Bellingham - Inglaterra na Copa do Mundo
Futebol Copa do Mundo

Inglaterra trava diante de Gana e expõe questão importante para Tuchel na Copa do Mundo

A Inglaterra empatou com Gana por 0 a 0 na segunda rodada da Copa do Mundo. O resultado certamente pode ser considerado uma surpresa. Afinal, os ingleses chegaram ao confronto embalados pela vitória por 4 a 2 sobre a Croácia e apareciam como favoritos naturais diante da seleção africana.

No entanto, o empate talvez não deva ser analisado apenas pelo placar. A Inglaterra não fez uma atuação desastrosa, não foi dominada e também não perdeu o controle da partida. Na verdade, boa parte do que vimos contra a Croácia apareceu novamente em campo. A diferença é que, desta vez, do outro lado existia uma equipe preparada para impedir que esse plano funcionasse.

A partida acabou servindo muito mais para mostrar os limites que qualquer sistema pode encontrar na Copa do Mundo do que para gerar grande preocupação entre os ingleses. Afinal, a Inglaterra encontrou uma seleção que soube exatamente como dificultar suas principais armas.

Inglaterra encontrou em Gana uma adversário capaz de travar seu plano de jogo

A Inglaterra de Thomas Tuchel já deixou claro que tenta construir seus ataques de uma forma bastante específica. A equipe gosta de trocar passes desde a defesa, atrair os adversários para pressionar e, a partir disso, acelerar os ataques aproveitando os espaços deixados pelo rival.

Neste cenário, o artilheiro Harry Kane costuma recuar para participar da construção das jogadas, enquanto jogadores como Jude Bellingham, Anthony Gordon e Noni Madueke procuram atacar os espaços que surgem quando a marcação adversária avança. Contra a Croácia, na estreia da Copa do Mundo, essa ideia funcionou muito bem. Os croatas decidiram pressionar a saída de bola inglesa e acabaram oferecendo exatamente o cenário que favorece o sistema de Tuchel. Com mais espaço para acelerar as jogadas, a Inglaterra encontrou caminhos para atacar e construiu uma vitória convincente por 4 a 2.

O grande problema para os inglês é que contra Gana, na segunda rodada do torneio da FIFA, o contexto foi completamente diferente. A seleção africana praticamente recusou esse tipo de confronto. Em vez de adiantar suas linhas para pressionar, a equipe comandada por Carlos Queiroz permaneceu organizada atrás da linha da bola durante boa parte da partida.

A estratégia era simples. Se a Inglaterra precisava que o adversário avançasse para abrir espaços, Gana decidiu não avançar. Com isso, os ingleses tiveram posse de bola, circularam o jogo e controlaram territorialmente a partida, mas encontraram muito menos espaço para atacar. Além disso, os ganeses também conseguiram reduzir a influência de alguns jogadores importantes na construção inglesa. Harry Kane teve menos liberdade para participar do jogo, enquanto Elliot Anderson também encontrou dificuldades para receber a bola nas zonas onde normalmente ajuda a equipe a acelerar os ataques.

O resultado foi uma Inglaterra menos perigosa, mesmo sem necessariamente jogar muito pior do que havia jogado na estreia. Essa talvez seja a principal diferença entre as duas partidas. Contra a Croácia, o sistema encontrou o cenário perfeito para funcionar. Enquanto isso, contra Gana, o time inglês encontrou praticamente o cenário mais complicado possível.

Inglaterra tentou alternativas, mas saiu de campo com uma dúvida importante

Durante a partida contra Gana, Tuchel percebeu que a estratégia habitual não estava funcionando da mesma forma e tentou encontrar soluções. A Inglaterra passou a inverter mais o jogo entre os lados do campo, procurou acelerar algumas jogadas pelos corredores laterais e também apostou mais em cruzamentos para a área.

Em determinados momentos, a equipe até conseguiu criar situações interessantes dessa maneira. O problema é que Gana continuou respondendo bem. Os laterais africanos fizeram uma partida segura, os espaços continuaram reduzidos e os ingleses não conseguiram transformar o domínio territorial em volume real de oportunidades. E é justamente aqui que surge uma questão importante para o restante da Copa do Mundo.

O que acontece quando o plano principal da Inglaterra encontra um adversário preparado para neutralizá-lo?

Não se trata de afirmar que a seleção inglesa é limitada ou previsível. Pelo contrário. Estamos falando de uma das equipes mais fortes do torneio e de um elenco repleto de talento. Porém, o empate levanta uma discussão legítima.

Devemos lembrar que em competições como a Copa do Mundo, é comum encontrar adversários que priorizam a organização defensiva acima de tudo. Se outras seleções decidirem seguir o caminho escolhido por Gana, a Inglaterra precisará mostrar que consegue vencer jogos de maneiras diferentes. Talvez essa seja a principal reflexão deixada pela partida.

O empate não é motivo para pânico. A Inglaterra continua forte e segue sendo uma das candidatas a fazer uma campanha importante na Copa do Mundo. Mas o confronto contra Gana mostrou que existem contextos capazes de reduzir bastante o impacto do modelo de jogo construído por Tuchel. E, em um torneio onde cada detalhe pode decidir uma classificação, encontrar respostas para esse tipo de desafio pode ser tão importante quanto executar bem o plano principal.

No fim das contas, a Inglaterra saiu de campo sem vencer, mas também com uma lição valiosa. Se quiser ir longe na Copa do Mundo, talvez a seleção de Tuchel precise provar que possui mais de um caminho para chegar às vitórias.

Créditos da foto de capa: Getty Images Sport.