Lamine Yamal, joia do Barcelona e da seleção espanhola, completou 18 anos e, com isso, deixa para trás o título de jogador sub-18 mais valioso do planeta, um posto que ocupava com folga. Avaliado em impressionantes 200 milhões de euros, superando astros já consolidados como Mbappé, Vinicius Júnior, Haaland e Bellingham, Yamal não é mais um “menino prodígio”: ele agora entra oficialmente no clube dos adultos,dentro e fora de campo.
A simbologia vai além da idade. Sua festa de aniversário foi um evento acompanhado pela mídia espanhola, ele renovou contrato com o Barça e, para coroar a nova fase, estreou recentemente a camisa 10 do clube catalão, herdando um número carregado de história e responsabilidade. O amadurecimento do jogador é evidente, tanto na carreira acelerada quanto no mercado. Mas se Yamal cresceu, o mercado pergunta: quem ocupará o posto de próximo fenômeno sub-18 do futebol mundial?
Franco Mastantuono: o primeiro na fila, mas por pouco tempo
O atual herdeiro desse “trono” é o argentino Franco Mastantuono, jovem promessa revelada pelo River Plate e recentemente contratada pelo Real Madrid por 45 milhões de euros. O meia, avaliado atualmente em 30 milhões de euros pelo Transfermarkt, é visto como o principal talento global entre os jogadores com menos de 18 anos.
No entanto, essa liderança tem prazo de validade curto. Mastantuono completa 18 anos em 14 de agosto de 2025, quando enfim se apresentará ao clube merengue para começar a trabalhar sob o comando de Xabi Alonso, que estreia como treinador da equipe principal. A expectativa em torno de Mastantuono é altíssima, especialmente porque o Real Madrid está em pleno processo de renovação de elenco, buscando juventude e dinamismo no meio-campo para o futuro pós-Kroos e Modric.
O desafio para o argentino será não apenas corresponder às expectativas, mas também transformar valor de mercado em relevância esportiva real, algo que poucos talentos sul-americanos conseguem ao chegar tão jovens à Europa.
A nova geração: quem desponta após Mastantuono?
Com Mastantuono prestes a sair da lista, o olhar do mercado se volta para nomes menos conhecidos, mas que já acumulam cifras significativas.
O francês Ayyoub Bouaddi, do Lille, aparece logo atrás, avaliado em 28 milhões de euros. O belga Konstantinos Karetsas, do Genk, surge com 20 milhões, seguido pelo inglês Mikey Moore, do Tottenham, com 18 milhões, e o brasileiro Gabriel Carvalho, do Al Qadsiah, da Arábia Saudita, com 12 milhões.
Todos esses nomes nasceram em 2007 e também completarão a maioridade até o fim de 2025, o que abre caminho para um jovem nascido em 2008 assumir o posto de menor mais valioso.
É nesse cenário que desponta o italiano Francesco Camarda, o primeiro nome da geração 2008 a figurar entre os mais valiosos do mundo. Avaliado em 10 milhões de euros, Camarda já estreou no time principal do Milan, quebrando recordes de precocidade no futebol italiano.
Para a temporada 2025/26, Camarda será emprestado ao Lecce, também da Série A italiana. O objetivo é claro: dar-lhe experiência real no futebol profissional, um passo determinante para consolidar a transição entre promessa e realidade. Ainda assim, seu “reinado” também tem prazo de validade: ele completa 18 anos em março de 2026.
A dúvida que fica é se Camarda conseguirá repetir a trajetória meteórica de Yamal. O italiano tem características diferentes: é um centroavante clássico, forte e com faro de gol, enquanto Yamal se notabiliza pela técnica refinada, dribles curtos e criatividade nas pontas. No entanto, a pressão para que Camarda assuma protagonismo é inevitável, sobretudo em um país carente de atacantes de elite como a Itália.
O que explica essa corrida pelo “menor mais valioso”?
O fenômeno de valorização precoce dos atletas tem múltiplas explicações. A indústria do futebol se profissionalizou a ponto de antecipar as apostas e investimentos: quanto mais cedo o clube identificar um talento, mais barato ele sai no longo prazo — ou, no mínimo, garante vantagem sobre os concorrentes.
Além disso, o mercado está cada vez mais competitivo por jovens que já chegam prontos para render esportivamente e também movimentar o marketing global do clube. Ter o “próximo Messi” ou “próximo Mbappé” virou tanto um ativo esportivo quanto comercial.
Por isso, a pergunta sobre quem substituirá Lamine Yamal nesse topo do mercado sub-18 é menos trivial do que parece. Trata-se não apenas de um ranking financeiro, mas de uma projeção simbólica sobre o futuro do futebol.
O peso de ser “o próximo Yamal”
Com 18 anos recém-completados, Yamal agora caminha entre os grandes, mas abre espaço para que um novo nome ocupe o imaginário coletivo de quem acompanha o futebol de base. Mastantuono, Camarda e outros jovens estão na corrida, mas transformar cifras em carreira sólida é um desafio que nem todos superam.
Mais do que nunca, o mercado está atento, e o trono de “menor mais valioso” nunca fica vazio por muito tempo. A dúvida não é se alguém assumirá o posto, mas quem terá o talento e a cabeça, como Yamal teve, para sustentar o peso que esse título invisível carrega.
Foto: Miguel Medina/AFP