Harden x Knicks
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Knicks observam Pistons x Cavaliers de camarote e talvez já tenham um rival favorito para a final do Leste

O New York Knicks está vivendo aquela situação rara nos playoffs da NBA: descansar enquanto os outros sobrevivem na base do desespero. Depois de atropelar o Philadelphia 76ers e fechar uma varrida dominante, a franquia nova-iorquina agora assiste de camarote à guerra entre Detroit Pistons e Cleveland Cavaliers para descobrir quem será o adversário na final da Conferência Leste.

E sinceramente? Existe uma boa chance de os Knicks já terem um favorito escondido nessa disputa.

A série entre Cavaliers e Pistons virou um verdadeiro caos de playoffs. O Jogo 5 entregou exatamente o tipo de roteiro que faz a NBA esfregar as mãos de felicidade: virada improvável, tensão absurda, prorrogação e polêmica de arbitragem nos segundos finais. Cleveland venceu por 117 a 113 fora de casa e abriu 3 a 2 na série, depois de perder os dois primeiros confrontos.

Agora, os Cavaliers têm a chance de fechar tudo diante da própria torcida no Jogo 6. Mas se existe uma equipe que já mostrou não sentir pressão nesta pós-temporada, esse time é Detroit.

Os Pistons já escaparam de um 3 a 1 contra o Orlando Magic na primeira rodada e parecem confortáveis vivendo no caos. O problema é que, enquanto um lado luta pela sobrevivência, os Knicks estão basicamente em modo spa esportivo. E isso pode acabar decidindo a próxima série antes mesmo da bola subir.

O maior aliado dos Knicks pode ser o calendário

Nova York chega extremamente descansado para a final do Leste. Desde que ficou atrás por 2 a 1 contra o Atlanta Hawks na primeira rodada, o time simplesmente embalou sete vitórias consecutivas e transformou os playoffs em uma sequência assustadoramente tranquila.

Foram atropelos, vitórias por mais de 20 pontos e jogos resolvidos cedo o suficiente para Jalen Brunson, Karl-Anthony Towns e Mikal Bridges sequer precisarem carregar aquela minutagem insana típica de pós-temporada. Isso é raríssimo.

Normalmente, estrelas chegam às finais de conferência já funcionando à base de gelo, anti-inflamatório e café. Só que os Knicks chegam inteiros fisicamente e talvez até mentalmente. Enquanto isso, Cavaliers e Pistons estão se destruindo em quadra há semanas.

Os dois times precisaram de sete jogos na primeira rodada e agora podem novamente ir até o limite. Se Detroit vencer o Jogo 6, haverá um Jogo 7 no domingo. O detalhe cruel? A final do Leste começa já na terça-feira.

Ou seja: quem avançar pode ter apenas um dia de descanso antes de enfrentar um Knicks descansado, saudável e jogando em ritmo quase perfeito. Nos playoffs, isso pesa MUITO.

Ainda mais quando a série entre Pistons e Cavaliers virou praticamente um festival de partidas apertadas. Não é só desgaste físico. É emocional também. E ninguém quer enfrentar um Madison Square Garden lotado depois de sobreviver a duas séries seguidas de sete jogos.

O encaixe dos adversários muda completamente o cenário

Agora vem a parte mais interessante: qual rival realmente seria melhor para Nova York?

A resposta não é tão simples quanto parece.

Os Pistons talvez sejam o adversário mais irritante possível para os Knicks. Não necessariamente o mais talentoso, mas certamente o mais desconfortável.

Detroit joga um basquete físico, intenso e defensivamente sufocante. É o tipo de time que transforma cada posse em uma pequena batalha de rua. E pior: os Knicks já sofreram bastante contra isso.

Ausar Thompson virou praticamente um pesadelo ambulante para Brunson nos últimos confrontos. A defesa dos Pistons consegue congestionnar o garrafão, pressionar os armadores e forçar ataques muito mais lentos e travados. Não por acaso, Nova York perdeu os três confrontos contra Detroit na temporada regular.

Além disso, os Pistons são extremamente atléticos e possuem vários defensores versáteis. Não existe aquele alvo fácil para os Knicks explorarem ofensivamente. Tudo precisa ser conquistado na marra.

Por outro lado, ofensivamente Detroit depende demais de Cade Cunningham. O armador praticamente carrega o ataque sozinho em muitos momentos. Ele participa diretamente de quase metade dos pontos da equipe nos playoffs, seja pontuando ou criando jogadas.

Isso significa que, se os Knicks conseguirem limitar Cunningham minimamente, o ataque dos Pistons pode entrar em colapso. Já os Cavaliers representam o extremo oposto.

Cleveland é muito mais perigoso ofensivamente. Donovan Mitchell continua sendo um dos jogadores mais explosivos da NBA quando entra em ritmo, enquanto James Harden ainda é um mestre em controlar o jogo, cavar faltas e desmontar defesas no pick-and-roll.

Sem contar Evan Mobley, que oferece uma combinação absurda de mobilidade e defesa, além de Jarrett Allen, uma ameaça constante perto da cesta. Mas existe um detalhe importante: defensivamente, Cleveland oferece muito mais espaços.

Os Cavaliers têm dificuldades no perímetro, cedem muitos rebotes ofensivos e permitem segundas chances constantemente, algo perigosíssimo contra um Knicks que adora transformar rebote ofensivo em pontos fáceis e caos emocional para o adversário.

Talvez por isso exista a sensação de que Cleveland seja o adversário “mais confortável” para Nova York. Não necessariamente mais fácil. Apenas mais compatível com o estilo dos Knicks.

O Madison Square Garden também entra na conta

Outro detalhe enorme: o mando de quadra. Caso os Cavaliers avancem, os Knicks terão vantagem de jogar mais partidas no Madison Square Garden. E em playoffs, isso vale ouro.

O MSG virou um dos ambientes mais absurdos da NBA nesta pós-temporada. Cada bola importante parece final de campeonato mundial. Cada corrida de 8 a 0 faz o ginásio parecer prestes a desmontar. E sinceramente? Poucos times parecem emocionalmente preparados para sobreviver a isso cansados.

Os Pistons, por terem terminado com campanha melhor na temporada regular, roubariam esse mando de Nova York caso avancem.

Então, no fim das contas, talvez exista sim um cenário favorito na cabeça dos Knicks: uma série longa, cansativa e emocionalmente destrutiva entre Pistons e Cavaliers… seguida de Cleveland chegando esgotado ao Madison Square Garden.

Porque às vezes, nos playoffs, descansar também é uma arma.

(Foto: Gregory Shamus/Getty Images)