O Iraque está novamente perto de fazer história no futebol mundial. A seleção iraquiana venceu os Emirados Árabes Unidos por 2 a 1, nesta última terça-feira (18), em Basra, e garantiu sua vaga na repescagem, a última etapa antes do tão sonhado retorno à Copa do Mundo. A campanha agora entra na reta final, e o torcedor do iraquiano já começa a sentir que, depois de quase quatro décadas, a equipe pode finalmente voltar ao palco que tanto deseja reencontrar.
Um jogo tenso, quente e decidido no fim, exatamente como o Iraque gosta
O duelo entre Iraque e Emirados Árabes foi digno de uma enorme competição por uma oportunidade de pisar na Copa. Desde o início, dava para sentir que ninguém queria abrir mão da vaga, não era nem uma opção para eles que precisavam do triunfo. Para o Iraque, era vencer ou adeus; já no caso dos Emirados, a partida era a última chance de seguir na luta também.
O placar só foi aberto no segundo tempo, quando Caio Lucas, brasileiro naturalizado e figura experiente no futebol do Oriente Médio, marcou logo aos sete minutos. O clima no estádio de Basra quadriplicou de peso, simplesmente se formou uma aura bem melancólica, como se um balde de água fria tivesse caido na cabeça de todos os iraquianos sonhadores.
Mas o Iraque não se acorvadou, não ganhariam nada com essa atitude, e por conta disso, resolveram reagir. Aos 21 minutos, Mohanad Ali empatou a partida, reacendendo o estádio inteiro. A partir dali, o Iraque cresceu, dominou e transformou o jogo em uma avalanche ofensiva. Era o time inteiro empurrando, a torcida vibrando e a sensação de que o gol da virada era apenas questão de tempo.
E ele finalmente veio nos acréscimos, quando o árbitro marcou pênalti. O momento parecia de filme: tensão absoluta, jogadores abraçados, torcida de mãos na cabeça. Amir Al-Ammari assumiu a responsabilidade, bateu com categoria e virou a partida. O Iraque venceu por 2 a 1 e manteve viva a caminhada rumo ao Mundial de 2026.
Quase 40 anos longe da Copa e o Iraque quer mudar essa história
A última vez que o Iraque disputou uma Copa do Mundo foi em 1986, no México. Desde então, o futebol iraquiano viveu mudanças, crises, reinícios, novas gerações e muitos sonhos interrompidos. Mesmo com todas essas questões, a paixão continua enorme, e talvez isso explique por que a classificação para a repescagem gerou tanta comoção no país.
Mesmo que seja difícil, pelo fato de existirem times fortíssimos na mesma briga, a esperança é a última que morre. Ir para a Copa em 2026, organizada em Canadá, Estados Unidos e México, significaria não só um marco esportivo, mas também um símbolo de união e superação para o Iraque. Não à toa, a vitória sobre os Emirados Árabes foi celebrada como um passo gigantesco dentro e fora de campo.
Agora o inimigo é outro
Para garantir sua vaga na Copa do Mundo de 2026, o Iraque terá pela frente o sempre imprevisível playoff global, disputado entre 26 e 31 de março do próximo ano. Essa etapa reúne seleções de diferentes continentes em confrontos eliminatórios diretos, e o Iraque dividirá espaço com adversários de perfis completamente distintos.
Os rivais já confirmados incluem a Bolívia, representante sul-americana conhecida pelo jogo físico e pela força na altitude (algo que eles não poderão ter); a República Democrática do Congo, que carrega o estilo intenso e atlético típico do futebol africano; e a Nova Caledônia, da Oceania, que aposta em organização e disciplina tática. Além deles, duas seleções da Concacaf completarão o grupo, países que normalmente oferecem muita velocidade, transições rápidas e imprevisibilidade. É um cenário que exige preparação total, já que cada adversário representa um tipo diferente de desafio.
Esse ambiente, multicultural e cheio de contrastes, torna a repescagem uma verdadeira montanha-russa, interessantíssima para quem acompanha de fora, não para quem está dentro. Mas se existe uma seleção que já mostrou ser capaz de enfrentar adversidade e pressão com coragem, essa seleção é o Iraque. E a equipe entra nessa fase acreditando plenamente que a vaga é possível.
Por que o Iraque tem chances reais de chegar ao Mundial?
A resposta passa por vários fatores. Primeiro, o Iraque chega embalado emocionalmente, com o apoio de sua torcida, e a enorme injeção de motivação dentro do grupo. A vitória contra os Emirados Árabes, conquistada na marra e com personalidade, mostrou que o time está amadurecido. Além disso, a seleção mistura jogadores jovens com atletas experientes que atuam em ligas competitivas da Ásia e da Europa. Nomes como Mohanad Ali e Amir Al-Ammari têm assumido protagonismo e crescido nos grandes jogos.
Outro ponto importante é que essa curta competição não tem nenhum grande “bicho-papão”, mas todos os nomes precisam ser respeitados. Os confrontos são equilibrados e totalmente abertos. Em muitos cenários, o Iraque entra em campo em igualdade, ou até superior em termos de nível tático e colectivo.
O significado de uma classificação do Iraque para a Copa de 2026
Para o torcedor do Iraque, voltar a uma Copa após quase 40 anos seria mais do que uma conquista esportiva. Seria uma celebração nacional. Seria o reconhecimento de que, mesmo em meio a dificuldades, o futebol iraquiano segue vivo, pulsante e apaixonado. A Copa de 2026 tem tudo para ser a maior da história, com 48 seleções, três países-sede e um espetáculo global sem precedentes. E pensar no Iraque presente nesse palco já enche de orgulho quem acompanha a trajetória da equipe.
A campanha da seleção até aqui não foi perfeita, mas foi valente. Agora resta a repescagem, o último passo. Difícil, claro. Mas o Iraque já provou que não teme desafios. Se continuar com esse espírito, essa garra e essa conexão com a torcida, ninguém deve se surpreender se a história de 1986 finalmente ganhar seu capítulo mais esperado.
Foto: Fadel SENNA / AFP