Thomas Tuchel Inglaterra
Futebol Copa do Mundo

Pausa para hidratação salvou a Inglaterra? Entenda a virada sobre a RD Congo

Quando aconteceu a primeira pausa para hidratação no duelo entre Inglaterra e República Democrática do Congo pelas oitavas da Copa do Mundo, as vaias apareceram nas arquibancadas.

Parte da reação dos torcedores era direcionada a um dos temas mais debatidos do torneio até aqui: as interrupções obrigatórias durante as partidas. Outra parte, porém, parecia refletir o que estava sendo visto dentro de campo.

A Inglaterra fazia um jogo abaixo do esperado, perdia desde os primeiros minutos e dava sinais de que poderia caminhar para uma eliminação inesperada.

Só que, no fim das contas, justamente um dos elementos mais criticados da competição pode ter ajudado a mudar o roteiro da partida.

Com dois gols de Harry Kane nos 15 minutos finais, os ingleses venceram por 2 a 1, avançaram às oitavas de final e agora terão o México pela frente.

Mas a reação levantou uma pergunta: as pausas para hidratação tiveram influência direta na virada?

Tuchel aproveitou as interrupções para reorganizar a Inglaterra

A Inglaterra sofreu o primeiro gol logo aos sete minutos e encontrava enormes dificuldades para construir jogadas.

Sem conseguir acelerar o jogo ou criar situações claras, o time parecia desconectado dentro de campo.

Foi nesse cenário que surgiu a primeira pausa para hidratação.

Thomas Tuchel aproveitou imediatamente o momento. O treinador reuniu os jogadores ao redor e passou orientações de forma intensa, tentando reorganizar posicionamentos e ajustar o comportamento coletivo.

Durante a transmissão, o ex-atacante inglês Alan Shearer chamou atenção justamente para esse detalhe.

Segundo ele, o momento chegou na hora certa para a Inglaterra, que ainda não tinha apresentado uma atuação consistente até então.

Shearer destacou que o time estava lento, cometendo muitos erros e deixando espaços excessivos.

Números mostram mudança da Inglaterra após as pausas

Os dados da partida ajudam a explicar por que as interrupções passaram a ser tema de discussão depois do apito final.

Antes da primeira pausa, a Inglaterra não havia finalizado nenhuma vez e sequer tinha conseguido tocar na bola dentro da área adversária.

Depois da interrupção, o cenário mudou.

Até o intervalo, os ingleses registraram oito finalizações e 20 ações dentro da área.

No segundo tempo aconteceu algo parecido.

Antes da segunda parada para hidratação, a equipe tinha apenas duas finalizações e sete toques na área.

Após o retorno ao jogo, o volume ofensivo aumentou novamente.

Foram seis finalizações e 13 ações dentro da área até o fim da partida — justamente o período em que Harry Kane marcou os dois gols da virada.

Nas imagens da transmissão, Tuchel apareceu novamente reunindo o elenco, gesticulando bastante e passando instruções enquanto os atletas ouviam e respondiam positivamente.

Tuchel admite que não gosta das pausas, mas viu oportunidade

Mesmo reconhecendo que utilizou bem os momentos de parada, Tuchel deixou claro que não é um defensor do modelo.

Segundo o treinador, ele prefere partidas com fluxo contínuo e acredita que o futebol perde parte do ritmo natural quando sofre tantas interrupções.

Ainda assim, entendeu que seria um erro desperdiçar uma ferramenta disponível.

“Eu aproveito ao máximo. Vocês sabem que eu realmente não gosto delas”, afirmou.

Tuchel explicou que gosta mais quando os times precisam resolver os problemas durante o andamento natural da partida.

Mas também reconheceu que, já que as pausas existem, faz sentido tentar tirar vantagem delas.

O treinador elogiou a postura dos jogadores durante os momentos de conversa.

Segundo ele, o grupo estava tranquilo, receptivo e concentrado nas orientações.

Ele também comentou que, em alguns jogos, esses intervalos acabam virando momentos caóticos, com muitas vozes tentando orientar ao mesmo tempo.

Contra a RD Congo, porém, o cenário teria sido diferente.

Inglaterra aumentou pressão e encontrou espaços no fim

Depois da segunda pausa, a Inglaterra passou a empurrar mais jogadores para frente.

O time começou a encontrar mais espaços pelos lados do campo e aumentou a velocidade das ações ofensivas.

Ao mesmo tempo, a seleção congolesa dava sinais de desgaste físico.

O atacante Eberechi Eze comentou que, em determinados momentos, essas interrupções realmente ajudam a respirar e reorganizar ideias.

Segundo ele, desta vez a Inglaterra acabou sendo beneficiada pelo contexto, mas destacou que isso faz parte do jogo.

A utilização das pausas pela seleção inglesa também chamou atenção do presidente da FIFA, Gianni Infantino.

Ele afirmou que, depois de inícios intensos nos dois tempos, a Inglaterra soube aproveitar os intervalos para se reorganizar e ganhar força ofensiva antes de marcar duas vezes no fim.

Infantino ainda destacou que as pausas têm o objetivo de dar recuperação aos atletas durante o torneio e também abrir espaço para orientações dos treinadores.

Torcedores seguem divididos sobre as pausas para hidratação

Apesar da visão positiva de técnicos e dirigentes, muitos torcedores continuam desconfortáveis com o formato.

Uma das principais críticas é que as interrupções acabam deixando o futebol mais comercial, já que parte das transmissões aproveita o momento para inserir publicidade.

Também existem questionamentos sobre pausas acontecerem mesmo em jogos com temperaturas mais controladas ou em estádios climatizados.

Ainda assim, antes do torneio, a FIFA definiu que elas aconteceriam em todas as partidas para manter um padrão.

Entre os torcedores ingleses presentes em Atlanta, as opiniões ficaram divididas.

Alguns acreditam que a virada teve muito mais relação com a reação emocional da equipe do que com qualquer ajuste tático.

Outros entendem que as pausas realmente alteram o ritmo dos confrontos e podem mudar completamente o cenário de uma partida.

Também houve quem defendesse totalmente o formato.

Para esse grupo, as pausas ajudam todas as equipes e oferecem aos treinadores uma oportunidade extra para mudar o rumo dos jogos.

No caso da Inglaterra, pelo menos desta vez, o resultado final parece indicar que elas fizeram diferença.

Foto: Getty Images