A inclusão de Lando Norris na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026, pela tradicional Time, não é apenas um reconhecimento individual. Ela simboliza um momento histórico da Fórmula 1, um esporte que deixou de ser visto como elitista e europeu para se tornar um fenômeno global, especialmente entre jovens e no mercado norte-americano.
Campeão mundial em 2025 com a McLaren, Norris representa uma nova geração de pilotos que transcendem o automobilismo. Nascido em 1999, o britânico cresceu em uma era digital, construiu uma imagem próxima dos fãs e se tornou um dos rostos mais acessíveis da F1.
Sua conquista do título no ano passado consolidou um processo de amadurecimento iniciado ainda nos primeiros anos de carreira e coroou uma trajetória que mistura talento esportivo com forte presença midiática.
Mas o impacto de Norris vai além das pistas. Sua ascensão acontece em paralelo a uma transformação estrutural da Fórmula 1, especialmente após 2019, quando a Netflix lançou “Drive to Survive”. A série abriu os bastidores do esporte, humanizou pilotos e equipes e, principalmente, apresentou a F1 a um público que antes não se identificava com o campeonato.
Os números ajudam a entender essa mudança. Nos Estados Unidos, a base de fãs da Fórmula 1 cresceu cerca de 10% em apenas três anos, com milhões de novos espectadores atraídos diretamente pela série.
Além disso, uma parcela significativa desse novo público nunca havia assistido a uma corrida antes de consumir o conteúdo da Netflix, mais de 360 mil novos fãs migraram da série para as transmissões ao vivo em um curto período.
Esse crescimento não foi apenas quantitativo, mas também qualitativo. O perfil do fã mudou. Hoje, quase metade dos novos espectadores tem menos de 35 anos, e uma parcela relevante está abaixo dos 25. Em paralelo, estudos apontam um aumento de 44% na audiência entre jovens nos últimos anos, evidenciando uma renovação geracional no esporte.
Nos Estados Unidos, um mercado historicamente difícil para a F1, a transformação foi ainda mais evidente. A audiência televisiva praticamente dobrou desde 2018, enquanto o país passou a concentrar dezenas de milhões de fãs e se tornou o maior mercado individual da categoria.
Esse crescimento também se refletiu na expansão física da categoria, com corridas em três cidades, Austin, Miami e Las Vegas, sendo o único país do mundo a ter isso, consolidando a presença da F1 no calendário esportivo americano.
“Drive to Survive” teve um papel fundamental nesse processo ao transformar pilotos em personagens. Rivalidades, bastidores políticos e histórias pessoais passaram a ser contadas como uma série dramática, e isso aproximou o público. O resultado foi a criação de novas estrelas globais, muitas delas com forte apelo entre jovens, como Norris.

Lando Norris sabe aproveitar a popularidade
Diferente de gerações anteriores, marcadas por figuras mais distantes como Michael Schumacher ou Lewis Hamilton em seus primeiros anos, Norris se destaca pela comunicação direta. Ele interage com fãs nas redes sociais, participa de projetos de e-sports e mantém uma imagem descontraída, elementos que dialogam diretamente com a geração Z.
Essa conexão é essencial para entender sua presença na lista da Time. A revista não premia apenas desempenho esportivo, mas impacto cultural. E Norris se encaixa perfeitamente nesse critério: ele é ao mesmo tempo campeão mundial e produto de uma nova era do entretenimento esportivo.
A Fórmula 1, por sua vez, soube capitalizar esse momento. Com estratégias digitais agressivas, presença em plataformas como TikTok e parcerias com gigantes do entretenimento, o esporte se reposicionou como parte da cultura pop global. O resultado é um crescimento consistente de audiência, engajamento e receitas, impulsionado por um público mais jovem e diverso.
Nesse cenário, a figura de Lando Norris se torna simbólica. Ele não apenas ganhou corridas, ele venceu em um contexto onde o piloto precisa ser mais do que um competidor. Precisa ser comunicador, influenciador e protagonista de uma narrativa global.
A entrada de Norris na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, portanto, não é um fato isolado. É a consequência direta de uma convergência entre esporte, entretenimento e cultura digital. É o reflexo de uma Fórmula 1 que mudou, e que encontrou, em “Drive to Survive”, o ponto de virada para conquistar uma nova geração de fãs.
E, se o presente já mostra um esporte mais jovem, global e conectado, o futuro indica algo ainda maior. Com pilotos como Norris liderando dentro e fora das pistas, a Fórmula 1 não apenas cresce, ela se reinventa.
(Imagem de capa: Divulgação F1)