Mehdi Taremi, Irã, Copa do Mundo 2026. Foto: Reprodução/Dirk Waem via DPA International
Futebol Copa do Mundo

Irã cai na Copa em desfecho cruel e vê conflitos políticos pesarem durante o Mundial

O Irã desembarcou na Copa do Mundo carregando um peso que ia muito além do futebol. Enquanto a seleção buscava concentrar suas atenções exclusivamente no torneio, o país vivia um conflito diplomático e militar com dois dos coanfitriões da competição, Estados Unidos e Israel.

Dentro de campo, os jogadores tentaram blindar o elenco do cenário político. Fora dele, porém, as consequências da guerra acompanharam a delegação durante toda a competição. Ao fim da fase de grupos, a despedida do Mundial veio de forma dolorosa — e cercada por um sentimento de frustração.

Uma eliminação definida por detalhes

Shoja Khalilzadeh, Irã, Copa do Mundo. Foto: Stu Forster/Getty Images
Shoja Khalilzadeh, Irã, Copa do Mundo. Foto: Stu Forster/Getty Images

 

O destino do Irã não dependia apenas de seu desempenho. Após empatar os três jogos da fase de grupos e terminar com três pontos, a seleção precisava torcer por um vencedor no duelo entre Áustria e Argélia para seguir viva como uma das melhores terceiras colocadas.

Durante boa parte da partida, esse cenário parecia possível. No entanto, o empate por 3 a 3 acabou decretando a eliminação iraniana.

Riyad Mahrez colocou a Argélia em vantagem já nos acréscimos, resultado que classificaria o Irã. Mas, praticamente no lance seguinte, Sasa Kalajdzzic saiu do banco e marcou o gol que garantiu o empate austríaco. O resultado levou a Argélia à sexta colocação entre os terceiros colocados e empurrou os iranianos para fora da zona de classificação.

O desfecho aumentou ainda mais a sensação de oportunidade desperdiçada. Na rodada anterior, o Irã esteve a centímetros de vencer o Egito. Shoja Khalilzadeh chegou a balançar as redes nos acréscimos, em um lance que poderia entrar para a história do futebol iraniano, mas o gol foi anulado após revisão do VAR por um impedimento de poucos centímetros.

Após a partida, o técnico Amir Ghalenoei reconheceu a correção da decisão, mas lamentou o desfecho.

“Existem regras e tudo é baseado em tecnologia. Eu aceito isso. Mas fico muito chateado pelo azar que tivemos. Perdemos a classificação por milímetros.”

O treinador ainda resumiu o sentimento da campanha.

“Eu costumava pensar que éramos apenas um time oprimido. Agora vejo que também somos um time muito azarado.”

Guerra, restrições e uma Copa marcada pelos problemas extracampo

Irã, Estados Unidos, Copa do Mundo. Foto: Reprodução/Sports Illustrated
Irã, Estados Unidos, Copa do Mundo. Foto: Reprodução/Sports Illustrated

 

Se dentro das quatro linhas o Irã perdeu a classificação por detalhes, fora delas a seleção enfrentou obstáculos desde antes da estreia.

Por causa das tensões políticas envolvendo Estados Unidos e Israel, a delegação precisou alterar seu planejamento poucos dias antes do início da competição. O centro de treinamentos inicialmente previsto no Arizona foi transferido para o México, obrigando a equipe a conviver com uma logística mais complexa durante toda a fase de grupos.

Além disso, a delegação enfrentou rígidas restrições para entrar e sair do território norte-americano a cada partida. Alguns integrantes da comissão técnica sequer conseguiram obter visto, reduzindo a estrutura de apoio disponível para os jogadores ao longo da competição.

Após o empate com o Egito, o capitão Mehdi Taremi fez um duro desabafo sobre as dificuldades enfrentadas.

“Não temos parte da nossa equipe de logística aqui porque eles não conseguiram visto. Também estamos sem profissionais da recuperação física e de apoio. Falamos sobre isso desde o começo, mas ninguém nos ajudou.”

O atacante foi ainda mais incisivo ao definir a experiência iraniana no Mundial.

“Foi uma Copa do Mundo desastrosa. Um verdadeiro desastre.”

No fim das contas, o Irã deixa a Copa sem derrotas, mas também sem vitórias. Entre gols anulados por centímetros, uma classificação perdida nos acréscimos de outra partida e uma preparação impactada diretamente pelo contexto geopolítico, a campanha iraniana terminou marcada por uma combinação de futebol, azar e circunstâncias que escapavam completamente ao controle da equipe.

Créditos da foto de capa: Reprodução/Dirk Waem via DPA International