Ilia Topuria, atual campeão do peso-leve do UFC, deu uma sugestão interessante para a superluta com Islam Makhachev, dono do cinturão dos meio-médios, “sair do papel”. No entendimento do georgiano radicado na Espanha, uma boa alternativa seria criar uma categoria “libra por libra” para este grande evento. A proposta surge em meio ao impasse público entre os dois campeões e reacende o debate sobre superlutas que extrapolam divisões tradicionais.
Campeão dos penas e dos leves, Ilia Topuria quer se tornar o primeiro lutador da história do UFC a ganhar três cinturões em divisões diferentes. O feito colocaria seu nome em um patamar inédito dentro da organização presidida por Dana White.
Do outro lado está Islam Makhachev, atual campeão dos meio-médios e um dos nomes mais dominantes da companhia. O russo já disse publicamente que a superluta não seria interessante, já que, em caso de vitória, ele ficaria conhecido por ganhar de um peso-leve. Seu triunfo seria desmerecido e ele não teria muito a ganhar em termos de legado.
É nesse cenário que Ilia Topuria apresentou uma alternativa ousada. Desta forma, a ideia de Ilia Topuria não seria competir nem nos leves, nem nos meio-médios. O ideal, no entendimento do georgiano, seria achar um meio-termo entre as divisões.
“O cenário perfeito para mim seria lutar com ele na categoria dos meio-médios, porque assim eu conseguiria conquistar meu terceiro cinturão. Mas também seria um cenário ainda melhor lutar entre 70 e 77 kg e criar um novo cinturão. Por que não chamá-lo de ‘libra por libra’? Coloque dois dos melhores do mundo no meio e o cinturão ‘libra por libra’. Quem vencer será o melhor.”
A declaração de Ilia Topuria não apenas provoca Makhachev, mas também coloca o UFC diante de uma oportunidade comercial e simbólica rara.
A ideia seria uma boa alternativa para o UFC
Do ponto de vista estratégico, a sugestão de Ilia Topuria soa como uma solução elegante para um impasse delicado. Atualmente, o Ultimate considera Makhachev um dos produtos mais valiosos de sua organização. O russo representa um mercado importante e carrega a aura de invencibilidade construída nos últimos anos.
Caso Makhachev perca para Ilia Topuria numa luta de até 77 kg, mas valendo oficialmente o cinturão dos meio-médios, o impacto poderia ser significativo. O campeão seria derrotado por alguém originalmente de categoria inferior, o que inevitavelmente geraria questionamentos sobre seu reinado.
Em uma luta abaixo dos 77 kg, sem valer o cinturão dos meio-médios, o UFC poderia manter as duas estrelas com seus respectivos títulos. Assim, mesmo com derrota, nenhum dos campeões perderia formalmente seu posto. A criação simbólica de um cinturão “libra por libra” funcionaria como atração especial, preservando ativos e maximizando vendas.
Além disso, o combate poderia ser uma das principais atrações do aguardado UFC Casa Branca, evento previsto para o meio do ano como parte das comemorações dos 250 anos da Independência dos Estados Unidos. Um duelo entre Ilia Topuria e Islam Makhachev, com um cinturão inédito em jogo, teria todos os elementos para se tornar histórico em um palco político e midiático dessa magnitude.
Por outro lado, esta não deve ser a próxima luta de Topuria
Apesar do entusiasmo em torno da superluta, tudo indica que este não será o próximo passo de Ilia Topuria. Em entrevista recente, Ilia Topuria confirmou que voltará a lutar na metade do ano. Fora do octógono desde junho de 2025, o campeão dos leves afirmou que resolveu seus problemas particulares e está pronto para retomar o ritmo competitivo.
O adversário mais provável é Justin Gaethje, que conquistou o título interino ao derrotar Paddy Pimblett no UFC 324. A vitória de Gaethje movimentou a divisão e criou uma pressão natural por uma unificação dos cinturões.
A luta entre Gaethje e Pimblett serviu para reorganizar o topo dos leves. Porém, o UFC sabe que o atual campeão precisa medir suas habilidades com Gaethje o mais rápido possível. Ilia Topuria, que sempre pregou atividade e desafios de alto nível, dificilmente recusaria esse compromisso.
Há ainda a possibilidade de que Ilia Topuria x Gaethje seja justamente uma das lutas escolhidas para o evento na Casa Branca. O CEO Dana White ainda não revelou o card do show especial na sede do governo dos EUA, mas garante que todas as lutas já estão definidas.
Para Ilia Topuria, opções não faltam para brilhar na Casa Branca. Seja defendendo seu cinturão, seja buscando o inédito terceiro título, o campeão demonstra ambição e criatividade. Resta saber se o UFC comprará a ideia do cinturão “libra por libra” ou se manterá os pés fincados nas divisões tradicionais. Em qualquer cenário, Ilia Topuria já conseguiu o que queria: colocar seu nome no centro das discussões sobre o futuro das grandes superlutas no MMA.
Foto: Chris Unger/Zuffa LLC