Isack Hadjar inicia sua primeira temporada como companheiro de equipe de Max Verstappen em um momento-chave para a Red Bull Racing. Depois de anos convivendo com um segundo carro incapaz de acompanhar o nível do time, a equipe decidiu apostar novamente num talento em ascensão.
O desempenho decepcionante dos segundos pilotos ao longo de 2025 escancarou um problema que já vinha se arrastando desde a reta final da passagem de Sergio Pérez: a Red Bull precisava de alguém capaz de sustentar ritmo, evolução e competitividade ao lado de seu tetracampeão.
O último ano foi particularmente simbólico nesse sentido. Liam Lawson e Yuki Tsunoda, que alternaram oportunidades e responsabilidades no ecossistema da Red Bull, não conseguiram dar o salto esperado. Lawson sofreu com inconsistência e erros sob pressão, enquanto Tsunoda, por sua vez, apesar da experiência maior, voltou a apresentar limitações claras de regularidade, tomada de decisão e leitura de corrida.
Nenhum dos dois, Lawson com muito pouco tempo de chances, conseguiu se impor como uma solução real para o segundo carro da equipe principal, o que reforçou a necessidade de um novo nome.
Enquanto isso, longe dos holofotes da equipe principal, Isack Hadjar construía silenciosamente uma das temporadas mais impressionantes de 2025. Correndo pela Racing Bulls, o francês não apenas correspondeu às expectativas, como foi além.
Hadjar terminou o ano como o melhor novato da temporada, conquistou um pódio na Holanda e combinou velocidade pura, agressividade controlada e uma maturidade incomum para um piloto em início de carreira na Fórmula 1.
Seu desempenho consistente, especialmente em classificações e stints longos de corrida, chamou a atenção da cúpula da Red Bull e o credenciou naturalmente ao posto de segundo piloto para 2026.

Isack Hadjar tem um teto altíssimo de evolução
É importante estabelecer desde já uma perspectiva realista. Hadjar chega à Red Bull obviamente abaixo de Max Verstappen. E isso não é uma crítica, é um retrato da realidade da Fórmula 1 atual. Verstappen é o pilar técnico da equipe, um tetracampeão no auge, com um estilo de pilotagem moldado ao DNA do carro. Superá-lo ou sequer igualá-lo imediatamente não é uma expectativa plausível para nenhum piloto jovem. O que diferencia Hadjar de seus antecessores, porém, é o seu potencial de crescimento.
Hadjar não chega como um piloto “pronto”, cheio de vícios difíceis de corrigir. Ele chega em plena curva ascendente. Sua temporada de 2025 mostrou exatamente isso: evolução constante ao longo do ano, capacidade de aprender com erros, adaptação rápida a diferentes condições de corrida e, sobretudo, resiliência mental. Características que faltaram tanto a Lawson quanto a Tsunoda quando tiveram chances mais concretas de assumir maiores responsabilidades.
A Red Bull não busca alguém para tirar o protagonismo de Verstappen no curto prazo. O que a equipe precisa, e Hadjar parece capaz de oferecer, é de um segundo piloto competitivo, próximo o suficiente para não comprometer estratégias e para transformar o segundo carro em um aliado real na luta por títulos. Se Hadjar conseguir manter na Red Bull o nível que apresentou na Racing Bulls, já representará um salto enorme em relação ao que o time viveu recentemente.
O aspecto mais animador, no entanto, é olhar para o médio e longo prazo. Hadjar tem um teto altíssimo. Com quilometragem, confiança e convivência direta com Verstappen, é natural imaginar um cenário em que ele se aproxime cada vez mais do ritmo do companheiro. Não como um rival imediato, mas como alguém que começa a pressionar em classificações, dividir estratégias e elevar o nível interno da equipe.
Esse tipo de dinâmica já se mostrou extremamente saudável em outras equipes. O exemplo mais claro é o da Mercedes com George Russell e Lewis Hamilton. Russell chegou claramente abaixo de um heptacampeão histórico, mas com enorme potencial. Com o tempo, amadureceu, ganhou confiança e passou a desafiar Hamilton de forma legítima em diversas situações. A equipe saiu fortalecida, e o ambiente competitivo se manteve em alto nível.
Isack Hadjar pode seguir um caminho semelhante. Se a Red Bull souber equilibrar cobrança e paciência, algo que nem sempre fez no passado (Alô Helmut Marko!), pode estar diante não apenas da solução para o problema do segundo carro, mas da construção de um futuro sólido. Hadjar conquistou sua vaga não por falta de opções, mas porque foi o melhor novato de 2025, entregou resultados concretos e mostrou que está pronto para dar o próximo passo.
Mesmo abaixo de Verstappen hoje, Hadjar representa algo que a Red Bull precisava recuperar: esperança, evolução e perspectiva. E, em um esporte movido por ciclos, isso pode ser o início de uma nova e interessante fase dentro da equipe.
(Imagem de capa: Getty Images)