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Joe Rogan vê “novo Fedor” fora do UFC e peso-pesado da PFL começa a assustar o MMA

Joe Rogan já viu praticamente de tudo dentro do MMA. O comentarista acompanhou eras históricas, narrou nocautes absurdos, viu lendas nascerem e também testemunhou a decadência de divisões inteiras. Por isso, quando ele para um podcast para praticamente dizer “esse cara é diferente”, o mundo das lutas presta atenção.

E o nome da vez é Sergey Bilostenniy.

O peso-pesado russo da PFL talvez ainda não seja tão conhecido pelo público casual, mas vem rapidamente ganhando espaço entre fãs mais atentos do MMA. E depois do nocaute brutal sobre Renan Ferreira, ex-desafiante de Francis Ngannou, até Joe Rogan entrou oficialmente no hype train.

“Aquele cara é legítimo”, disse Rogan. “Ele contra qualquer um seria interessante.”

A divisão dos gigantes já viveu dias muito melhores

Durante muitos anos, os pesos-pesados eram praticamente o coração do MMA mundial. Era a categoria das maiores estrelas, dos nocautes mais absurdos e das figuras mais intimidadoras do esporte.

Stipe Miocic, Cain Velasquez, Fabricio Werdum, Brock Lesnar, Junior Cigano, Daniel Cormier… parecia impossível a divisão perder relevância. Mas o tempo passou.

Miocic praticamente desapareceu depois da derrota para Francis Ngannou em 2021. Werdum se aposentou. Cain Velasquez ficou afastado por problemas legais e lesões. Brock Lesnar voltou completamente para o entretenimento da WWE.

E o UFC, sinceramente, também ajudou pouco na renovação da categoria.

Jon Jones segue afastado tentando retornar após lesão, enquanto Tom Aspinall basicamente carrega a divisão nas costas defendendo um cinturão interino que parece existir eternamente.

Existe talento? Sim.

Mas falta profundidade. Falta novidade. Falta aquele sentimento de “esse cara pode virar um monstro histórico”. E é justamente aí que Bilostenniy começa a chamar atenção.

O nocaute em Renan Ferreira colocou Bilostenniy no radar

Bilostenniy chegou ao PFL Sioux Falls sem tanto barulho fora do nicho hardcore do MMA. Saiu do evento sendo tratado como uma possível ameaça real no peso-pesado mundial.

O russo apagou Renan Ferreira com uma direita violentíssima e, mais importante do que o nocaute em si, foi a forma como controlou a luta desde o começo.

Joe Rogan ficou impressionado imediatamente.

“Eu assisti à luta contra o Ferreira e pensei: caramba”, comentou o narrador do UFC.

E vale lembrar: Renan Ferreira não é qualquer nome perdido na divisão. O brasileiro já dividiu o cage com Francis Ngannou, em uma das lutas mais midiáticas da história recente da PFL.

Claro, Renan acabou derrotado rapidamente pelo camaronês, mas ainda era visto como um dos atletas mais perigosos fora do UFC por conta do tamanho, explosão física e poder de nocaute.

Bilostenniy simplesmente passou por ele. Sem drama. Sem sustos. Sem parecer intimidado.

Joe Rogan não exagerou quanto a comparação com Fedor

Talvez o trecho mais interessante da fala de Rogan tenha sido justamente a comparação com Fedor Emelianenko.

“Ele se move como o Fedor”, disse Rogan.

E isso não é uma comparação pequena. Estamos falando do homem que muita gente considera o maior peso-pesado da história do MMA. Fedor virou lenda por uma combinação raríssima: velocidade absurda para um peso-pesado, calma sob pressão, mãos extremamente rápidas e capacidade de encerrar lutas de maneira brutal sem parecer desesperado.

Bilostenniy lembra um pouco disso.

Ele não é aquele peso-pesado moderno travado, lento e dependente apenas de potência. Existe fluidez nos movimentos, explosão curta, leitura de distância e principalmente velocidade nas mãos.

E existe outro detalhe importantíssimo: Bilostenniy treina justamente na Red Devil Sport Club, academia liderada pelo próprio Fedor. Ou seja, a influência não é coincidência.

O MMA precisa desesperadamente de novos pesos-pesados

Joe Rogan também falou algo que resume perfeitamente a situação atual do MMA:

“O mundo precisa de outro grande peso-pesado.”

Historicamente, os pesos-pesados sempre foram o setor mais popular do esporte. Mesmo quem não acompanha MMA regularmente para para assistir quando dois gigantes entram no cage.

O problema é que a categoria passou anos vivendo muito mais de nomes antigos do que de renovação real.

Francis Ngannou saiu do UFC. Jon Jones luta pouco. Miocic praticamente desapareceu. E vários nomes da nova geração simplesmente não conseguiram criar consistência.

Tom Aspinall parece ser a grande exceção. Agora Bilostenniy começa a entrar nessa conversa.

Com 15 vitórias em 19 lutas e cinco triunfos nas últimas seis aparições entre Bellator e PFL, o russo vem construindo uma trajetória extremamente sólida. Sua única derrota recente foi para Valentin Moldavsky, outro nome forte da divisão e ex-campeão interino do Bellator.

A PFL talvez tenha encontrado sua próxima estrela

Existe também um fator importante aqui: a PFL precisava muito disso.

A organização apostou pesado em Francis Ngannou para ganhar relevância mundial, mas ainda busca criar novos rostos capazes de sustentar a divisão dos pesos-pesados no longo prazo. Bilostenniy pode ser exatamente esse cara.

Principalmente porque ele carrega algo raro atualmente: aura. Você bate o olho e sente que existe perigo real ali.

Não parece um lutador construído artificialmente pelo marketing. Parece aquele tipo de atleta que pode entrar no cage contra qualquer pessoa do mundo e gerar curiosidade imediata.

O UFC deveria prestar atenção

Talvez a maior ironia dessa história seja justamente o fato de Joe Rogan, principal voz do UFC há décadas, estar ajudando a promover um peso-pesado que luta fora da organização. Mas isso também mostra algo importante: talento legítimo ultrapassa rivalidade entre empresas.

Quando Rogan fala que Bilostenniy “pode competir com qualquer um”, isso inclui nomes do UFC. E sinceramente? Depois da performance contra Renan Ferreira, fica difícil discordar.

O MMA pode finalmente estar vendo o nascimento de mais um peso-pesado realmente assustador. E convenhamos: fazia tempo que a divisão precisava disso.

Foto: Louis Grasse/PxImages