O Cruzeiro anunciou, nesta quarta-feira (20), a contratação do técnico argentino Nicolás Larcamón, campeão da CONCACAF Champions League pelo León, que recentemente foi demitido da equipe mexicana após a eliminação precoce no Mundial de Clubes para o Urawa Red Diamonds, do Japão.
Relativamente desconhecido no futebol brasileiro, Larcamón teve rápida passagem pelo futebol argentino, onde dirigiu clubes de menor expressão. Depois disso, comandou equipes na Venezuela e no Chile, com destaque para o Huachipato. No entanto, só ganhou notoriedade quando foi para o México, realizando um bom trabalho no Puebla antes de assumir o León, que até o momento representa o ponto mais alto de sua carreira.
Larcamón, de 39 anos, é um treinador do perfil procurado pelo Cruzeiro, que parece estar buscando técnicos que vêm da escola argentina, como Fernando Gago, Gabriel Milito e Thiago Carpini, este último com licença da AFA e grande admirador do futebol argentino. No entanto, o estilo de Larcamón destoa um pouco do que conhecemos dos outros treinadores citados, principalmente devido à sua vivência em outros países.
Com isso, a Playmaker Brasil traz uma análise de como joga o novo técnico do Cruzeiro, seus padrões de jogo favoritos e possíveis desafios com o elenco celeste.
Variação tática constante
Desde o início, o torcedor do Cruzeiro terá que se acostumar com um treinador que varia muito o time, já que Larcamón não se prende a um padrão tático específico. No León, ele utilizava majoritariamente o 3-4-3 como sua formação, mas isso mudava conforme o adversário, sendo observadas variações como 3-5-2, 4-4-2 e 4-3-1-2.
Essa variação também influencia significativamente o comportamento da equipe durante o jogo. Quando o León atuava em um 3-4-3, priorizava a construção rápida pelos lados, envolvendo os meio-campistas e laterais/pontas. No entanto, essa abordagem mudava para um jogo mais centrado no meio de campo quando optavam por 3-5-2 e 4-4-2.
Algo constante nas equipes de Larcamón é a preferência por laterais velozes e construtores, capazes de desempenhar papéis tanto defensivos quanto ofensivos. O Cruzeiro conta com jogadores com esse perfil, como William e Marlom, que têm habilidade para avançar e cruzar, podendo se beneficiar sob a orientação do treinador argentino.
Ênfase nos cruzamentos, área congestionada e marcação pressão
Apesar da ausência de um padrão tático rígido, as equipes de Larcamón mantêm características consistentes. Devido à preferência por construir pelos lados e ao papel ofensivo dos laterais/alas, as equipes dirigidas pelo argentino concentram-se bastante em cruzamentos para a área. O León contava com Federico Viñas, um finalizador nato, que se destacava nesse estilo de jogo.
No entanto, não era exclusivamente Viñas quem finalizava. Em situações mais ofensivas, Larcamón chegava a variar para um 2-3-5, aumentando a presença de alas e pontas na área. Essas variações contavam com William Tesillo, atuando como zagueiro, lateral e volante, sendo o principal construtor de uma saída de bola paciente e baseada em passes curtos.
Outro aspecto fundamental nas equipes de Larcamón é a pressão na saída de bola e após a perda. Com uma marcação individual desde o campo defensivo adversário, a equipe busca pressionar o jogador com a bola, visando a superioridade numérica nas áreas-chave. Em confrontos contra equipes mais fortes, Larcamón também adotava um bloqueio médio sólido, buscando forçar erros no meio-campo adversário.
Possíveis desafios de Larcamón no elenco do Cruzeiro
Como mencionado anteriormente, Larcamón pode se beneficiar da presença de jogadores como William e Marlon em seu elenco, mas há várias questões a serem consideradas. Se Tesillo era o principal construtor da saída de bola desde a defesa, o Cruzeiro atualmente não possui um jogador com essa característica, além de não contar com um volante semelhante a Fidel Ambriz, que tem excelente passe e contribui bem ofensivamente quando a equipe está na área adversária.
Além disso, um dos principais problemas do Cruzeiro no ano passado foi a ausência de um centroavante fixo, com Gilberto, Bruno Rodrigues e Rafael Elias revezando na posição. Para uma equipe que enfatiza cruzamentos, é crucial ter um jogador com características semelhantes a Viñas: uma presença física na área, capaz de jogar de costas para o gol e conectar o jogo pelos lados.
Em resumo, a contratação de Larcamón por si só não será suficiente para fortalecer o Cruzeiro. A equipe liderada pela SAF de Ronaldo terá que investir para reforçar o elenco e alinhá-lo com o estilo do novo treinador, que traz ideias interessantes e pode se adaptar bem ao futebol brasileiro.
(Foto: Divulgação/León)

