Os amantes do MMA foram surpreendidos nas últimas horas com a notícia de que Jailton Malhadinho foi demitido do UFC. A informação, inicialmente divulgada pelo jornalista Laerte Viana, foi confirmada pelo site MMA Junkie nesta quinta-feira (12). O espanto tem relação direta com a trajetória construída pelo brasileiro dentro da maior organização de artes marciais mistas do mundo. Desde que estreou no Ultimate, em 2022, Malhadinho acumulou oito vitórias e três derrotas, números expressivos sobretudo na divisão dos pesos-pesados. Atualmente, ele ocupa a oitava colocação no ranking da categoria, o que torna a decisão ainda mais impactante.
A saída de Malhadinho, no entanto, não pode ser analisada apenas sob a ótica fria dos números. A decisão do UFC passa pela postura do baiano nas lutas, pelas críticas públicas feitas por Dana White e pela repercussão negativa nas redes sociais. Soma-se a isso a possibilidade de o atleta, caso descesse para o meio-pesado e conquistasse protagonismo, se tornasse um campeão dominante, porém pouco atrativo ao grande público — um cenário que a organização claramente busca evitar em um momento em que o espetáculo e a vendagem de eventos são prioridades estratégicas.
Malhadinho: estilo eficiente, mas pouco empolgante
Malhadinho já não era visto com os melhores olhos pela organização, principalmente por causa de seu estilo de luta. O brasileiro construiu sua carreira como um grappler pesado, extremamente eficiente no chão. Das 22 vitórias no cartel profissional, 21 vieram pela via rápida, sendo 13 por finalização. Trata-se de um índice impressionante, que evidencia domínio técnico e capacidade de definir combates sem depender da decisão dos juízes. Ainda assim, o que para muitos é virtude, para o UFC passou a ser problema.
Apesar da eficiência, Malhadinho nunca entregou na trocação. Sua estratégia, quase invariavelmente, era buscar a queda o mais rápido possível e controlar o adversário no solo, trabalhando por posições dominantes até encontrar a finalização. Em um esporte que cada vez mais valoriza lutadores completos e combates eletrizantes em pé, o estilo do brasileiro passou a ser alvo de críticas. Parte do público considerava suas lutas monótonas, especialmente quando ele encontrava dificuldades para finalizar rapidamente.
O estilo de Malhadinho rendeu comentários negativos até de Daniel Cormier, um dos nomes mais respeitados da história do MMA e atualmente comentarista do UFC. Em outubro do ano passado, Cormier chegou a dizer para Tom Aspinall, atual detentor do cinturão dos pesados, que o brasileiro “não sabia lutar”. A declaração, ainda que polêmica, ecoou entre fãs e analistas e ajudou a consolidar a narrativa de que Malhadinho seria unidimensional demais para se tornar o rosto da categoria.
As críticas públicas de Dana White
Se já havia ruído nos bastidores, ele se tornou ensurdecedor após o UFC 321, realizado no fim do ano passado. Na ocasião, Malhadinho foi derrotado por Alexander Volkov por decisão unânime dos juízes. Apático durante a luta, o baiano de 34 anos não conseguiu impor seu jogo e pouco produziu ofensivamente. Além das críticas nas redes sociais, veio o golpe mais duro: a reprovação pública do próprio CEO do UFC.
“Você não pode ganhar uma luta ficando apenas deitado em cima de alguém. Não é assim que funciona. Eu realmente fiquei muito feliz com a forma que os juízes julgaram essa luta”, afirmou Dana White.
“Estou feliz que os juízes deram a vitória para ele (Volkov). Acho que ele mereceu, acho que ele ganhou. Você não pode ganhar uma luta sem fazer nada. Você não pode deitar em cima de alguém e ganhar”.
As declarações deixaram claro que a paciência da organização estava no limite. Após virar meme na internet e sofrer duras críticas, Malhadinho aceitou uma luta de última hora contra o russo Rizvan Kuniev, no último fim de semana. Mais uma vez, evitou a trocação em pé, teve dificuldade para levar o combate ao solo contra um adversário mais pesado e acabou derrotado. Para muitos dentro do UFC, essa foi a gota d’água.
Mudança de categoria e portas fechadas
Após o segundo revés consecutivo, Malhadinho falou publicamente sobre a possibilidade de descer para a divisão dos meio-pesados. A mudança faria sentido do ponto de vista físico, já que seu porte é considerado mais próximo do limite inferior dos pesados. Havia, sim, a chance de Malhadinho se tornar competitivo em uma categoria abaixo e até brigar pelo topo.
Pesou, entretanto, a insatisfação do UFC com seu estilo e postura. Internamente, questionava-se a “fome” do brasileiro e sua capacidade de se reinventar. Embora o retrospecto de Malhadinho no Ultimate seja positivo, os alertas foram dados após a luta contra Volkov e reforçados no duelo contra Kuniev.
O UFC, atualmente, prioriza atletas que entreguem espetáculo e que ajudem a vender eventos. Malhadinho sempre foi eficiente no solo, mas não reunia as características que a organização busca para transformar um lutador em estrela global. A demissão é dura e surpreendente, mas revela que, no Ultimate moderno, vencer pode não ser suficiente — é preciso convencer.
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