A relação entre Juventus e Fiorentina é com certeza, uma das mais intensas e polêmicas do futebol italiano, podendo dizer que a Velha Senhora não costuma se sair bem nesses negócios. Rivalidade não falta, mas quando o assunto é mercado, os dois clubes sabem conversar como se fossem velhos conhecidos ou, dependendo do ponto de vista dos torcedores, como se um fosse o caixa eletrônico do outro. Nos últimos 25 anos, mais de €220 milhões saíram de Turim rumo a Florença, abastecendo os cofres viola com algumas das vendas mais caras da sua história.
Não por acaso, quatro das cinco maiores transações da Fiorentina envolveram exatamente a Juventus: Vlahovic, Chiesa, Bernardeschi e Nico González. É praticamente uma rota tradicional, uma espécie de “corredor violeta” que leva jogadores diretamente ao Allianz Stadium, dava para considerar algo semelhante com o Bayern de Munique e os outros clubes da Alemanha, se assistisse alguém se destacar, era quase certeza que se tornaria um bávaro na temporada seguinte.
Juventus e alguns dos seus negócios com a Fiorentina
O caso mais explosivo e recente dos últimos anos foi Dusan Vlahovic, artilheiro de 70 milhões de euros (mais bônus) que trocou a Fiorentina, enquanto vivia seu pleno auge para vestir a camisa da Juventus. De uma hora pra outra, se tornou a principal estrela da Velha Senhora, mas hoje, está longe de ter uma boa reputação em Turim. O sérvio virou o centro do ataque bianconero por um tempo, mesmo com contrato se aproximando do fim em 2026.
Antes dele, Federico Chiesa já havia movimentado Florença. Ídolo da torcida, criado no clube, protagonista… e autor de uma saída que doeu nos corações viola. A Juventus como sempre, não mediu esforços para desembolsar cerca de €50 milhões em uma operação parcelada. O ponta brilhou logo de cara, virou campeão da Europa com a Itália, sofreu com lesões e, depois de altos e baixos, acabou vendido ao Liverpool por uma mixaria…
Outro destaque foi Federico Bernardeschi, negociado por aproximadamente €40 milhões. Um dos produtos mais talentosos da base violeta, ele chegou à Juventus com status de craque em formação e viveu anos de altos e baixos, mas colecionando troféus importantes. Parece que é uma movimentação esperada, ver o jogador se dar bem em algumas partidas, só que iminentemente, a queda de rendimento ocorre.
Por fim, Nico González. A Juventus conseguiu tirá-lo da Fiorentina com um empréstimo pago e obrigação de compra, mas o argentino não engrenou em Turim: 40 jogos, 5 gols e pouco impacto. Após um ano discreto, foi repassado ao Atlético de Madrid, e na Espanha, parece ter se identificado muito mais do que seu pouco tempo biancoceri.
Outros nomes que reforçaram a Juventus direto da Fiorentina
Além das grandes cifras, a história de mercado entre os dois rivais também inclui nomes menos badalados, mas que ajudam a contar como a Juventus e a Fiorentina desenvolveram um fluxo constante de negociações, e é impressionante a vontade da Velha Senhora de continuar negociando, mesmo que os resultados não entreguem pontos positivos desta relação.
O primeiro da lista foi Emiliano Moretti, que chegou à Juventus após a queda violeta para a Serie B, mas encontrou pouco espaço e saiu rapidamente. Depois veio Valeri Bojinov, atacante precoce que passou por Turim durante a temporada da Juve na Serie B, deixando alguns gols, mas sem continuidade, fez o que tinha de fazer, mas sem identificação alguma com a Velha Senhora.
Outro caso marcante é o de Felipe Melo, contratado por cerca de €25 milhões após ótima temporada em Florença. Ele até começou bem em Turim, mas sua trajetória na Juventus foi marcada por irregularidade, sempre se portou como um jogador muito explosivo e agressivo, acobertando suas qualidades dentro das quatro linhas, o que culminou na sua saída ao Galatasaray.
O goleiro Neto também fez o trajeto, deixando a Fiorentina para assumir a reserva de Buffon. Mesmo sem ser protagonista na Serie A, brilhou como titular na Coppa Italia, vencendo dois títulos antes de partir para o Valencia, pode-se dizer como um dos pontos positivos desta relação, apesar de se pegar o total, é prejuízo presente nas mãos da Juventus, e dos grandes.
E claro, há Giorgio Chiellini, um capítulo à parte. O defensor já pertencia à Juventus, mas usou seu ano emprestado à Fiorentina como rampa de lançamento para uma das carreiras mais vitoriosas da história bianconera, aí que entramos num exímio assunto, um ídolo incontestável da Velha Senhora, que também vestiu violeta por um tempo.
Por fim, Fabrizio Miccoli protagonizou uma espécie de “vai e volta”, jogando bem em Florença, retornando para a Juventus por força contratual e sendo revendido logo na sequência ao Benfica.
E o caminho contrário?
Se para a Fiorentina vender para a Juventus é quase sempre sinônimo de caixa cheio, o movimento inverso é bem menos custoso. Nos últimos anos, passaram de Turim para Florença jogadores como Moise Kean, comprado por apenas €13 milhões mais bônus, além de Fagioli, Nicolussi Caviglia, Arthur, Mandragora, Mutu, Balzaretti, Amauri e vários outros nomes que completam uma lista extensa.
Somando tudo, a Fiorentina gastou pouco mais de €70 milhões nesses 25 anos, menos de um terço do que a Juventus pagou no mesmo período. Então, dá para começar a considerar que o presidente da Viola sabe algum segredo obscuro dos cabeças da diretoria da Velha Senhora, esse seria um dos pontos para ver sentido neste cenário todo.
Juventus e Fiorentina: rivalidade, dinheiro e futuro
A rivalidade continua acesa, e cada negociação reacende debates, protestos e até quebra de relações entre torcidas. Mas a verdade é que, goste ou não, a Fiorentina lucra e muito, quando a Juventus aparece para negociar. O histórico mostra um padrão: quando os bianconeri querem alguém de Florença, eles pagam caro.
E com a Juventus em constante reconstrução, especialmente após a saída de peças importantes e a busca por novos protagonistas, ninguém se surpreenderia se o “corredor violeta” fosse usado novamente em breve. Se o futebol italiano tem uma relação financeira intensa, essa dupla certamente está no topo.
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