Três jogos na Premier League, três derrotas. A aventura de Álvaro Arbeloa no futebol inglês definitivamente não começou como o treinador imaginava. A vitória sobre o Wimbledon, da League One, pela Copa da Liga, é o único resultado positivo do espanhol desde que assumiu o Fulham. Na competição doméstica, são nove pontos disputados e nenhum conquistado, com sete gols sofridos e o time somente fora da última posição graças ao saldo de gols superior ao do Coventry.
O 0 de 9 já começa a trazer os primeiros sinais de incômodo em Craven Cottage. Após a dolorosa derrota por 3 a 2 para o Crystal Palace, no último sábado, Arbeloa e seus jogadores ouviram vaias de parte da torcida. E existe uma razão para a frustração ser ainda maior: o Fulham chegou a estar duas vezes na frente do placar, mas acabou permitindo a virada de um adversário que marcou três gols em apenas cinco finalizações no alvo. O resultado, porém, não conta toda a história.
Assim como aconteceu nas rodadas anteriores, o Fulham apresentou números que indicam uma equipe capaz de produzir mais do que os resultados sugerem. Contra o Palace, foram 3,13 de gols esperados (xG), contra 1,97 do adversário. O problema é que, até aqui, essa superioridade estatística não está se transformando em pontos.
É justamente nesse aspecto que Arbeloa se apoia para explicar o início complicado. Depois da derrota, o treinador reconheceu que sua equipe criou o suficiente para vencer, mas voltou a apontar a falta de eficiência nos dois lados do campo.
“Perdemos um jogo que não merecíamos perder. Éramos o melhor time em campo, mas, no futebol, você precisa aproveitar as oportunidades. Eles foram melhores do que nós nisso. Sofremos gols muito fáceis. O Crystal Palace não precisou fazer muito para marcar três gols. Temos que fazer muitas coisas se quisermos marcar um gol.”
Um calendário que não ajuda
Se os primeiros resultados já acenderam uma luz amarela, o calendário antes da próxima pausa internacional não oferece muito espaço para recuperação.
O Fulham terá pela frente uma visita ao Liverpool, de Andoni Iraola, antes de receber o West Ham pela terceira rodada da Copa da Liga. Depois, novamente em Craven Cottage, será a vez de enfrentar o Manchester United pela Premier League.
É uma sequência que pode aumentar rapidamente a pressão sobre Arbeloa, mas o treinador prefere enxergar o cenário por outro ângulo. Em vez de tratar as próximas semanas como uma ameaça, ele reconhece a dificuldade e tenta blindar o grupo.
“São três jogos e três derrotas. E agora você pensa que temos que ir para Anfield, o United vai para Craven Cottage e, além disso, no Carabao temos que enfrentar o West Ham United. Obviamente, não será fácil.”
O discurso é de cautela, mas também de confiança. Arbeloa sabe que o início não é o ideal, mas entende que o projeto não pode ser julgado apenas pelos primeiros resultados.
O resultado precisa aparecer
Por enquanto, ninguém dentro do Fulham parece questionar a permanência de Arbeloa. Pelo menos não publicamente. O treinador assinou um contrato de três anos em julho e recebeu respaldo significativo para construir sua equipe: o clube investiu mais de 100 milhões de libras em sete contratações durante o verão.
Existe, portanto, um projeto por trás dessas primeiras semanas. E também existe uma expectativa proporcional ao investimento.
O problema é que, no futebol, o tempo para construir nem sempre acompanha o tempo necessário para justificar os resultados. As boas atuações podem oferecer argumentos para Arbeloa, mas não serão suficientes indefinidamente se o Fulham continuar acumulando derrotas.
O próprio treinador parece consciente disso. Por enquanto, sua principal preocupação é impedir que o início ruim contamine o ambiente e faça o elenco perder confiança.
“Sabíamos que este mês seria muito difícil, mas eu disse aos meus jogadores que este mês não definiria toda a nossa temporada. Acho que eles estão trabalhando muito. Com essa mentalidade e esse caráter, tenho certeza de que as vitórias virão. Para os jogadores, é uma situação difícil, um momento difícil, mas estou muito orgulhoso deles.”
A questão é justamente quando essas vitórias chegarão. Arbeloa tem o respaldo de um projeto ambicioso, um elenco reforçado e atuações que, em alguns momentos, justificam o otimismo. Mas o Fulham já descobriu que jogar melhor do que o adversário não necessariamente significa vencer.
Depois de três rodadas, o diagnóstico ainda não é de crise. É de alerta. E, diante de Liverpool, West Ham e Manchester United no horizonte, o treinador espanhol terá pouco tempo para transformar boas estatísticas em algo que realmente importa: pontos na tabela.
Créditos da foto de capa: Reprodução/Fulham FC via site oficial



