Openda comemora o gol marcado. O camisa 20 foi autor do segundo tento da Juventus contra a Roma. Foto: Divulgação / Juventus
Futebol Serie A

A Juventus voltou? Vitória diante da Roma exibe a mudança de mentalidade

A vitória da Juventus sobre a Roma levou alívio e entusiasmo ao torcedor bianconero no último sábado (20). Os gols de Francisco Conceição e Loïs Openda garantiram mais três pontos para o time de Luciano Spalletti, que vem mostrando os primeiros passos em um processo de reconstrução da autoestima e da mentalidade competitiva da equipe. A euforia tomou conta do ambiente, e as vozes que anunciam que a Velha Senhora “está de volta” voltaram a ecoar. Mas a pergunta permanece: a Juventus realmente voltou?

Os números sustentam o otimismo moderado. São seis vitórias nas últimas sete partidas entre Serie A e Champions League — um recorte relevante, ainda que acompanhado por atuações irregulares e jogos decididos nos detalhes. Desse modo, evidencia-se que o progresso existe, mas não é linear.

Depois do duelo contra o Bologna, a cobrança era clara: a Juve precisava provar que havia encontrado um rumo. Mais do que vencer, precisava demonstrar continuidade, alinhar mentalidade e proposta de jogo a um objetivo concreto. Na busca pela regularidade, o Bologna foi o primeiro teste, e a Roma, o segundo — e a Juventus passou nos dois, apesar dos pesares.

Vitória sem brilho, mas com leitura de jogo

Wesley e Zhegrova disputam por espaço. Foto: Divulgação / Juventus.
Wesley e Zhegrova disputam por espaço. Foto: Divulgação / Juventus.

 

Não foi uma grande exibição diante da Roma. O primeiro tempo foi travado, muito em função do encaixe defensivo dos Giallorossi, com perseguições individuais bem executadas — Mancini praticamente anulou Yildiz durante toda a etapa inicial.

Ainda assim, a Juventus mostrou maturidade competitiva. Com leitura de jogo, paciência e determinação, encontrou o caminho para a vitória. Abriu o placar com Conceição, criou oportunidades para ampliar e chegou ao segundo gol com Openda — ainda que em um lance de sorte. Só que a diferença esteve no que veio depois.

A Roma reagiu e logo descontou em um tento que nasceu de um erro grave de Zhegrova. O jogador kosovar esteve em contraste com a boa atuação de Openda e, sobretudo, com o importante retorno de Bremer — fundamental na organização defensiva.

Em outros momentos recentes, o gol sofrido poderia ter desorganizado a Juventus emocionalmente. O filme era conhecido: insegurança, recuo excessivo, perda de controle do jogo e espaço para a reação adversária. Porém, diante da Roma, o drama foi evitado e o filme foi queimado. Mesmo sob pressão, a equipe manteve o plano, seguiu jogando e buscou o terceiro gol. Um comportamento que sinaliza algo diferente — e que vai além da tática.

Mais do que esquema, uma mudança de postura da Juventus

Openda comemora o gol marcado. O camisa 20 foi autor do segundo tento da Juventus contra a Roma. Foto: Divulgação / Juventus
Openda comemora o gol marcado. O camisa 20 foi autor do segundo tento da Juventus contra a Roma. Foto: Divulgação / Juventus

As palavras de Luciano Spalletti ajudam a traduzir o momento. Mesmo correndo riscos, a Juventus não se refugiou no medo de perder. Este foi o ponto chave: o mental mostrou se inabalado, algo que não precisou de uma mudança técnica ou estrutural.

“Foi bonito ver os jogadores seguirem em frente e buscarem o terceiro gol, em vez de apenas defender a vantagem mínima. Eu não gosto de equipes que só se defendem e aparecem de vez em quando.”

Ainda com cautela, mas com sinais claros

Tudo isso, evidentemente, ainda precisa de confirmação. Por isso, ao dizer que “a Juve voltou”, o ponto de interrogação segue indispensável. Mas os próximos compromissos, com um calendário teoricamente mais favorável, oferecerão respostas mais definitivas.

Se a Juventus conseguirá transformar esses sinais em regularidade, só o tempo dirá. Contra a Roma, ao menos, ficou claro que algo começou a mudar — e, desta vez, não foi apenas o placar.

Créditos pela foto de capa: Divulgação / Juventus FC