A conquista da Copa do Mundo de 2026 pela Espanha marcou um dos capítulos mais emocionantes da carreira de Borja Iglesias. O atacante levantou o troféu neste domingo depois de uma trajetória marcada por convicção, superação e muito trabalho. Há exatos 1.212 dias, o jogador havia anunciado que não voltaria a defender a seleção espanhola enquanto não houvesse mudanças na Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF).
Na época, a decisão chamou atenção em todo o mundo do futebol. Agora, três anos depois, Borja encerra essa história da melhor forma possível: como campeão mundial.
Renúncia aconteceu durante a crise do caso Rubiales
Em 25 de agosto de 2023, em meio à crise provocada pelo caso envolvendo Luis Rubiales após o título da seleção feminina da Espanha na Copa do Mundo, Borja Iglesias decidiu se posicionar publicamente.
O atacante afirmou nas redes sociais que não se sentia representado pelos acontecimentos e deixou claro que não voltaria a vestir a camisa da seleção enquanto a situação permanecesse a mesma.
A decisão repercutiu fortemente na Espanha e reforçou uma característica que sempre acompanhou o jogador ao longo da carreira: a disposição para defender seus princípios, mesmo diante de possíveis críticas.
Fora dos gramados, Borja nunca escondeu suas opiniões sobre temas sociais e políticos, tornando-se um dos atletas mais ativos nesse tipo de debate no futebol espanhol.

Trajetória na seleção teve altos e baixos
A primeira oportunidade de Borja Iglesias na seleção principal aconteceu em 2022, quando foi convocado por Luis Enrique após uma excelente temporada pelo Betis.
Apesar do bom início, o atacante perdeu espaço nos meses seguintes. A queda de rendimento acabou refletindo nas convocações e, em janeiro de 2024, ele foi emprestado ao Bayer Leverkusen em busca de mais minutos e confiança.
O período na Alemanha serviu como aprendizado, mas a verdadeira retomada da carreira aconteceu quando voltou ao futebol espanhol.
Retorno ao Celta mudou sua carreira
De volta ao Celta de Vigo, Borja Iglesias reencontrou o bom futebol e voltou a ser decisivo.
Nas duas temporadas seguintes, o atacante marcou 29 gols, desempenho que recolocou seu nome entre os principais centroavantes da Espanha e chamou novamente a atenção da comissão técnica da seleção.
O técnico Luis de la Fuente decidiu convocá-lo novamente em outubro do ano passado. Desde então, Borja passou a figurar com frequência entre os convocados e recuperou definitivamente seu espaço no grupo.
O retorno foi construído com atuações consistentes e muitos gols, sem qualquer privilégio ou tratamento diferente.

Convicção, resiliência e título mundial
O desfecho da história não poderia ter sido mais simbólico.
Depois de abrir mão da seleção por convicção, reconstruir sua carreira e voltar a conquistar espaço dentro da equipe nacional, Borja Iglesias teve a oportunidade de levantar a taça da Copa do Mundo com a Espanha.
O título representa muito mais do que uma conquista esportiva. É também o reconhecimento de um jogador que permaneceu fiel aos próprios valores, enfrentou momentos difíceis e encontrou forças para dar a volta por cima.
Nem todos os campeões chegam ao topo pelo mesmo caminho. No caso de Borja Iglesias, a trajetória foi marcada por escolhas difíceis, perseverança e dedicação dentro de campo.
A conquista do Mundial encerra um ciclo iniciado há mais de três anos e transforma o atacante em um dos personagens mais marcantes da campanha espanhola, mostrando que, em alguns casos, as maiores vitórias vão muito além do futebol.
Foto: REUTERS/Hannah Mckay

