Jhon Duran
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Como Jhon Durán passou de “fenômeno” a aposta de risco em apenas uma temporada?

Jhon Durán parecia ter o mundo aos seus pés no início da temporada 2024/25. Jovem, potente, decisivo e dono de um dos chutes mais violentos da Premier League, o colombiano era daqueles jogadores que você nem precisava ver o nome na camisa para reconhecer: muita força envolvida, velocidade e uma pancada absurda. Um ano depois, porém, Durán está prestes a trocar de clube pela terceira vez no mesmo período e sua trajetória começa a parecer menos roteiro de estrela e mais um estudo de caso sobre escolhas apressadas no futebol moderno.

Aos 22 anos, o atacante já movimentou cerca de €100 milhões em transferências. O problema é que, quanto mais dinheiro entrou na equação, mais a carreira saiu do eixo.

O início avassalador no Aston Villa

No começo da última temporada da Premier League, Jhon Durán era impossível de ignorar. Mesmo sem ser titular absoluto do Aston Villa, ele se transformou em uma verdade carta na manga saindo do banco. Foram 12 gols em apenas 1.046 minutos, uma média absurda para qualquer atacante, ainda mais para alguém que raramente começava jogando.

O detalhe é que não eram gols comuns. Durán virou sinônimo de golaços de fora da área, daqueles que viralizam em segundos e fazem os olheiros baterem cabeça por não terem descoberto esse atleta antes dos Villains. Força física, explosão, confiança e zero medo de arriscar. Em pouco tempo, seu nome passou a circular entre clubes gigantes da Europa, sempre acompanhado de cifras pesadas.

Tudo indicava que o próximo passo seria um salto natural: mais minutos, mais responsabilidade e, quem sabe, protagonismo em uma liga ainda maior. No caso, o Chelsea aparecia fortemente para contratá-lo na época, antes de fechar com João Pedro, Liam Delap…

Mas aí veio a primeira curva inesperada.

A escolha pela Arábia Saudita

Em vez de seguir para o futebol europeu de elite, Jhon Durán optou por um acordo de €77 milhões com o Al-Nassr, para atuar ao lado de Cristiano Ronaldo. Financeiramente, irrecusável. Esportivamente, arriscado, ainda mais para um jogador que ainda tinha muita lenha para queimar na Europa, sem contar no fato de ter a necessidade de se provar num degrau acima. E, olhando agora, talvez precipitado.

Desde os primeiros dias na Arábia Saudita, as coisas começaram a dar errado. Surgiram relatos de que o colombiano estaria viajando mais de 600 km por dia para treinar, pois não queria viver no país. A imprensa inglesa chegou a noticiar que ele estaria morando no Bahrein por não poder viver com a companheira, algo oficialmente proibido para residentes não casados.

O Al-Nassr tratou tudo como “fake news”, mas o estrago já estava feito. O ambiente ficou pesado, o rendimento caiu e a adaptação simplesmente não aconteceu.

Poucos meses depois, o jornal Arriyadiyah foi direto: Durán deixaria o clube por “dificuldades pessoais que afetaram seu estado mental e sua estabilidade técnica”. Traduzindo para o futebolês: não encaixou, não rendeu e virou problema.

Turquia, Mourinho e mais turbulência

A saída encontrada foi um empréstimo para o Fenerbahçe, onde Jhon Durán teria a chance de se reencontrar sob o comando de José Mourinho. No papel, parecia uma oportunidade perfeita: clube grande, torcida apaixonada e um treinador conhecido por extrair o máximo de jogadores intensos, trazendo o ponto da obediência e responsabilidade, o português teria o trabalho de fazer esses sentimentos florescerem no atacante.

Na prática, durou pouco.

Durán teve desempenho irregular em Istambul. Em 21 jogos, foi mais advertido com cartões do que comemorou gols, um dado que resume bem seu momento. Além disso, sofreu com lesões e nunca conseguiu impor uma sequência dentro das quatro linhas.

O caos aumentou quando Mourinho foi demitido após o Fenerbahçe não se classificar para a Champions League. O português deu lugar a Domenico Tedesco, e aí a situação desandou de vez. Houve rumores de atritos tanto com Mourinho quanto com Tedesco, sempre negados oficialmente pelo clube, mas o fato é que o empréstimo foi encerrado em 5 de fevereiro. Mais uma passagem curta, mais um ponto de interrogação.

Rússia no horizonte e valor de Jhon Durán em queda

Agora, Jhon Durán está a caminho do Zenit, da Rússia. Inicialmente, um empréstimo, com opção de compra em torno de €35 milhões ao fim da temporada. O valor está alinhado ao seu valor de mercado, baseado no Transfermarkt, estimado em €40 milhões, mas representa uma queda brutal em relação ao investimento feito pelo Al-Nassr meses atrás.

Para o futebol saudita, é mais um exemplo de política inflacionada que não se sustenta. Grandes contratações, pouco retorno esportivo e vendas por valores bem menores. Ainda assim, a Saudi Pro League não parece disposta a pisar no freio e promete nova enxurrada de estrelas no próximo verão.

Para Durán, porém, o cenário é bem mais delicado.

Aos 22 anos, Jhon Durán já viveu mais mudanças do que muitos jogadores em toda a carreira. Aston Villa, Al-Nassr, Fenerbahçe e agora Zenit, tudo isso em pouco mais de um ano. Falta continuidade, estabilidade e, principalmente, um projeto que o coloque no centro, não apenas como aposta financeira.

O talento segue lá, basta saber se nas mesmas condições, porque as lesões começam a surgir de acordo com o foco do profissional. O chute potente não desapareceu. A questão é mental, contextual e estratégica. Se não encontrar um ambiente que o proteja e o desenvolva, Durán corre o risco de virar aquele jogador lembrado mais pelo valor investido do que pelo impacto em campo.

O futebol está cheio desses casos. E ninguém imaginava que o colombiano, com toda aquela explosão na Premier League, entraria tão cedo nessa lista. Ainda há tempo para mudar o rumo. Mas o relógio, para um atacante de €100 milhões que ainda não se firmou em lugar nenhum, já começou a fazer barulho.

Foto: Getty Images