A história de Igor Coronado no Corinthians começou cercada de expectativas. O meia de 31 anos, que chegou ao clube no início de 2024 vindo do futebol saudita, era visto como uma contratação de peso, alguém que poderia mudar o patamar do meio-campo alvinegro. Técnico, experiente e com números expressivos no exterior, Coronado foi apresentado como um “camisa 10 moderno”, capaz de decidir jogos com passes precisos e visão de jogo refinada.
No entanto, poucos meses foram suficientes para que essa expectativa se transformasse em frustração. A passagem de Coronado pelo Corinthians foi marcada por lesões, baixa produtividade e falta de sequência. Nesta semana, o jogador acertou sua rescisão contratual com o clube, encerrando um ciclo que prometia muito, mas entregou pouco.
Uma chegada com pompa
Quando o Corinthians anunciou a contratação de Igor Coronado, em fevereiro de 2024, o clima entre torcida e diretoria era de entusiasmo. O jogador chegava após temporadas de destaque pelo Al-Ittihad, da Arábia Saudita, onde havia sido campeão e protagonista da equipe ao lado de nomes como Benzema e Kanté. Apesar de já ter 31 anos, Coronado ainda despertava atenção por sua condição técnica e inteligência em campo.
A diretoria corintiana tratou o reforço como estratégico. Sem custos de transferência, Coronado assinou contrato até o fim de 2025 com luvas diluídas ao longo do vínculo. A expectativa era de que assumisse rapidamente a titularidade e se tornasse o cérebro da equipe.
A recepção da torcida foi positiva. Muitos lembravam de seus vídeos com lances plásticos no Oriente Médio, dos gols de fora da área, da precisão nos passes e da liderança técnica. Parecia, finalmente, a reposição de qualidade para um setor que, apesar de ter Rodrigo Garro, ainda carecia.
Lesões e falta de sequência
No entanto, o início da trajetória de Coronado em Itaquera foi imediatamente comprometido por problemas físicos. Pouco depois de sua chegada, o meia sofreu uma lesão muscular e ficou fora da estreia no Paulistão. Quando voltou, ainda enfrentando limitações, teve poucas oportunidades de mostrar serviço. Em seguida, contraiu dengue, o que o afastou novamente por semanas.
A falta de ritmo de jogo ficou evidente. Em campo, Coronado apresentava dificuldade para acompanhar a intensidade das partidas, errava passes simples e demonstrava pouca mobilidade. Sem conseguir se firmar entre os titulares, viu Rodrigo Garro, contratado na mesma janela, conquistar espaço com atuações consistentes e gols importantes.
A comissão técnica tentou recuperá-lo. Coronado passou a fazer trabalho de fortalecimento físico, atuou por alguns minutos em jogos menos decisivos, mas os resultados não vieram. Até mesmo quando esteve disponível, foi apenas uma sombra do jogador que encantou o mundo árabe.
Ao todo, Igor Coronado disputou 37 partidas pelo Corinthians, marcando apenas 2 gols e distribuindo 4 assistências.
A torcida, naturalmente, perdeu a paciência. Nas redes sociais, o meia passou a ser alvo de críticas constantes. Muitos o acusavam de ser “ex-jogador em atividade” e criticavam a diretoria por ter apostado alto em um atleta que pouco contribuiu. Frases como “só veio para fazer turismo” e “um dos maiores erros da gestão” passaram a se repetir com frequência.
Rescisão e fim melancólico
Diante do cenário de desconfiança e da dificuldade de encaixá-lo no time, o Corinthians e o jogador chegaram a um acordo de rescisão contratual nesta semana. De acordo com informações da imprensa, a saída foi amigável, com o clube se comprometendo a pagar parte das luvas atrasadas em parcelas ao longo dos próximos meses.
Em declaração após a rescisão, Coronado disse que “gostaria de ter tido mais oportunidades”, mas desejou sorte ao Corinthians no futuro.
A passagem relâmpago de Coronado pelo clube se encerra com mais frustração do que brilho. Em menos de sete meses, o meia não conseguiu se firmar tecnicamente, não marcou presença nos momentos importantes e ainda se tornou mais um nome em uma lista recente de contratações que decepcionaram no Parque São Jorge.
O que deu errado?
A pergunta que fica é: o que fez Igor Coronado não dar certo no Corinthians? O principal fator foi, sem dúvida, o aspecto físico. Desde sua chegada, o jogador enfrentou uma série de problemas musculares que impediram sua sequência. Além disso, a intensidade do futebol brasileiro pareceu ser demais para um atleta que estava acostumado a um ritmo mais cadenciado no Oriente Médio.
Outro ponto foi a falta de adaptação tática. Coronado nunca encontrou seu espaço no 4-2-3-1 de António Oliveira e, posteriormente, no esquema de Ramón Díaz. Atuava muitas vezes fora de posição, longe do gol e sem liberdade para criar.
Sua saída precoce serve de alerta para futuras contratações. Sem um planejamento físico e tático adequado, mesmo jogadores talentosos podem falhar. E, neste caso, o Corinthians pagou o preço de uma aposta que não se concretizou — nem em campo, nem fora dele.
(Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians)