Bellingham Kane Inglaterra
Copa do Mundo

Kane e Bellingham carregam 90% dos gols e formam a dupla que sustenta o sonho da Inglaterra na Copa

A Inglaterra está nas quartas de final da Copa do Mundo depois de sobreviver a uma noite de enorme pressão contra o México. Em meio ao caos do Estádio Azteca, dois jogadores voltaram a aparecer quando a seleção mais precisou.

Harry Kane e Jude Bellingham não são apenas os principais nomes do time de Thomas Tuchel. Os números mostram que a campanha inglesa está diretamente ligada ao impacto de uma parceria que já marcou 10 dos 11 gols da equipe no torneio.

Kane e Bellingham participam de 90,9% dos gols da Inglaterra

Bellingham
(Photo by Manuel Velasquez – FIFA/FIFA via Getty Images)

A vitória por 3 a 2 sobre o México mostrou mais uma vez o tamanho da influência da dupla.

Bellingham abriu o placar e, menos de dois minutos depois, voltou a marcar após receber uma assistência de Kane. A sequência rápida de gols silenciou o Estádio Azteca e colocou a Inglaterra em uma posição que parecia confortável.

A partida mudou depois.

Com a expulsão de Jarell Quansah, o México cresceu, a pressão aumentou e a vantagem inglesa passou a ser ameaçada. Foi nesse momento que Kane apareceu. O capitão cobrou um pênalti com tranquilidade e marcou o gol que terminou como o da classificação.

A atuação dos dois não foi um caso isolado.

Kane chegou aos seis gols na Copa do Mundo, enquanto Bellingham soma quatro. Dos 11 gols marcados pela Inglaterra, 10 saíram dos pés da dupla. O único jogador além deles que conseguiu balançar as redes foi Marcus Rashford, que saiu do banco e marcou na vitória por 4 a 2 sobre a Croácia na estreia.

A concentração ofensiva chega a impressionantes 90,9%.

Nenhuma seleção ainda viva na Copa depende tanto dos gols de seus dois principais artilheiros.

A França aparece na segunda posição. Kylian Mbappé, com sete gols, e Ousmane Dembélé, com quatro, marcaram 11 dos 14 gols franceses, uma participação de 78,6%.

Na Argentina, os dois maiores goleadores são responsáveis por 72,7% dos gols. Na Noruega, próxima adversária da Inglaterra, o índice chega a 66,7%. Depois aparecem Colômbia, com 60%, Espanha e Suíça, ambas com 55,6%.

A diferença inglesa é enorme.

A dependência também aparece em outros dados. Kane é responsável por 34,6% dos gols esperados da Inglaterra, enquanto Bellingham acrescenta outros 20,3%. Juntos, os dois concentram 54,9% de todo o xG produzido pela seleção.

Mais da metade da ameaça ofensiva inglesa passa diretamente por eles.

Kane também realizou 23,8% de todas as finalizações da equipe e 31,3% dos chutes no alvo. Bellingham foi responsável por outros 28,1% das finalizações certas.

Somados, os dois concentram 59,4% dos chutes ingleses que realmente acertaram a direção do gol.

A história mostra os riscos de depender de apenas dois jogadores

Inglaterra vira sobre RD Congo na Copa do Mundo - Harry Kane
Foto: Steph Chambers/FIFA/Getty Images

A Inglaterra já viveu situações parecidas em grandes competições.

Na Copa do Mundo de 1990, Gary Lineker marcou quatro gols e David Platt fez três. A seleção inglesa terminou o torneio com oito gols, o que significa que a dupla foi responsável por 87,5% de toda a produção ofensiva.

A campanha terminou na semifinal, com uma derrota nos pênaltis para a Alemanha.

Seis anos depois, o cenário se repetiu.

Na Eurocopa de 1996, Alan Shearer marcou cinco vezes e Teddy Sheringham fez outros dois gols. Novamente, sete dos oito gols ingleses foram concentrados em apenas dois jogadores.

O resultado final também foi semelhante.

A Inglaterra chegou à semifinal e voltou a ser eliminada nos pênaltis pela Alemanha.

O passado mostra o perigo de uma seleção depender demais de poucas fontes de gols. Se os principais artilheiros forem neutralizados, a equipe pode ter dificuldades para encontrar uma alternativa.

A situação atual, no entanto, possui uma diferença importante.

A Inglaterra não depende de apenas um grande goleador.

A Argentina tem 70% de seus gols marcados por Lionel Messi. Na Noruega, Erling Haaland concentra 63,6% da produção ofensiva. São equipes que possuem uma figura central muito clara.

Com a Inglaterra, a responsabilidade é dividida.

Kane é o centroavante e principal finalizador. Bellingham parte do meio campo, ocupa espaços diferentes e chega ao ataque de outra maneira. Marcar um deles não significa necessariamente retirar a principal ameaça inglesa.

Essa diferença ajuda a explicar por que a parceria é tão perigosa.

O adversário precisa controlar os movimentos de Kane e, ao mesmo tempo, acompanhar as infiltrações de Bellingham. Quando a defesa concentra sua atenção no atacante, o meio campista encontra espaços. Quando os marcadores acompanham Bellingham, Kane pode aproveitar a liberdade.

O gol contra o México criado por um e marcado pelo outro mostrou exatamente como essa relação funciona.

Experiência, liderança e uma conexão que vai além dos gols

Harry Kane, Inglaterra, Copa do Mundo
Foto: Reprodução/FIFA

A parceria entre Kane e Bellingham não se limita às estatísticas ofensivas.

Juntos, os dois somam 172 partidas pela Inglaterra.

A diferença de idade é de quase uma década, mas Bellingham já possui seis anos de experiência internacional. Kane estreou pela seleção há 11 anos e se tornou capitão, artilheiro e uma das maiores referências da história do país.

Os dois também estão acostumados ao ambiente dos maiores clubes do mundo.

Kane defende o Bayern de Munique. Bellingham é uma das estrelas do Real Madrid. Ambos convivem com a pressão por títulos, grandes jogos e cobranças constantes.

Essa experiência levou os dois ao grupo de líderes da seleção.

Kane valoriza a presença de Bellingham nesse núcleo, enquanto o jogador do Real Madrid reconhece o apoio público que sempre recebeu do capitão. A relação aparece no vestiário e também nas comemorações.

Depois de Bellingham marcar contra o México, os dois foram os últimos a deixar a celebração. Enquanto os companheiros já se afastavam, Kane e Bellingham ficaram lado a lado diante dos torcedores ingleses, com os braços abertos, repetindo a comemoração que se tornou uma marca do meio campista.

A imagem ajuda a representar esta campanha.

Dentro de campo, Bellingham utiliza sua capacidade física para atacar espaços e avançar em direção à área. Suas corridas movimentam a defesa e podem abrir caminhos para Kane.

O centroavante também não se limita a esperar a bola.

Kane recua, participa da construção e possui qualidade para criar oportunidades. Contra o México, mostrou isso ao servir Bellingham para um dos gols.

A Inglaterra chegou às quartas de final com uma dependência evidente. Ter 90,9% dos gols concentrados em dois jogadores é um número que pode ser interpretado como força e também como alerta.

Até agora, a força tem falado mais alto.

O próximo desafio será contra a Noruega de Erling Haaland, em Miami. De um lado estará uma seleção que concentra boa parte de seus gols em um dos centroavantes mais devastadores do mundo. Do outro, uma equipe sustentada por uma parceria que já produziu 10 gols.

A Inglaterra ainda precisa provar que possui outras respostas ofensivas caso sua dupla seja neutralizada. Enquanto isso não acontece, Kane e Bellingham continuam fazendo o suficiente para manter o sonho vivo.

A campanha inglesa chegou às quartas com 11 gols marcados.

Dez deles têm as assinaturas dos dois jogadores que, a cada partida, transformam a dependência em uma das maiores forças da Inglaterra nesta Copa do Mundo.

(Foto de capa:Charlotte Wilson/Getty Images)

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Kaique