Lamine Yamal é um nome interessante, e talvez até surpreendente, a ser observado nesta corrida pelo Ballon d’Or que será decidida nesta segunda-feira (22). Depois de temporadas brilhantes em 2024/25, vários nomes aparecem nos holofotes. O principal deles? Ousmane Dembélé, camisa 10 do Paris Saint-Germain e grande responsável por levar o clube francês ao título da Champions League. O francês foi fenomenal, ninguém nega. Mas o jovem talento do Barça, com apenas 17 anos (!), merece mais do que uma menção honrosa nessa história.
O PSG chega forte para abocanhar prêmios, principalmente por conta das atuações coletivas que encantaram a Europa. Luis Enrique, que já tinha fama de estrategista, organizou um time em que todo mundo joga, e joga bem. Nada de um Messi carregando nas costas, ou Neymar chamando a responsa. No PSG 24/25, o brilho é compartilhado. E, curiosamente, é aí que Dembélé pode acabar perdendo alguns pontinhos: sua temporada foi ótima, mas o coletivo talvez tenha ofuscado o brilho individual que tanto pesa na votação do Ballon d’Or.
Do outro lado, Lamine Yamal fez justamente o oposto: chamou o jogo, botou a bola debaixo do braço e decidiu partidas como gente grande. Mesmo com Raphinha empilhando números, era Yamal quem todo mundo queria ver jogar. Sua temporada de estreia completa no profissional foi, sem exagero, de videogame: golaços, assistências, dribles e uma maturidade assustadora para quem ainda nem pode comprar uma cerveja na Espanha.
E não é só no brilho individual. Em termos de títulos, o Barcelona voltou com tudo. Levou La Liga, Supercopa da Espanha e Copa do Rei, todos em cima do maior rival, o Real Madrid, o que, convenhamos, dá um sabor especial. Yamal foi decisivo em momentos grandes, especialmente nas finais. A imagem dele comemorando contra o Real já virou pôster na casa de muito culé por aí.
Agora, cravar um favorito para o Ballon d’Or virou uma tarefa ingrata. Na edição passada, por exemplo, todo mundo esperava Vinicius Júnior levando a bola dourada depois de uma temporada absurda, mas o prêmio acabou nas mãos de Rodri, pilar do Manchester City e campeão da Premier League. Ou seja, o histórico recente mostra que o critério vai além de números ou mídia: o que pesa mesmo são os títulos e o impacto em jogos grandes. E nesse cenário, Lamine Yamal não só entrou no jogo como está marcando presença na área.
Yamal como zebra? Talvez. Mas uma zebra que corre como cavalo de raça

Não é só Dembélé que representa o PSG na premiação. Gianluigi Donnarumma, por exemplo, foi uma muralha ao longo da temporada e é quase certo que leve o troféu de melhor goleiro. Outros nomes como Désiré Doué e João Neves (esse, embora mais identificado com o Benfica, foi destaque no cenário europeu e virou peça importante no time de Paris) também devem marcar presença. O elenco parisiense está recheado, e a festa promete ser deles.
Mas cabe a Lamine Yamal, e quem sabe até Raphinha, a missão de colocar água no chopp francês. A Espanha está representada, e com muito mais do que apenas promessas: são jogadores decisivos, com taças no armário e lances marcantes na temporada.
E é bom lembrar que, mesmo com toda essa empolgação ao redor de Dembélé, existe também uma certa “pressão diplomática” da France Football, organizadora do prêmio, para premiar um francês. A torcida local pesa, e a imprensa francesa já está fazendo campanha. Só que… quem era a grande estrela do futebol francês até outro dia? Kylian Mbappé. E mesmo com uma temporada goleadora, arrematando até a Chuteira de Ouro, o Tartaruga Ninja não conseguiu levar títulos com o Real Madrid em seu ano de estreia. Fez chover? Fez. Mas não ganhou nada. E isso conta muito.
Enquanto isso, Lamine Yamal segue ali, tranquilo, sem alarde, como quem não quer nada… mas querendo tudo. Se vencer, será o mais jovem da história a levantar o troféu, e não será por acaso.
Foto: Isabel Infantes