Palmer comemora o gol sua tradicional celebração. Foto: Divulgação/Chelsea FC - Inglaterra
Futebol Copa do Mundo Premier League

Inglaterra deixou soluções no banco? Cinco jogadores ignorados por Tuchel entram no debate após eliminação na Copa do Mundo

A eliminação da Inglaterra para a Argentina na semifinal da Copa do Mundo continua rendendo debates. A derrota por 2 a 1, de virada, não gerou apenas críticas às substituições feitas por Thomas Tuchel durante o segundo tempo, mas também levantou uma discussão sobre as escolhas do treinador antes mesmo do início do torneio. Afinal, a seleção inglesa realmente não tinha jogadores capazes de controlar a posse de bola ou o problema foi criado pelo próprio comandante?

Após o apito final, Tuchel afirmou que a Inglaterra ainda não possui, em seu “DNA”, a capacidade de controlar partidas com a bola nos pés da mesma forma que seleções como Espanha, Argentina ou Brasil. A declaração rapidamente dividiu opiniões, principalmente porque diversos atletas com características mais técnicas ficaram fora da convocação ou sequer receberam oportunidades durante a competição.

A reta final da semifinal reforçou essa impressão. Depois do gol de Anthony Gordon, a Inglaterra recuou excessivamente, terminou os minutos finais praticamente sem conseguir trocar passes e viu a Argentina dominar completamente a posse de bola até conseguir a virada com Enzo Fernández e Lautaro Martínez, após assistência de Lionel Messi.

Diante desse cenário, cresce a sensação de que existiam alternativas capazes de oferecer exatamente aquilo que Tuchel disse estar faltando.

O “problema de DNA” explicado por Tuchel

Na entrevista coletiva depois da eliminação, Thomas Tuchel foi bastante direto ao analisar o desempenho da Inglaterra. Segundo o treinador, a equipe não possui naturalmente jogadores acostumados a assumir o controle das partidas através da posse de bola, característica que ele considera mais presente em seleções como Espanha, Argentina e Brasil.

O técnico também explicou que sua equipe deixou de vencer disputas individuais no meio-campo, passou a recuar cada vez mais e abriu espaços para as infiltrações dos argentinos. Na visão dele, a falta de jogadores com esse perfil acabou limitando as possibilidades durante a partida.

O argumento faz sentido em parte, mas também gera um questionamento inevitável. Se esse tipo de atleta realmente faz falta, por que alguns dos jogadores ingleses com essas características ficaram em casa ou passaram a Copa inteira assistindo aos jogos do banco de reservas?

Phil Foden aparece como uma ausência difícil de explicar

Entre os nomes mais lembrados pelos torcedores está Phil Foden.

Mesmo sem viver sua temporada mais brilhante fisicamente, o meia segue sendo um dos jogadores ingleses com maior capacidade para controlar o ritmo das partidas. Durante a temporada 2025/26 pelos clubes, apresentou 88,6% de aproveitamento nos passes, distribuindo quase 49 bolas por jogo.

Além disso, teve quase 80% de precisão nos passes para o terço final do campo, índice que evidencia sua capacidade de acelerar ataques sem perder qualidade na circulação da bola.

Em uma partida na qual a Inglaterra praticamente deixou de conseguir respirar nos minutos finais, um jogador com esse perfil poderia ter oferecido exatamente o controle que Tuchel disse estar faltando.

Cole Palmer também ficou fora da Copa do Mundo

Outro nome frequentemente citado é Cole Palmer.

A ausência do meia pode ser parcialmente explicada pelos problemas físicos que enfrentou antes da Copa do Mundo. Ainda assim, seus números durante a temporada mostram um atleta capaz de quebrar linhas tanto conduzindo quanto distribuindo o jogo.

Palmer registrou média de 3,3 conduções progressivas por partida, quase o dobro do apresentado por Foden, além de manter um índice sólido de acerto nos passes.

Sua capacidade de carregar a bola poderia ter sido importante justamente quando a Inglaterra passou a ser pressionada constantemente pela Argentina na reta final da semifinal.

Gibbs-White fez temporada suficiente para entrar na discussão

Morgan Gibbs-White talvez não seja lembrado imediatamente quando o assunto é controle de posse, mas sua temporada certamente justificava uma oportunidade.

O meia encerrou o ano com 18 gols, além de apresentar bons números na construção ofensiva, acertando mais de 83% dos passes e distribuindo quase cinco bolas por jogo para o último terço do campo.

Ele talvez não fosse a solução perfeita para controlar completamente uma partida, mas oferecia características diferentes das opções levadas por Tuchel e poderia aumentar a capacidade criativa da Inglaterra em momentos de maior pressão.

Mainoo virou o maior ponto de interrogação da campanha inglesa

Se existe uma decisão difícil de justificar, ela atende pelo nome de Kobbie Mainoo.

Ao contrário dos outros jogadores, o jovem meio-campista foi convocado para a Copa do Mundo, mas terminou o torneio sem disputar um único minuto. Foram sete partidas acompanhadas integralmente do banco de reservas.

A escolha chama ainda mais atenção quando os números são analisados. Mainoo apresentou o maior índice de acerto nos passes entre todos os jogadores citados, alcançando impressionantes 90,9%, além de liderar o grupo também no volume de passes realizados por partida.

Os números defensivos reforçam ainda mais sua candidatura. O volante venceu quase 65% dos duelos defensivos e registrou média superior a três interceptações por jogo.

Quando Declan Rice deixou o campo diante da Argentina, muitos imaginavam que Mainoo finalmente teria sua oportunidade. Em vez disso, Tuchel optou por reforçar a defesa.

As substituições aumentaram a pressão sobre Tuchel

As críticas ao treinador cresceram justamente por causa das mudanças realizadas quando a Inglaterra ainda vencia por 1 a 0.

Rice foi substituído por Nico O’Reilly, um defensor improvisado em uma função mais aberta. Pouco depois, Reece James deixou o gramado para a entrada do zagueiro Dan Burn.

Nos minutos finais, a seleção inglesa passou a atuar praticamente com seis defensores, reduzindo ainda mais sua capacidade de manter a posse de bola e aliviar a pressão exercida pelos argentinos.

A consequência foi imediata. A Inglaterra praticamente deixou de atacar, terminou a partida com apenas 12% de posse de bola no trecho final do jogo e passou a sobreviver exclusivamente através das bolas afastadas pela defesa.

A Argentina cresceu, encontrou espaços entre as linhas e construiu naturalmente a virada.

Lewis-Skelly também poderia oferecer uma alternativa

Outro nome da Inglaterra lembrado pelos analistas é Myles Lewis-Skelly.

Embora atue principalmente como lateral-esquerdo, o jovem também desempenha funções de meio-campista e apresenta características bastante interessantes para jogos de controle.

Na última temporada, registrou mais de 90% de aproveitamento nos passes, além de apresentar ótimo índice de sucesso nos dribles e vencer boa parte dos duelos ofensivos.

Sua capacidade de conduzir a bola sob pressão poderia ter sido útil justamente quando a Inglaterra passou a encontrar enormes dificuldades para sair do próprio campo.

Faltaram jogadores ou coragem?

A principal discussão após a eliminação da Inglaterra talvez nem seja sobre nomes específicos, mas sobre a maneira como Thomas Tuchel administrou a vantagem construída por Anthony Gordon.

Ao recuar completamente a equipe, retirar jogadores do meio-campo e reforçar a defesa, o treinador abriu mão justamente daquilo que afirmou faltar à seleção inglesa: controle da bola.

É evidente que problemas físicos influenciaram algumas decisões. Declan Rice não tinha condições de atuar durante os 90 minutos, enquanto Jordan Henderson ficou fora por lesão. Ainda assim, havia outras alternativas dentro do próprio elenco capazes de manter o equilíbrio entre defesa e posse de bola.

No fim das contas, a eliminação da Inglaterra deixa uma dúvida difícil de responder. O problema realmente faz parte do “DNA” do futebol inglês ou foi consequência de escolhas feitas por Tuchel antes e durante a Copa do Mundo? A resposta provavelmente continuará alimentando o debate até o início do próximo ciclo da seleção.

Foto: Divulgação/Chelsea FC