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Inglaterra transforma caos em força, elimina México e reforça sonho pelo primeiro título desde 1966

A Inglaterra deu mais um passo importante na Copa do Mundo de 2026 e, talvez pela primeira vez em décadas, faça sua torcida acreditar que o famoso “It’s Coming Home” pode deixar de ser apenas um sonho. A vitória por 3 a 2 sobre o México, nas oitavas de final, foi muito mais do que uma simples classificação: foi uma demonstração de maturidade, resiliência e controle emocional em um cenário que, em outras Copas, provavelmente terminaria em tragédia para os ingleses.

Ainda faltam três partidas para levantar a taça e conquistar o primeiro Mundial desde 1966. No entanto, o desempenho no Estádio Azteca deixou uma impressão difícil de ignorar: esta pode ser a melhor seleção inglesa dos últimos 60 anos.

Um roteiro que parecia repetir antigos pesadelos

Quem acompanha a história recente da Inglaterra em grandes torneios conhece bem esse tipo de roteiro.

Depois de abrir dois gols de vantagem, a equipe viu a partida mudar completamente quando Jarell Quansah foi expulso aos 54 minutos. Pouco depois, Raúl Jiménez converteu uma cobrança de pênalti aos 69 minutos e recolocou o México na disputa, inflamando o Azteca e aumentando a pressão sobre os visitantes.

Era justamente o tipo de cenário que tantas vezes terminou em eliminação inglesa.

A torcida certamente relembrou diversos capítulos frustrantes da seleção, imaginando que mais uma vantagem escaparia diante de um ambiente completamente favorável aos mexicanos.

Mas desta vez a história tomou outro rumo.

Inglaterra mostra personalidade para suportar a pressão

Mesmo atuando com um jogador a menos durante boa parte do segundo tempo, a Inglaterra manteve a organização defensiva e praticamente não entrou em desespero.

Jordan Pickford comandou sua área com segurança, transmitindo confiança durante toda a reta final da partida. No setor defensivo, Ezri Konsa precisou atuar improvisado na lateral direita após a expulsão de Quansah e respondeu muito bem, neutralizando boa parte das investidas mexicanas.

No meio-campo, Jude Bellingham voltou a assumir o protagonismo. O camisa 10 esteve presente em praticamente todos os momentos importantes da equipe, controlando o ritmo do jogo mesmo quando a pressão aumentava.

Foi uma atuação coletiva marcada pela calma, algo que nem sempre fez parte da identidade inglesa em Copas do Mundo.

Expulsão de Quansah parecia anunciar mais um trauma

O cartão vermelho recebido por Jarell Quansah também carregava um peso histórico.

O defensor tornou-se apenas o quarto jogador da Inglaterra a ser expulso em uma Copa do Mundo, juntando-se a Ray Wilkins, David Beckham e Wayne Rooney.

O retrospecto anterior não era nada animador. A Inglaterra não venceu nenhuma das partidas em que sofreu essas expulsões, sendo eliminada em duas oportunidades após disputas por pênaltis.

Além disso, o palco aumentava ainda mais o drama.

O Estádio Azteca sempre foi um ambiente extremamente difícil para visitantes. Em competições oficiais, o México havia perdido apenas duas vezes no estádio e jamais havia sido derrotado ali em uma Copa do Mundo. A expulsão de Quansah parecia reunir todos os ingredientes para entrar na longa lista de momentos traumáticos da história inglesa.

Só que, desta vez, ninguém entrou em pânico.

Thomas Tuchel já imprime sua identidade

Grande parte da transformação passa pelo trabalho de Thomas Tuchel.

Desde que assumiu a seleção inglesa, o treinador alemão tem insistido na importância da organização tática e da consistência durante os 90 minutos. Mesmo quando os resultados ainda geravam dúvidas, como no empate contra Gana pela fase de grupos, o técnico manteve seu discurso e seguiu apostando no mesmo modelo de jogo.

Nas oitavas de final diante da República Democrática do Congo, a persistência foi recompensada com dois gols de Harry Kane no segundo tempo.

Contra o México, a equipe mostrou outra faceta do trabalho.

Após a pausa para hidratação da etapa final, Tuchel reorganizou completamente o sistema defensivo. A Inglaterra baixou suas linhas, fechou os espaços entre os setores e passou a administrar a vantagem com inteligência.

Os mexicanos tiveram posse de bola e tentaram pressionar, mas encontraram poucas oportunidades claras para empatar.

O momento de maior tensão aconteceu quando John Stones afastou uma bola muito próxima da própria linha de fundo, cedendo escanteio em um lance que acelerou os batimentos cardíacos dos torcedores ingleses. Fora isso, a defesa controlou o restante da partida com bastante eficiência.

Bellingham resume uma classificação inesquecível

Após o apito final, Jude Bellingham não escondeu a emoção ao comentar a classificação.

O meia afirmou que aquela provavelmente havia sido uma das maiores vitórias da Inglaterra nos últimos anos e também o momento mais importante de sua trajetória com a seleção. Para ele, foi uma partida impossível de descrever, marcada por gols, pênaltis, expulsão e muita tensão do início ao fim.

Curiosamente, o próprio Bellingham resumiu o confronto com uma palavra que durante décadas foi sinônimo de fracasso para a Inglaterra: caos.

Desta vez, porém, o caos não derrubou os ingleses.

Pela primeira vez em muito tempo, a seleção mostrou que sabe sofrer, defender e controlar partidas extremamente complicadas. Se ainda é cedo para afirmar que o troféu realmente está voltando para casa, a atuação no Azteca deixou claro que esta Inglaterra possui algo que tantas gerações anteriores nunca conseguiram encontrar: maturidade para vencer justamente quando tudo parece estar dando errado.

Foto: Charlotte Wilson/Getty Images