A Kings League chegou de vez ao Brasil, e já caiu nas graças da galera. A modalidade, criada por Gerard Piqué, ex-zagueiro do Barcelona e da Seleção Espanhola, teve um crescimento absurdo em 2024 e se firmou como uma alternativa divertida (e caótica, no melhor sentido) ao futebol tradicional.
O campeonato é jogado no formato society, com sete atletas para cada lado, e mistura de tudo um pouco: jogadores, streamers, youtubers e ex-profissionais. A ideia é simples: dois tempos de 20 minutos, um monte de regras peculiares, e um ritmo acelerado que conquistou especialmente o público mais jovem, aquele da famosa “Geração TikTok”, que não tem muita paciência pra jogo travado e 0 a 0 sonolento de 90 minutos.
Entre as regrinhas diferentes, tem de tudo. A partida na Kings League, por exemplo, começa com um “x1”, onde cada time escolhe um jogador pra iniciar o confronto no mano a mano. A cada minuto, mais um entra em campo, até formar o clássico 7 contra 7 (sem contar o goleiro, que já começa o jogo).
Outro charme da competição é o tal do “pênalti presidente”. Sim, você leu certo. Cada time tem um presidente, geralmente uma personalidade da internet, da música ou do esporte, e, em determinado momento do jogo, ele pode entrar pra cobrar um pênalti. Já teve Gaules pelo G3X, MC Hariel com o Funkbol e muito mais.
Apesar de algumas críticas de quem torce o nariz pro “futebol diferente”, o público mais jovem tá curtindo demais. Mas a verdade é que a Kings League não se limita só a esse nicho. E um exemplo disso é a participação de Zé Roberto, ex-Palmeiras e Bayern de Munique, que vem jogando pelo Fluxo, e mostrando que ainda tem gás.
Pegando esse embalo, resolvemos imaginar cinco nomes conhecidos do futebol brasileiro que poderiam brilhar fácil na Kings League. Craques que, mesmo fora dos holofotes ou já aposentados, ainda têm muito futebol na chuteira, e carisma de sobra pra dominar esse novo cenário.
Kings League e seus possíveis personagens
1. Luan “Rei da América”, ex-Grêmio e Corinthians

Pensar em nomes que causariam impacto na Kings League é uma coisa. Agora, pensar em nomes que também despertam carinho e nostalgia… é impossível não lembrar de Luan, o Rei da América de 2017. Sob o comando de Renato Gaúcho, o camisa 7 brilhou no Grêmio e chegou a ser especulado até no Real Madrid, sim, ele literalmente estava nesse nível.
Entre 2014 e 2017, Luan dominava o cenário nacional com seus dribles curtos, inteligência tática e visão de jogo apurada. Ele facilitava, e muito, a vida do tricolor gaúcho. A explosão veio entre 2015 e 2016, quando virou um dos principais nomes do Brasileirão, da Copa do Brasil e, claro, conquistou o ouro olímpico com a Seleção nos Jogos do Rio.
Apesar de não vestir a camisa 10, era o típico dono da camisa na alma. Só que, como o futebol também tem seus fantasmas, o declínio bateu à porta. As lesões começaram a virar rotina, e Luan foi perdendo espaço no Grêmio. Tentou reagir, buscou espaço em outros clubes, mas as coisas não encaixaram. Hoje, está sem clube, e ainda tentando reencontrar o brilho de antes.
A real é que, no 11 contra 11, a situação tá difícil pra ele. Mas quem sabe num 7 contra 7, em campo reduzido, com menos exigência física, a história não muda? Se estiver saudável, com confiança em dia, o Rei da América de 2017 pode, sim, fazer barulho na Kings League. Mesmo com uma reta final apagada no Brasileirão, Luan ainda tem o carinho da torcida, e um talento que ninguém esqueceu.
2. Rafinha, ex-Flamengo e Bayern de Munique

Rafinha deixou o futebol profissional há pouco tempo, aos 39 anos, pendurou as chuteiras recentemente e já trocou a chuteira pelo microfone, agora é comentarista da TNT Sports. Mas a verdade é que, fisicamente, ainda dava pra jogar. Tanto que havia chances reais dele ser útil ao Coritiba na Série B. A rescisão só rolou por conta de atritos com a diretoria.
Antes disso, ele defendeu o São Paulo, onde era titular sempre que estava em condições físicas. E aqui vale reforçar um ponto-chave: a Kings League exige muito menos fisicamente do que o futebol profissional. É justamente esse o pulo do gato. No formato 7×7, com menos campo, menos pressão e mais liberdade, Rafinha teria tudo pra se destacar, tanto atacando quanto defendendo.
O currículo fala por si. Grêmio, Olympiakos, Flamengo… Foi no Rubro-Negro, sob o comando de Jorge Jesus, que viveu seu ápice no futebol brasileiro. Mesmo lidando com problemas físicos, foi peça essencial naquele esquadrão de 2019, com atuação firme na defesa e qualidade absurda no apoio ao ataque. Não é à toa que ganhou tudo e mais um pouco.
Na Kings League, Rafinha seria o típico veterano que comanda o jogo pela experiência, pela técnica e pela leitura de jogo. Um nome de peso, com carisma e identidade ofensiva, e que teria tudo pra brilhar no novo formato. Sem contar que, se Bonucci, ex-Juventus e Seleção Italiana, já se aventurou na liga, por que não o nosso lateral multicampeão?
3. Fernandinho, ex-Manchester City e Athletico-PR

Só tem nomezaço na lista, e Fernandinho não poderia faltar. Nesta temporada, o volante não seguiu no Athletico-PR, muito por conta do rebaixamento do clube para a Série B. Hoje, está sem time. E olha… uma mudança pra Kings League não seria nenhum absurdo. Querido por Pep Guardiola, ídolo onde passou e ainda com bola pra jogar, ficou claro em 2024 que ele ainda entende de futebol como poucos.
A transição de um campo com onze jogadores para sete é um baita impacto, principalmente pra quem sempre teve um perfil mais defensivo. Mas o Fernandinho não é “só” um marcador. Na Kings League, ele poderia seguir dois caminhos: assumir uma função mais criativa, porque visão de jogo nunca lhe faltou, ou ser aquele zagueiro elegante num campo reduzido, que antecipa tudo e ainda sai jogando com classe.
Durante a carreira, se destacou como primeiro volante, mas nunca se incomodou em jogar mais avançado. Seu posicionamento sempre foi invejável: sabia exatamente onde estar na hora certa, fosse pra cortar uma jogada ou fazer aquela falta tática cirúrgica que salvava o time. A gente vive exaltando os lances de efeito, aquele passe que quebra linhas, o golaço do centroavante, mas o futebol também respira graças aos caras que leem o jogo do lado de trás. Fernandinho é (ou era) mestre nisso.
É claro que hoje talvez a Kings League ainda não pareça tão atrativa pra jogadores desse calibre. Mas… tem Mundial vindo aí. E nesse contexto, o jogo muda. A ideia de encarar seleções espanholas, alemãs, italianas, com estrelas que também estão ali pra competir e vencer, pode mexer com o espírito competitivo desses veteranos. E Fernandinho, com certeza, ainda tem lenha pra queimar nesse tipo de desafio.
4. Paulinho, ex-Barcelona, Tottenham e Corinthians

Pra dar ainda mais brilho à Kings League, o nome de Paulinho seria um baita reforço. Se Fernandinho era sinônimo de versatilidade, o ex-volante do Corinthians também não ficava atrás, especialmente pelas diferentes funções que desempenhou ao longo da sua carreira pelo mundo afora. Depois de brilhar sob o comando de Tite no Timão, Paulinho rodou: passou pela China, Inglaterra e Espanha, e não saiu de mãos abanando, foi colecionando títulos por onde passou.
Um dos pontos altos da carreira foi, sem dúvida, no Barcelona. Sim, ninguém acreditava, mas ele foi lá e chocou o mundo. Sob o comando de Ernesto Valverde, o cara chegou a atuar até como ponta, ocupando o espaço deixado por ninguém menos que Neymar, que sofreu com problemas físicos e em seguida, até deixou a equipe catalã. Se o técnico espanhol achou uma boa ideia, é porque o Paulinho entregava, e muito. A capacidade ofensiva dele sempre chamou atenção, inclusive nas atuações com a camisa da Seleção Brasileira, onde viveu grandes momentos.
Claro, ele nunca foi aquele meia genial, do passe mágico ou da firula. Mas Paulinho era cirúrgico nas decisões. Sabia o momento certo de pisar na área, quando segurar, quando acelerar. Sempre seguiu à risca o que seus técnicos pediam, e isso não é à toa. Muitos deles bancavam sua contratação justamente por confiar na entrega e disciplina tática dele.
Na Kings League, isso não mudaria. Pode parecer repetitivo dizer que ele seria destaque, mas não tem como fugir da realidade: num 7 contra 7, com Paulinho saudável e confiante, ele brilharia fácil. Talvez não tivesse mais o gás dos seus melhores dias, mas a leitura de jogo, essa sim, seguiria intacta. E com o faro de gol que sempre teve, ele certamente saberia onde estar pra colocar a bola na rede.
5. Diego Ribas, ex-Flamengo e Atlético de Madrid

O último nome dessa lista que colocaria a Kings League no bolso é Diego Ribas. O ex-camisa 10 do Flamengo já pendurou as chuteiras faz um tempinho, mas nunca ficou muito longe da bola. Mesmo fora do circuito profissional, o ídolo rubro-negro nunca se entregou à vida mansa: continuou treinando, mantendo o físico em dia e se jogando nos esportes que curte, porque, vamos combinar, tem gente que nasceu pra esse clima.
A saída dos gramados já era esperada, não só pela idade, mas também porque o papel dele no Flamengo já vinha diminuindo. A verdade é que, em algum momento, até o futebol começa a cansar para quem vive disso todos os dias. Só que aí entra a Kings League como um respiro: um novo palco, mais dinâmico, mais solto, onde ex-profissionais podem continuar mostrando serviço sem precisar encarar 90 minutos de pressão e marcação dobrada.
Diego sempre foi daqueles que gostava de ter a bola colada no pé, cabeça erguida, jogo cadenciado, e, quando precisava segurar o ritmo, sabia muito bem como fazer isso. Começou como o clássico camisa 10 no Mengão, foi recuando aos poucos, chegou a atuar como segundo volante e ainda assim entregava segurança, simplesmente não comprometia.
Com inteligência de jogo, técnica e experiência de sobra, Diego Ribas seria daqueles que chegariam na Kings League, olhariam ao redor e pensariam: “tá tranquilo, dá pra brincar”. E ainda sairia com um show dentro de campo, ao lado de seu jeito de craque e sua marra.
Vamos fazer acontecer então, Kings League?
Foto: Lucas Uebel/Divulgação Grêmio