Joseph Kropschot
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Joseph Kropschot revela como um “sequestro” dos pais mudou sua vida e o colocou no caminho do UFC

Joseph Kropschot jamais imaginou que uma madrugada aparentemente comum seria o ponto de partida para uma história que, anos depois, o levaria às portas do UFC. O peso-meio-médio revelou que sua vida mudou completamente após um “sequestro” organizado pelos próprios pais, uma medida extrema para tentar conter os problemas de comportamento que acumulava na adolescência. O episódio, que mais parece roteiro de filme, acabou transformando um jovem rebelde em um atleta profissional de MMA.

Em entrevista ao MMA Junkie, Kropschot relembrou detalhes da experiência, que envolveu quase um ano longe de casa, programas disciplinares rigorosos no estado de Utah e uma convivência intensa com adolescentes envolvidos em crimes muito mais graves do que os seus. Embora hoje reconheça que toda essa trajetória o fortaleceu mentalmente, ele faz questão de deixar claro que não recomenda o tipo de tratamento ao qual foi submetido, principalmente pelo histórico trágico das instituições por onde passou.

Joseph Kropschot acordou acreditando que estava sendo sequestrado

A história começa durante a madrugada, quando Joseph Kropschot ouviu um barulho dentro de casa. Ainda sonolento, pensou que não fosse nada importante e tentou voltar a dormir. Poucos segundos depois, dois homens enormes entraram em seu quarto e mudaram completamente o rumo de sua vida.

Sem entender o que estava acontecendo, o adolescente reagiu da única forma que conhecia: tentou lutar. A resistência, porém, durou pouco. Ele foi algemado, imobilizado e retirado de casa contra a própria vontade. Durante o trajeto, ainda tentou cuspir nos homens, mas teve a camisa puxada sobre a cabeça para impedir qualquer reação.

Só mais tarde descobriu que toda aquela operação havia sido organizada pelos próprios pais. Na época, Kropschot acumulava problemas de comportamento, brigava constantemente nas ruas, faltava às aulas e preocupava cada vez mais a família, que enxergou naquela medida extrema uma última tentativa de mudar seu futuro.

Utah virou o destino inesperado do futuro lutador

Quando chegou ao aeroporto, Joseph Kropschot acreditou que participaria apenas de algum programa de conscientização semelhante ao famoso “Scared Straight”, em que jovens passam um curto período convivendo com criminosos para refletirem sobre seus atos. Ele imaginou que bastaria prometer bom comportamento para voltar rapidamente para casa.

A realidade foi completamente diferente. O adolescente foi enviado para Utah, onde permaneceu por aproximadamente 11 meses. Nos três primeiros meses viveu em um programa de sobrevivência em áreas selvagens. Depois, foi transferido para um internato disciplinar voltado para jovens considerados problemáticos. A mudança de rotina foi radical e representou um choque de realidade para alguém acostumado a desafiar regras diariamente.

Sobrevivência fazia parte da rotina

Na primeira etapa do programa, Joseph Kropschot praticamente viveu isolado da sociedade. Segundo o próprio lutador, tudo o que possuía cabia dentro de uma mochila. As refeições eram extremamente simples: feijão desidratado com arroz durante a noite e granola com aveia logo pela manhã.

O restante do dia era ocupado por caminhadas longas, montagem de acampamentos e atividades de sobrevivência. A rotina se repetia diariamente durante três meses, obrigando os adolescentes a aprenderem disciplina em condições bastante adversas. Para um garoto que vivia envolvido em confusões, foi uma experiência completamente diferente de tudo o que já havia enfrentado.

O segundo programa foi ainda mais pesado

Se o acampamento já era difícil, o internato disciplinar elevou o nível da experiência. Joseph Kropschot passou a conviver com cerca de cem adolescentes envolvidos em situações muito mais graves do que as suas. Enquanto ele havia chegado ao programa por causa de brigas, indisciplina escolar e comportamento rebelde, vários colegas respondiam por invasões de residências, furtos de veículos e outros crimes.

Segundo o futuro atleta do UFC, foi nesse ambiente que ele desenvolveu boa parte da resistência mental que carrega até hoje. Aprender a conviver com aquelas pessoas e entender como funcionava a dinâmica do local tornou-se praticamente uma questão de sobrevivência. Apesar das dificuldades, ele afirma que aquela convivência o tornou muito mais forte psicologicamente.

Joseph Kropschot faz um importante alerta

Apesar de reconhecer que a experiência contribuiu para moldar sua personalidade, Joseph Kropschot evita dizer que o programa foi um sucesso. Muito pelo contrário. Segundo ele, o fato de sua vida ter tomado um rumo positivo aconteceu muito mais por sua capacidade de adaptação do que pelos métodos utilizados pelas instituições.

As duas unidades onde esteve acabaram sendo fechadas anos depois. De acordo com o lutador, o segundo programa encerrou suas atividades após a morte de diversos adolescentes. Já o acampamento em que passou os primeiros meses também foi desativado posteriormente em meio a críticas e investigações sobre suas práticas. Utah ficou conhecida durante muitos anos por possuir regras mais flexíveis para esse tipo de instituição, o que permitiu o funcionamento de programas bastante controversos.

A lembrança mais dolorosa continua viva

Talvez o momento mais impactante do relato seja quando Joseph Kropschot fala sobre seus antigos colegas. Dos oito adolescentes que dividiam o dormitório com ele durante o internato, apenas dois continuam vivos atualmente. Segundo o lutador, os outros seis morreram vítimas de overdose ou cometeram suicídio.

O dado ajuda a explicar por que Kropschot faz questão de não romantizar o próprio passado. Embora reconheça que toda aquela experiência tenha fortalecido sua mente, ele entende que a maioria dos jovens não conseguiu encontrar uma saída semelhante. Para ele, seu caso representa uma exceção, e não a regra.

O MMA mudou completamente sua trajetória

Depois de deixar Utah, Joseph Kropschot encontrou nos esportes de combate uma forma de canalizar toda a agressividade que antes era direcionada para brigas nas ruas. O que antes era motivo de problemas passou a ser utilizado de maneira disciplinada dentro das academias, onde descobriu um talento que mudaria sua vida.

Com o passar dos anos, ele construiu carreira no MMA, tornou-se um dos nomes promissores da modalidade e passou a sonhar com espaço definitivo no UFC. A própria experiência vivida na adolescência, segundo ele, ajudou a desenvolver a resistência mental necessária para enfrentar a pressão do esporte de alto rendimento, algo que considera um diferencial dentro do octógono.

Joseph Kropschot transformou um passado turbulento em combustível

Joseph Kropschot poderia resumir sua trajetória dizendo apenas que superou uma adolescência complicada, mas sua história mostra que o caminho foi muito mais complexo do que isso. O atleta jamais esquecerá a madrugada em que acordou acreditando estar sendo sequestrado, tampouco os meses vivendo em condições extremas ao lado de adolescentes marcados por problemas muito mais profundos do que os seus.

Hoje, às portas do UFC, ele enxerga aquele período como um divisor de águas. Ao mesmo tempo em que reconhece a importância da experiência para sua formação, também faz um alerta sobre os riscos de métodos tão radicais. No fim das contas, Joseph Kropschot conseguiu transformar um passado caótico em combustível para perseguir o sonho de lutar na maior organização de MMA do mundo, mas sabe que, infelizmente, a maioria das pessoas que cruzou seu caminho naquela época não teve a mesma oportunidade.