Futebol

Passo à frente! José Mourinho treinará seu maior clube desde 2018

José Mourinho está de volta ao lugar onde tudo começou. Mais de duas décadas após sua breve e conturbada passagem pelo comando técnico do Benfica, o “Special One” retorna ao Estádio da Luz em um momento que, à primeira vista, parece de decadência em sua carreira.

Para muitos, o retorno a Portugal seria o passo atrás definitivo, a confissão de que o técnico mais vitorioso da história recente do futebol europeu perdeu espaço entre a elite. Mas essa leitura é apressada, simplista e, acima de tudo, errada. Mourinho voltar ao Benfica não é um recuo, é uma reconstrução. Um passo à frente que pode marcar o renascimento de sua trajetória como treinador.

Desde sua saída do Manchester United, em 2018, Mourinho passou por três clubes: Tottenham, Roma e Fenerbahçe. Em todos eles, encontrou limitações estruturais, orçamentárias e até culturais para desenvolver um trabalho ao nível de suas ambições. Mesmo assim, venceu a primeira edição da UEFA Europa Conference League em 2022, com a Roma, e chegou à final da Liga Europa no ano seguinte.

José Mourinho comemora o último título de sua carreira, a Conference League de 2022 pela Roma
José Mourinho comemora o último título de sua carreira, a Conference League de 2022 pela Roma (Imagem: Getty Images)

Isso não é pouco, mas tampouco é o suficiente para um técnico que já conquistou a Champions League com dois clubes diferentes e venceu títulos nacionais em quatro grandes ligas europeias. O ’Special One’, para muitos, apresenta sinais de decadência.

É aí que o Benfica entra como oportunidade e não como refúgio. Mourinho estará no comando do clube mais vencedor da história do futebol português, com uma base sólida, um elenco competitivo e presença constante nas competições europeias.

Volta para o Benfica é a melhor cartada de José Mourinho nos últimos anos

Ao contrário do que se diz, o Benfica é o maior clube que Mourinho comandará desde sua saída do United. Tottenham, Roma e Fenerbahçe têm suas histórias e relevância, mas não possuem a mesma combinação de tradição, pressão por títulos e identidade coletiva que o clube lisboeta oferece.

Além disso, existem os fatores emocional e estratégico. Mourinho volta a Lisboa não apenas para treinar, mas para liderar um projeto. O Benfica é o tipo de clube que, com um treinador carismático e experiente no comando, pode dar o salto que lhe falta há anos: voltar a brigar com seriedade por títulos relevantes.

O time já mostrou que pode ser competitivo na UEFA Champions League, chegando às quartas de final em 2022 e 2023. Agora, com Mourinho no banco, ganha uma figura que entende de jogos grandes, sabe vencer mata-matas e domina os bastidores das grandes partidas europeias como poucos.

No cenário doméstico, o Benfica entra em qualquer competição como favorito e Mourinho é mestre em lidar com esse tipo de pressão. Em Portugal, terá a chance de reconquistar títulos com mais frequência, algo que pode restabelecer sua confiança e imagem.

A liga portuguesa pode não ter o mesmo nível das grandes da Europa, mas é altamente exigente em termos de resultados. Para Mourinho, que construiu sua reputação sobre a obsessão pela vitória, trata-se de um ambiente propício para voltar a ser o protagonista.

Outro ponto importante: o retorno a Portugal é também um retorno às raízes. Mourinho volta a viver e trabalhar em sua terra natal, próximo da família, em um ambiente onde tem total domínio da língua, da cultura e das expectativas. Isso não é irrelevante.

Treinadores, como qualquer outro tipo de profissionais, rendem mais quando estão emocionalmente equilibrados. Se há um lugar onde Mourinho pode se reencontrar como treinador e como figura pública, esse lugar é o Benfica.

Claro, o sucesso não está garantido. O futebol mudou desde quando Mourinho era o centro do universo tático e midiático. Mas ele também mudou e mostrou nos últimos anos que ainda tem cartas na manga.

Na Roma, montou uma equipe competitiva com poucos recursos. No Fenerbahçe, começou a gerar expectativa e movimentação de mercado apenas com sua chegada. Agora, no Benfica, encontrará um elenco com jovens promissores, uma base consolidada e ambições claras.

Se for campeão nacional, fizer boas campanhas na Champions League, e devolver ao Benfica a aura europeia que o clube busca há décadas, Mourinho retornará ao centro do debate. Deverá ser cortejado novamente. Voltará a ser temido.

Voltar para casa, às vezes, é o passo mais ousado que alguém pode dar. No caso de Mourinho, pode ser também o mais inteligente. O “Special One” pode ter caído, mas com o Benfica, tem tudo para se levantar. E quando José Mourinho se levanta, o futebol presta atenção.

(Imagem de capa: Reuters)