Lamine Yamal
Futebol La Liga UEFA Champions League

Lamine Yamal “modo vulcão”: gênio dentro de campo, intensidade até depois do apito final

Lamine Yamal voltou a apresentar o mundo o seu verdadeiro tamanho. Apesar da idade, tem desbalanceado e colocado grandes adversários em seus devidos lugares, como aconteceu no último clássico diante do Atlético de Madrid. Entretanto, parece que mesmo com a atuação de mais alto nível, faltava algo para o espanhol.

 Apesar da vitória importantíssima por 2 a 1 sobre os colchoneros, no Metropolitano, o camisa 10 chamou atenção por algo que não apareceu diretamente no placar. Enquanto o time comemorava o gol decisivo de Robert Lewandowski, Lamine estava… incomodado. E não fez questão nenhuma de esconder.

Vitória gigante… e clima estranho

O Barcelona deu um passo enorme na briga pelo título de La Liga. Fora de casa, contra um rival direto, com gol decisivo já na reta final. Cenário perfeito, certo?

Nem tanto.

As câmeras flagraram Lamine Yamal visivelmente irritado após o apito final, inclusive trocando palavras com o técnico Hansi Flick, que ficou claramente sem entender muito bem o que estava acontecendo. Aquela clássica cena de “ganhamos, mas tem coisa errada aí”.

Flick, claro, tentou apagar o incêndio rapidamente:

“Já conversamos no vestiário, está tudo bem.”

Mas no futebol, quando aparece fumaça… a galera já começa a procurar o fogo.

O que aconteceu com Lamine?

A resposta exata ninguém cravou. Mas os sinais durante o jogo ajudam a montar o quebra-cabeça.

Lamine foi decisivo mais uma vez. Na primeira etapa, sofreu a jogada que resultou na expulsão de Nico, um ponto-chave para mudar o rumo da partida. Só que, no segundo tempo, a história foi diferente: ele bateu de frente com uma defesa do Atlético que não deu espaço.

E aí entra o detalhe: quando Lewandowski fez o gol da vitória, Lamine não comemorou com o grupo. Ficou mais isolado, visivelmente contrariado. O jovem Pau Cubarsí ainda tentou conversar com ele, como quem diz “calma, tá tudo certo”. Mas não parecia convencer muito.

A leitura mais simples? Frustração.

Seja por não ter conseguido decidir diretamente, seja por jogadas que não terminaram como ele imaginava, ou até por escolhas de companheiros em campo. Coisa de quem quer resolver sempre.

Um talento frio… com lava por dentro

Dentro das quatro linhas, Lamine costuma parecer o oposto desse momento: frio, paciente, inteligente. Aguenta pancada, raramente perde a cabeça com árbitros e normalmente toma decisões com maturidade absurda para a idade.

Mas por dentro, a história é outra.

Essa não é a primeira vez que ele demonstra irritação. Já aconteceu contra Levante, contra Rayo… e quase sempre pelo mesmo motivo: substituições ou situações de jogo que não o agradam. A diferença é que esses “calorões” geralmente ficam no campo, não costumam virar crise.

E isso é importante: o problema não é sentir. É o que se faz com isso depois.

Pressão de estrela mundial

O ponto central é que Lamine Yamal já não é mais “só uma promessa”. Ele virou protagonista e isso muda tudo. Cada gesto é analisado. Cada reação vira manchete. Cada postagem nas redes sociais vira debate.

Recentemente, ele já esteve no meio de várias situações fora do campo:

Episódio de gritos islamofóbicos em Cornellà, onde teve postura elogiada;

Polêmicas envolvendo convocações da Seleção por questões físicas;

O clima quente de um El Clásico, com provocações e tensão;

E até movimentações nas redes, como a foto com Joan Laporta em período eleitoral do clube.

Tudo isso antes mesmo de completar a maioridade plena no futebol.

Entre a Champions e o topo do mundo

Se dentro da Espanha o Barcelona está vivo na briga pela liga, o grande sonho da temporada segue sendo a UEFA Champions League.

E aí entra um detalhe curioso: Lamine vem sendo decisivo justamente na competição mais pesada. Marcou nos últimos três jogos europeus e já deixou claro o objetivo:

“Não vou parar até trazer a Champions de volta a Barcelona.”

Frase de quem sente o peso da camisa… e quer fazer história rápido.

Temperamento ou combustível?

No fim das contas, a pergunta é simples: esse lado “vulcânico” preocupa? Depende do ponto de vista.

Se for descontrole, pode virar problema. Mas, se for canalizado da forma certa, é exatamente o que separa bons jogadores de estrelas obsessivas por vencer. Aquela mentalidade de quem nunca está satisfeito, nem quando ganha.

E sejamos sinceros: o Barcelona pode até precisar disso.

Porque talento, Lamine já provou que tem de sobra. Agora, o desafio é transformar essa intensidade em combustível e não em ruído.

Se conseguir esse equilíbrio… aí sim, o resto da Europa que se prepare.

Foto: REUTERS