Justin Gaethje
Lutas UFC

Justin Gaethje desmente Cormier e retoma polêmica sobre remuneração no UFC

Justin Gaethje enfrentará Paddy Pimblett pelo título interino dos leves no UFC neste sábado (24), em Los Angeles. Às vésperas do UFC 324, o norte-americano de 37 anos voltou a ocupar o centro do noticiário não apenas pelo desafio esportivo, mas por reacender uma discussão antiga e sensível: a remuneração dos atletas no Ultimate. Em tom crítico e direto, Justin Gaethje desmentiu publicamente uma declaração de Daniel Cormier e colocou em xeque o discurso otimista sobre os ganhos dos lutadores na nova fase da organização.

O UFC 324 não é um evento qualquer. Ele marca oficialmente a estreia da era Paramount+, plataforma que assinou um acordo de US$ 7,7 bilhões com o Ultimate por sete anos. O contrato redefine a distribuição do produto nos Estados Unidos e simboliza o fim do modelo tradicional de pay-per-view, no qual os fãs compravam pacotes individuais para assistir às lutas. Por anos, esse sistema foi vendido como uma das principais formas de os grandes nomes do card aumentarem seus ganhos, já que atletas do evento principal recebiam uma porcentagem das vendas.

Com a mudança, a promessa implícita era de estabilidade financeira e, possivelmente, de um novo modelo de pagamento que compensasse o fim da participação direta nos pacotes vendidos. No entanto, Justin Gaethje deixou claro que, ao menos para ele, essa expectativa não se concretizou.

Justin Gaethje frustrado com início da era Paramount+

Durante o media day do UFC 324, Justin Gaethje foi questionado sobre a fala recente de Daniel Cormier, ex-campeão do UFC e atual comentarista da organização. Cormier havia afirmado que os atletas passariam a receber mais com a chegada da Paramount+, sugerindo que o novo acordo de transmissão beneficiaria diretamente os lutadores escalados para o card.

A resposta de Justin Gaethje foi imediata e contundente. “Ter 14 bônus e não chegar a US$ 1 milhão não está certo. Ouvi Daniel Cormier dizer que todos receberão mais neste card. Eu não vou receber um dólar a mais do que receberia se este acordo não tivesse acontecido”, afirmou o lutador, ex-campeão interino da categoria. A fala viralizou rapidamente e colocou o UFC em uma posição desconfortável.

Ao desmentir Cormier, Justin Gaethje não apenas questionou a narrativa oficial, como também expôs uma ferida antiga do MMA. Diferentemente da NBA, da NFL e de outras grandes ligas esportivas norte-americanas, que dividem a receita dos contratos de transmissão com seus atletas, o UFC mantém 100% do dinheiro arrecadado junto aos parceiros de mídia. Não há, portanto, um modelo de repartição coletiva que garanta aumentos automáticos conforme os contratos crescem.

Nesse contexto, o acordo bilionário com a Paramount+ reforça o debate: se a organização nunca faturou tanto, por que os principais atletas seguem reclamando de estagnação salarial? Para Justin Gaethje, a resposta está clara. O novo contrato beneficia a empresa, mas não altera, de forma significativa, o bolso de quem entra no octógono.

A polêmica ganha ainda mais peso por partir de um nome consolidado. Justin Gaethje é um dos atletas mais populares da divisão dos leves, conhecido por lutas violentas, bônus frequentes e alto poder de atração junto ao público. Ainda assim, ele afirma que nem mesmo esse perfil garante uma remuneração compatível com o risco e o retorno financeiro gerado.

Caso Justin Gaethje esteja correto, o debate sobre salários no UFC está longe de terminar. Mais do que isso, a organização pode continuar perdendo atletas de elite para outras modalidades, especialmente o boxe, onde as bolsas e a autonomia contratual costumam ser maiores. Resta observar, agora, se outros lutadores seguirão o exemplo de Justin Gaethje e adotarão um discurso mais crítico ao serem questionados sobre o tema — ou se o silêncio continuará sendo a regra em meio a um dos contratos mais lucrativos da história do esporte.

Foto: Icon Sport