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Kyoji Horiguchi: a nova ameaça ao reinado de Alexandre Pantoja

Alexandre Pantoja enfrentará Joshua Van no UFC 323, no próximo dia 7 de dezembro, numa luta bem complicada para o brasileiro, já que Van tem juventude, velocidade, mão pesada, boa defesa de quedas e muito talento. Entretanto, apesar das ótimas credenciais do desafiante, o campeão entrará no octógono como favorito.

Caso o favoritismo de Pantoja se confirme na luta da T-Mobile Arena, em Las Vegas, já começará uma nova especulação sobre um futuro desafiante e o japonês, Kyoji Horiguchi, de volta ao Ultimate após ter conquistado cinturões no Bellator e no RIZIN, se coloca como um dos favoritos a enfrentar o colega de time. A vitória impressionante de Horiguchi sobre Tagir Ulanbekov, no UFC Catar, marcou não apenas o retorno triunfal de um veterano de elite, mas também o início de uma nova e inesperada rivalidade dentro da própria American Top Team.

Com um chute devastador seguido de um mata-leão justo, Kyoji Horiguchi lembrou ao mundo o motivo de sempre ter sido considerado um dos lutadores mais completos e perigosos da história. E ao desafiar Alexandre Pantoja logo após o triunfo, ele não só incendiou a divisão, como levantou a possibilidade de um confronto interno capaz de abalar o equilíbrio técnico e emocional do campeão.

Kyoji Horiguchi desafiou Alexandre Pantoja logo após vencer Tagir Ulanbekov, ainda no octógono
Kyoji Horiguchi desafiou Alexandre Pantoja logo após vencer Tagir Ulanbekov, ainda no octógono (Imagem: Reprodução UFC)

Por que Horiguchi representa um risco real para o campeão?

O que faz de Horiguchi um adversário tão indigesto para Pantoja começa por sua versatilidade. Ao contrário de muitos lutadores da categoria, que têm um estilo mais definido, seja primariamente grappling ou striking, Horiguchi transita entre todas as fases do combate com naturalidade, rapidez e inteligência.

Seu histórico no karatê lhe dá um jogo de pés pouco ortodoxo, com entradas e saídas rápidas, ângulos imprevisíveis e chutes que ele esconde com habilidade. O golpe que derrubou Ulanbekov é um bom exemplo: um chute alto colocado com precisão quase cirúrgica, que abriu espaço para a transição imediata às costas e, por fim, ao estrangulamento. Essa fluidez entre um ataque contundente em pé e uma finalização no chão é exatamente o tipo de ameaça que normalmente gera dificuldades mesmo para grapplers de elite.

Pantoja, por sua vez, é conhecido pelo jiu-jitsu agressivo, pela capacidade de encontrar finalizações mesmo em posições ruins e por uma pressão constante que desgasta adversários round após round, mas enfrentando alguém como Horiguchi, ele lidaria com um oponente que não apenas sabe defender quedas e evitar o controle, como também possui refinamento técnico suficiente para neutralizar a aproximação e punir com golpes pesados na curta distância. O campeão costuma aceitar trocas francas mais do que deveria, confiando demais em sua durabilidade e em sua capacidade de puxar o adversário para o caos, porém, com Horiguchi, esse tipo de risco pode ser fatal.

Outro ponto que torna esse confronto extremamente delicado é que ambos se conhecem profundamente dentro da ATT. O fato de treinarem no mesmo ambiente cria uma camada extra de imprevisibilidade: cada um sabe, até certo ponto, os padrões e inclinações do outro. Só que a experiência internacional de Horiguchi, tendo enfrentado uma variedade enorme de estilos no Japão, nos Estados Unidos e em eventos híbridos, o tornou um lutador adaptável como poucos. Ele é capaz de modificar sua estratégia no meio do combate com velocidade, algo que historicamente traz dificuldades para Pantoja quando ele não consegue impor desde cedo sua pressão característica.

No aspecto psicológico, Horiguchi chega com vantagem inesperada. Seu retorno triunfal ao UFC reacendeu a motivação, elevou sua confiança e lhe devolveu o status de atleta perigoso, maduro e experiente. O fato de desafiar um companheiro de equipe logo após a vitória mostra não arrogância, mas determinação estratégica: ele sabe que tem poucas janelas na carreira para disputar um cinturão outra vez, e está disposto a enfrentar qualquer um, inclusive alguém que divide a mesma academia.

Essa postura mental pode pressionar Pantoja de maneira incomum, colocando sobre ele o peso não apenas da defesa do título, mas da necessidade de lidar com um rival que conhece de dentro a dinâmica da equipe. E, além disso, o japonês possui uma leitura de distância muito superior à média da categoria, o que pode dificultar, e muito, a aproximação de Pantoja para iniciar o jogo de grappling.

Por tudo isso, caso esse duelo aconteça, não será apenas uma luta pelo cinturão: será um choque entre dois mestres em fases diferentes da carreira, dois estilos completos que se cruzam de forma perigosa e dois companheiros de equipe com ambições que podem colidir inevitavelmente.

Pantoja teria condições de vencer? Sem dúvida. Mas poucos lutadores no mundo representariam tanto risco ao campeão quanto Horiguchi, um veterano veloz, criativo, experiente e absolutamente letal nas transições.

Caso aconteça, podemos esperar uma luta imprevisível, tensa e tecnicamente riquíssima, que poderia entrar para a história da divisão dos moscas, de todo o UFC e da American Top Team. Um verdadeiro prêmio para os fãs de luta no mundo inteiro.

(Imagem de capa: Reprodução UFC)