O futebol se despede de mais um nome marcante da época de 2010. Aaron Ramsey anunciou sua aposentadoria aos 35 anos, encerrando uma carreira de quase duas décadas, daquelas que misturam talento de sobra, momentos decisivos e, infelizmente, algumas batalhas duras contra lesões, sem esquecer também, de certas histórias que nunca se desvencilharam de seu currículo.
Foram mais de 600 jogos como profissional, com passagens importantes por clubes como Arsenal, Juventus e Rangers, além de uma forte conexão com a seleção de País de Gales. Um currículo respeitável e, em muitos momentos, decisivo.
De promessa precoce a protagonista
A história de Ramsey começa no Cardiff City, seu clube do coração. E já começou com impacto: ele estreou com apenas 16 anos, tornando-se o jogador mais jovem da história do clube. Não demorou muito para chamar atenção e, em 2008, desembarcou no Arsenal.
No início, como acontece com muitos jovens talentos, o espaço não veio de imediato, sempre é necessária uma lapidação desses diamantes brutos. E, pra piorar, as lesões começaram a aparecer cedo. Ainda assim, Ramsey foi ganhando seu lugar e, com o tempo, virou peça-chave no meio-campo dos Gunners.
E quando a gente fala em Ramsey no Arsenal, tem um detalhe que não dá pra ignorar: o cara gostava de aparecer em decisão. Foi dele, por exemplo, o gol do título da FA Cup de 2014, que encerrou um jejum de nove anos sem troféus do clube. Sim, ele não só jogava, ele resolvia, mas também, levava consigo uma certa maldição…
Sempre que ele balançava as redes, era comum ver alguma celebridade, ou um nome conhecido do mundo partir desta, para uma melhor.
Ao todo, foram 369 jogos e 64 gols com a camisa do Arsenal, além de três títulos da FA Cup. Nada mal pra um meio-campista que muitas vezes fazia o “trabalho sujo” e ainda aparecia como elemento surpresa no ataque.
Lesões: o “adversário” que nunca saiu de campo
Se tem algo que impediu Ramsey de alcançar um patamar ainda mais alto foi o histórico de lesões. E não foram poucas. Ao longo da carreira, o galês conviveu com problemas físicos que interromperam sequências importantes e atrapalharam sua evolução.
Mesmo assim, ele nunca deixou de ser relevante. Sempre voltava. Sempre encontrava um jeito de contribuir. Aquela resiliência que o torcedor valoriza e muito, entrando o famoso ponto da raça, de deixar tudo de si dentro das quatro linhas.
Europa, títulos e um gosto agridoce
Após deixar o Arsenal em 2019, Ramsey seguiu para a Juventus, onde conquistou a Serie A logo de cara, sob o comando de Maurizio Sarri. Também levantou a Copa da Itália na temporada seguinte.
Depois, teve uma passagem pelo Rangers, que terminou com um roteiro daqueles bem dramáticos. Na final da UEFA Europa League contra o Eintracht Frankfurt, Ramsey entrou no fim da prorrogação… e acabou desperdiçando o pênalti decisivo. Daquelas cenas que o futebol adora escrever, nem sempre com final feliz.
Mas, como toda boa carreira, a dele não se resume a um momento.
Ramsey se apresentou como ídolo de uma geração histórica
Se nos clubes Ramsey já era importante, na seleção ele virou símbolo. Com a camisa de Gales, foram 86 jogos e 21 gols, além de participações em três grandes torneios. Dava para dizer que existia uma mística do meio-campista e de Gareth Bale contra o mundo.
O auge? A Euro 2016. Ramsey foi simplesmente um dos melhores jogadores da competição, ajudando Gales a chegar até a semifinal, um feito histórico. Foi tão bem que entrou na seleção do torneio.
Mais do que números, ele representou uma geração que colocou Gales no mapa do futebol internacional novamente.
O adeus
Sem clube desde sua saída do Pumas, do México, Ramsey decidiu que era hora de parar. Em comunicado, agradeceu à seleção, aos clubes, aos treinadores, à família e, claro, à famosa “Red Wall”, a apaixonada torcida galesa.
E aqui vai uma verdade: Ramsey pode não ter sido o jogador mais badalado da sua geração, mas foi um daqueles que todo time queria ter. Versátil, inteligente, decisivo e com uma capacidade rara de aparecer nos momentos grandes. Sem contar que, com certeza tem um enorme carinho das torcidas por onde passou, e sinceramente, está muito longe de ser um nome que passa batido quando uma foto sua é vista.
Talvez não tenha tido a carreira perfeita, mas teve uma carreira real. E, no futebol, isso às vezes vale ainda mais. Fim de jogo para Aaron Ramsey. Mas daqueles que saem de campo aplaudidos
Foto: David Klein/Reuters


