Os playoffs NBA de 2025 marcaram a coroação da importância de Josh Hart para o New York Knicks. Conhecido por sua energia contagiante e versatilidade, Josh Hart foi muito mais do que um coadjuvante em quadra – foi o motor do time nas fases decisivas. Sua sintonia tática com o esquema de Tom Thibodeau e sua presença emocional no vestiário catapultaram os Knicks até as finais de conferência, algo inédito em 25 anos.
Em particular, no jogo 6 contra o Boston Celtics, Josh Hart protagonizou uma atuação épica: anotou 10 pontos, pegou 11 rebotes e distribuiu 11 assistências – um triplo-duplo histórico que selou a vitória por 119-81 e eliminou o então campeão defensor. Foram os primeiros números de triplo-duplo dos Knicks em playoffs desde Walt Frazier em 1972, quebrando um jejum de mais de meio século.
Atuação decisiva no jogo 6 contra Boston
Na manhã seguinte ao confronto arrasador em Boston, repercutiu entre os torcedores e especialistas como a noite em que Josh Hart brilhou mais que nunca. Em apenas 33 minutos em quadra, Hart somou 10 pontos, 11 rebotes e 11 assistências. Apesar de não ter sido o cestinha do jogo – função que coube a Jalen Brunson (23 pontos) e Mikal Bridges (22) – a contribuição de Hart foi crucial em todos os fundamentos: ele dominou os rebotes (incluindo 8 defensivos), distribuiu passes essenciais e ainda converteu lances livres com perfeição (6 em 6 na partida).
Esse desempenho multifacetado foi vital para a avalanche de viradas e contra-ataques dos Knicks. No segundo quarto, por exemplo, Josh Hart aplicou um and-1 que ampliou a vantagem para 49-27, colocando o jogo praticamente fora de alcance. Já no início do terceiro período, sua atuação incansável manteve os titulares motivados enquanto os reservas aproveitavam para “vitaminar” ainda mais a liderança.
Quando Joe Mazzulla, técnico dos Celtics, passou a poupar seus titulares diante do placar adverso, Hart nem diminuiu o ritmo. Sua posse de bola, ao modo “draymondiano”, recortava defesas, atraía a atenção dupla e gerava espaços para os companheiros.
O impacto concreto dos números fica claro: a vitória por 38 pontos (119-81) foi a maior vantagem de New York em pós-temporada na era do cronômetro de 24 segundos. Josh Hart terminou com saldo de +24 – um dos mais altos do elenco – pois esteve em quadra em momentos cruciais de energia máxima.
Seu triplo-duplo no Jogo 6 foi comemorado até por estatísticos: ele quebrou o recorde do time ao alcançar um desempenho tão completo no mata-mata. O resultado significou avanço às finais de conferência pela primeira vez desde 2000, uma façanha construída “de baixo pra cima”, em grande parte, pelo exemplo de Hart.
Contribuições táticas e ofensivas
Josh Hart ilustra no perímetro um jogador completo. Na temporada 2024-25, ele teve médias regulares de cerca de 13,6 pontos, 9,6 rebotes e 5,9 assistências por jogo, já figurando entre os principais reboteiros da liga. Mesmo com apenas 1,93m, terminou o campeonato entre os 15 melhores nesse quesito da NBA, prova de seu senso de posicionamento e empenho nos garrafões.
No ataque, Josh Hart cumpre várias funções. Ele muitas vezes age como conector ofensivo entre meio e perímetro: após o pivô cortar para a cesta, Hart recebe na cabeça do garrafão e pode tanto atacar o aro quanto passar para alas livres. Seu papel lembra o de um ala passador, capaz de ler a defesa adversária.
Outra arma de Josh Hart é o arremesso de três pontos. No geral da temporada ele converteu 31% das tentativas externas, mas nos playoffs houve evolução. Este ano, Hart dedicou treinos extras durante pausa nas finais de conferência para corrigir a mecânica de seu chute de três, e nos mata-matas já apresentou confiança em bolas abertas certeira. Contra o Celtics, embora tenha tentado poucos tiros longos, ele anotou o único chute de 3 pontos que arriscou no Jogo 6 – apenas mais uma prova de que sabe carregar fogo, quando exigido.
Garra defensiva e intensidade incansável
Se no ataque Hart é “bom pra todo lado”, na defesa sua entrega é obsessiva. Ele é aquele tipo de jogador sempre pronto para colocar o corpo: mergulha em bolas soltas, mergulha em cruzamentos de quadra para receber passes, e até toma cotoveladas – como a que rompeu sua arcada orbital no jogo 5 contra Boston – sem hesitar nem sair do lance.
Thibodeau frequentemente elogia a garra de Hart, que corre de um lado a outro trocando marcações entre alas pesados e armadores rápidos. Em quadra, Hart ainda se destaca em defesas coletivas: é um dos principais reboteiros defensivos do time, contribuindo na transição, e chega a roubar e desviar bolas com regularidade.
Taticamente, Hart é usado para “fechar” o perímetro adversário em momentos críticos. No quinteto titular, costuma marcar o ala mais móvel do time rival. Contra o Celtics, mesmo sem Tatum, ele ajudou a marcar Jaylen Brown em diversas posses – e ainda assim, sob sua marcação, Brown teve noites complicadas. Adicionalmente, quando a defesa armada do Knicks precisou armar “coberturas”, ele topou a bronca em role de ajuda, indo até o garrafão para dobrar pivôs rivais ou fechar espaços de penetração.
E não foi só no Jogo 6: ao longo de todos os playoffs, Hart manteve a média de quase 9 rebotes e 4,9 assistências por partida. Isso significa que em quase metade de seus minutos ele ajudava o time a manter a posse de bola e a recuperar a segunda chance – atributos inestimáveis em séries de pós-temporada.
Liderança emocional e exemplo de garra
Além dos números, Josh Hart se destaca pelo contágio emocional que imprime na equipe. Nos vestiários do Madison Square Garden ou fora, ele é reconhecido como o “atlético de Villanova que chega chegando” – sempre com energia de sobra. Treinadores o descrevem como um verdadeiro tampo de pressão positiva no grupo: se o time está apático, Hart toma a frente para gritar instruções, ajeitar defesas e puxar o ritmo.
Ele mesmo admitiu que às vezes sai para jogar “com raiva” justamente para acender o time, buscando qualquer forma de inspirá-lo. Em entrevistas pós-jogo e flashes nos vestiários, sempre foi ele quem levanta o discurso da vitória difícil, lembrando companheiros de cada detalhe tático e moral. Essa voz ativa faz o time nunca perder o foco – algo raro num elenco relativamente jovem.
Não à toa, seus companheiros dão crédito a Hart como referência de atitude. Mikal Bridges, OG Anunoby e companhia costumam mencionar que a intensidade de Hart em treinos e jogos puxa todo mundo pra cima. Os abnegados lances de Hart (tomadas de rebote embaixo do aro, corridas para cobrir um espaço, bloqueios de contra-ataque em potencial) servem de exemplo prático: eles provam que a hora é agora, e que ninguém ali está acima do esforço defensivo.
Em muitos momentos chave da temporada, foi ele quem chamou timeout para ajeitar marcações ou comemorou um lance coletivo com os joelhos flexionados e mãos no ar, transmitindo confiança aos novatos.
Essa liderança se reflete também fora das quadras. Há relatos de que Hart costuma chamar atletas para conversar, ajustando mentalidades e cobrando comprometimento extra – postura que o técnico Thibodeau valoriza mesmo quando Hart às vezes atravessa os limites. O próprio fato de Hart ter feito um triplo-duplo decisivo – o primeiro do Knicks em 54 anos – gerou um efeito de moral instantâneo: o time viu que, com essa alma aguerrida, qualquer problema pode ser superado. Em entrevistas pós-jogo, os jogadores do Knicks agradeciam Hart como “o cara que ninguém quer enfrentar na hora da batalha”.
Em resumo, Josh Hart condensou em 2025 exatamente o perfil cobiçado nos playoffs: um jogador que aceita todas as missões, do disparo ofensivo inesperado à defesa ferrenha, do corte certeiro à palavra forte no vestiário. Com estatísticas sólidas (média nos playoffs de 13,2 pontos, 8,5 rebotes e 5,2 assistências por jogo) ele provou ser consistente, mas sua maior vitória foi manter o padrão de intensidade a cada minuto. Os Knicks, enfim, avançaram e colocaram rumo ao título parte da sua alma: aquela mesma alma de jogador raçudo e confiante que Hart exibe em cada partida.
Créditos foto capa: reprodução X @joshhart