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Vincent Kompany transformou o Bayern em uma máquina de futebol; Confira

Antes do Bayern de Munique entrar em campo, a Atalanta sofreu sua primeira derrota na Série A, sendo superada pela Udinese em uma atuação bastante apagada. Horas mais tarde, o time de Vincent Kompany impôs um convincente 3 a 0 sobre o Bayer Leverkusen. À primeira vista, os dois acontecimentos parecem independentes, mas o resultado consolidou os bávaros como o único time invicto entre as cinco principais ligas europeias e iniciou a Bundesliga de forma impecável – nove vitórias em nove partidas, com apenas quatro gols sofridos – e mantém aproveitamento total também na UEFA Champions League.

Pode-se argumentar que a Bundesliga já não representa um grande desafio para os bávaros, mas, observando as últimas três temporadas, é preciso reconhecer que o Borussia Dortmund e o Bayer Leverkusen colocaram o clube à prova. O Bayern de Munique chegou a garantir o título de 2022/23 nos minutos finais e perdeu o troféu no ano seguinte para a equipe então comandada por Xabi Alonso, hoje técnico do Real Madrid. Essa oscilação ajuda a explicar a aparente rotatividade de treinadores em Munique nos últimos anos.

Duas semanas atrás, Vincent Kompany, o atual treinador, renovou seu contrato até 2029, tornando-se o primeiro técnico do Bayern desde Louis van Gaal, em 2010, a assinar uma extensão antecipada. Antes da chegada do ex-zagueiro do Manchester City, o clube carecia de estabilidade e continuidade à beira do campo. O belga, considerado por muitos uma aposta arriscada, conseguiu reacender o entusiasmo entre torcedores e dirigentes na última temporada, quando voltou a conquistar o título da Bundesliga.

Mesmo que o Bayern de Munique tenha levantado taças sob os comandos de Julian Nagelsmann, Thomas Tuchel e outros, a ausência na final da Champions Leauge ainda doí, desde a eliminação para a Internazionale nas quartas de final, especialmente para um time que se vê entre a elite mundial. Agora, sob a batuta do técnico belga Vincent Kompany, os campeões alemães em série parecem prontos para reconquistar o maior palco do futebol europeu em um futuro próximo.

O que mais surpreendeu na vitória sobre o Leverkusen foi a escalação escolhida pelo belga. Em vez de usar seus principais astros, ele optou por poupar jogadores como Harry Kane, priorizando o controle de carga e dando oportunidades a reservas, entre eles o jovem destaque Lennart Karl. Enquanto isso, o trio ofensivo formado por Michael Olise e Luis Díaz, além do centroavante inglês, assistiram do banco de reservas a equipe desmontar a defesa adversária com facilidade. O Bayern já vencia por 3 a 0 no intervalo e administrou o resultado na etapa final.

É fato que o Leverkusen, que demitiu o técnico Erik ten Hag poucas semanas após o início da temporada, ainda busca se reconstruir após as saídas de Florian Wirtz, Jeremie Frimpong e Granit Xhaka. Mesmo assim, poucos esperavam tamanha superioridade do Bayern. Com esse triunfo, os bávaros já superaram seus três principais oponentes na liga: Eintracht Frankfurt, Borussia Dortmund e o próprio Bayer 04. A vantagem para o vice-líder Leipzig é de cinco pontos — apesar da boa sequência dos rivais após a goleada por 6 a 0 sofrida na primeira rodada. Assim, o time de Kompany pode voltar suas atenções para o desafio continental: o duelo contra o atual campeão, PSG, pelas oitavas da UEFA Champions League.

Durante a partida na Allianz Arena pela Bundesliga no último sábado, o técnico Vincent Kompany pôde descansar parte de seus titulares, algo essencial diante do elenco relativamente enxuto do Bayern. Isso permitirá que viaje a Paris mais confiante para enfrentar o time de Luis Enrique no Parc des Princes, nesta terça-feira. Depois da vitória por 3 a 1 sobre o Chelsea em setembro, o confronto diante dos franceses será mais um teste importante para o treinador e sua equipe, que pode mudar a tabela de classificação geral da UEFA Champions League, de olho em uma vaga direta nas oitavas de final.

Foto: Getty Images

Vincent Kompany: A influência de Guardiola e o novo Bayern de Munique

Antes de assumir o comando do Bayern de Munique na última temporada, o ex-zagueiro Vincent Kompany foi um dos pilares do Manchester City e trabalhou durante três anos sob as ordens de Pep Guardiola. A influência do técnico catalão é evidente na filosofia adotada pelo belga: domínio da posse de bola, construção cuidadosa das jogadas e movimentação inteligente entre setores do campo.

Na temporada passada, Kompany tentou introduzir padrões posicionais no Bayern, orientando os jogadores a ocuparem zonas específicas. Nesta campanha, porém, a rotação entre essas zonas tornou-se mais dinâmica, dificultando a marcação adversária e abrindo espaços para infiltrações perigosas. Embora essa abordagem ofensiva lembre a era Pep Guardiola, o espanhol não conseguiu levar os bávaros à final da Champions entre 2013 e 2016, apesar dos avanços táticos obtidos. Foi nesse período, inclusive, que Joshua Kimmich chegou ao clube, permanecendo até hoje como uma das peças mais valiosas da equipe.

Foto: Getty Images

Kane: símbolo de humildade e liderança no Bayern de Munique

Entre os protagonistas deste novo Bayern de Munique, Harry Kane se destaca não apenas pelos gols, mas pela postura exemplar dentro de campo. O atacante inglês lidera a artilharia da Bundesliga e já soma 22 gols em 15 partidas na temporada, sem jamais demonstrar arrogância. Assim como o colombiano Luis Díaz, Kane é um dos jogadores que mais finalizam na competição, com 30 tentativas até o momento.

Durante o verão europeu, surgiram rumores de tensões internas envolvendo o diretor de futebol Max Eberl, responsável pelas contratações. Parecia o drama habitual no Bayern de Munique, mas bastou o início promissor da temporada sob a orientação calma e eficiente de Vincent Kompany para o ambiente se estabilizar.

O Bayern de Munique pode, eventualmente, perder seus primeiros pontos na Champions League — talvez já nesta terça-feira, contra o PSG, atual detentor do título e um dos grandes favoritos nesta temporada. Ainda assim, a equipe bávara mostra sinais claros de progresso sob o comando do belga, que imprime uma mentalidade coletiva sólida e confiante. E o futuro promete ser ainda mais promissor com os retornos de Jamal Musiala e Alphonso Davies, dois talentos capazes de elevar o nível do elenco a patamares ainda mais altos.

(Foto: Getty Images)