseguem competir de forma tão consistente. O empate sem gols contra o Botafogo, fora de casa, é um bom exemplo disso.

Na última quinta-feira (23), o time fez uma mostrou ser organizado, intenso e disciplinado dentro do Nilton Santos. Desse modo, o Vitória se consolidou como uma equipe capaz de adaptar sua estratégia sem perder aquilo que o caracteriza desde a chegada do treinador.

Competitividade virou marca registrada

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Foto: Victor Ferreira/EC Vitória

A forma como Jair Ventura enxerga o futebol ajuda a explicar o desempenho da equipe. Nas entrevistas coletivas, o treinador costuma falar menos sobre esquemas táticos e mais sobre comportamento.

Palavras como competitividade, entrega, comprometimento, humildade e espírito coletivo aparecem constantemente em seus discursos. Após a classificação sobre o Ceará, por exemplo, Jair fez questão de destacar a atuação de Zé Vitor, classificando o atacante como “extremamente competitivo”.

Também elogiou atletas que, segundo ele, “querem buscar um lugar ao sol”, reforçando que o diferencial do Vitória está muito mais na postura coletiva do que em qualquer desenho tático. Essa mentalidade acabou se tornando o DNA da equipe.

Defesa sólida e capacidade de adaptação

Dentro de campo, a organização defensiva segue sendo o principal alicerce do trabalho.

O Vitória raramente oferece espaços entre suas linhas. A equipe atua com blocos compactos, reduz as distâncias entre defesa e meio-campo e coordena a pressão de maneira eficiente, dificultando a construção dos adversários.

Mesmo quando tem menos posse de bola, consegue controlar os espaços e limitar o número de oportunidades claras concedidas. Não por acaso, grande parte de seus jogos é decidida em detalhes.

Outro mérito do trabalho está na flexibilidade tática. Dependendo do contexto da partida, o Vitória pode pressionar a saída de bola do adversário, baixar suas linhas para explorar os contra-ataques ou controlar o ritmo do jogo quando necessário. A equipe não depende de um único modelo para competir e consegue se adaptar sem perder consistência.

Essa leitura dos diferentes cenários se tornou uma das principais marcas de Jair Ventura.

Elenco compra a ideia do treinador

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Foto: Victor Ferreira/EC Vitória

Talvez o maior mérito do comandante esteja fora da prancheta. Jair conseguiu fazer o elenco acreditar completamente na filosofia implementada desde sua chegada. Em praticamente todas as entrevistas, utiliza exemplos individuais para ilustrar a força do coletivo.

Depois da vitória sobre o Ceará, relembrou que Matheuzinho atuou mesmo sentindo dores, exaltou um “carrinho de cabeça” de Nathan e ainda citou uma jogada semelhante protagonizada por Baralhas em outra partida.

São episódios que ajudam a construir a cultura competitiva do elenco e reforçam uma mensagem repetida constantemente pelo treinador: ninguém está acima do grupo.

Essa lógica também influenciou diretamente o mercado. Jair revelou que contratações como Zé Vitor e Renê não aconteceram apenas pelo aspecto técnico. O perfil competitivo apresentado pelos jogadores durante a carreira pesou tanto quanto a qualidade com a bola nos pés.

A diretoria buscou atletas que se encaixassem em um modelo baseado na intensidade, disciplina tática e comprometimento durante os 90 minutos.

Força mental explica a regularidade

Vitória mal fora de casa
Foto: Victor Ferreira/EC Vitória

Outro ponto frequentemente ressaltado por Jair Ventura é o ambiente criado dentro do elenco.

“Estamos sempre juntos nos momentos bons e ruins”, costuma afirmar o treinador.

Esse discurso ajuda a explicar por que o Vitória consegue manter o equilíbrio emocional mesmo diante de adversários tecnicamente superiores ou em cenários desfavoráveis.

Os números sustentam essa percepção. Mesmo sem possuir um dos elencos mais valiosos da Série A, o Leão registra aproveitamento próximo de 57% no Campeonato Brasileiro, mantém regularidade como mandante e raramente sofre derrotas por larga vantagem. Além disso, tem conseguido equilibrar confrontos diante de equipes que ocupam as primeiras posições da tabela.

Um time que sabe exatamente quem é

Apesar da boa campanha, Jair Ventura evita qualquer clima de euforia. Após a classificação diante do Ceará, pela Copa do Nordeste, voltou a adotar o discurso de pensar “jogo a jogo” e reforçou que a humildade continua sendo um dos pilares do trabalho desenvolvido no Barradão.

Essa postura ajuda a manter o elenco focado e alinhado com uma filosofia construída desde o primeiro dia.

O Vitória desenvolveu uma identidade baseada em comportamento. Independentemente do adversário, a equipe entra em campo para competir, manter a organização, defender de forma compacta e lutar por cada disputa.

A retomada do Brasileirão deixou isso evidente mais uma vez. Em uma competição marcada pelo equilíbrio e por elencos cada vez mais qualificados, o Vitória segue provando que organização, disciplina e comprometimento coletivo podem diminuir a diferença para clubes com investimentos muito superiores.

É justamente essa identidade que explica por que o Leão continua sendo um dos adversários mais difíceis de enfrentar na Série A.

Créditos da foto de capa: Victor Ferreira/EC Vitória