A Seleção Brasileira sempre foi conhecida por revelar grandes laterais. Nomes como Carlos Alberto Torres, Cafu, Maicon e Daniel Alves ajudaram a transformar a posição em uma das marcas registradas do futebol brasileiro ao longo das décadas. No entanto, às vésperas da Copa do Mundo de 2026, o setor voltou a se tornar motivo de preocupação.
Caso Wesley realmente não consiga disputar o Mundial, o Brasil chegará à terceira Copa do Mundo consecutiva enfrentando problemas importantes na lateral direita. O cenário chama atenção porque não se trata de um episódio isolado, mas de uma sequência de lesões, improvisações e mudanças de planejamento que acompanha a seleção desde 2018.
O mais curioso é que, em todas essas Copas, a comissão técnica iniciou o ciclo acreditando ter uma solução definida para a posição. Porém, por diferentes motivos, os planos precisaram ser alterados antes ou durante o torneio.
A Copa de 2018 marcou o início do problema

O primeiro grande capítulo dessa história aconteceu antes mesmo da Copa do Mundo da Rússia.
Naquele momento, Daniel Alves era titular absoluto da equipe de Tite. Além da experiência, o lateral vivia grande fase no PSG e era visto como uma das lideranças técnicas e emocionais do elenco.
Tudo mudou quando o jogador sofreu uma grave lesão no joelho semanas antes da convocação final.
Sem Daniel Alves, Danilo assumiu naturalmente a vaga de titular. O problema é que o lateral também encontrou dificuldades durante o torneio. Após a estreia contra a Suíça, sofreu uma lesão que o tirou dos jogos seguintes.
A situação obrigou Tite a recorrer a Fagner, que inicialmente aparecia como terceira opção na hierarquia da posição.
Apesar da pressão, o jogador do Corinthians respondeu bem. Inclusive, terminou a competição com um dado impressionante: foi o segundo atleta com mais desarmes em toda a Copa do Mundo, ficando atrás apenas de N’Golo Kanté.
Mesmo assim, o fato de o Brasil ter perdido seu titular e depois seu reserva imediato mostrou como a lateral direita havia se tornado um setor vulnerável.
Em 2022 o roteiro se repetiu

Quatro anos depois, a história voltou a acontecer.
Danilo chegou ao Catar como titular absoluto da posição e uma das principais lideranças do elenco brasileiro. Diferentemente de 2018, desta vez o problema surgiu logo na estreia.
Durante a vitória sobre a Sérvia, o lateral sofreu uma lesão no tornozelo que o afastou dos jogos contra Suíça e Camarões.
A ausência obrigou Tite a buscar uma solução alternativa.
Sem confiar plenamente em um substituto de origem, o treinador optou por improvisar Éder Militão na lateral direita. Embora fosse um dos melhores zagueiros do mundo naquele momento, Militão precisou desempenhar uma função diferente da habitual.
A adaptação funcionou em termos defensivos, mas reduziu parte da força ofensiva que tradicionalmente caracteriza a posição na Seleção Brasileira.
Quando Danilo voltou a ficar disponível, a situação ainda exigiu novos ajustes. Em determinados momentos, ele chegou a atuar pela lateral esquerda devido aos problemas físicos enfrentados pelo setor.
Mais uma vez, o Brasil passou uma Copa do Mundo sem conseguir executar exatamente o plano que havia sido desenhado antes do torneio.
Ancelotti também perdeu parte do planejamento para 2026
Se nas duas últimas Copas o problema apareceu durante a preparação ou durante os jogos, em 2026 a situação começou ainda no ciclo que antecedeu o Mundial.
Uma das expectativas de Carlo Ancelotti era contar com Éder Militão como uma alternativa importante para a lateral direita. O treinador conhece profundamente o jogador desde os tempos de Real Madrid e sempre valorizou sua versatilidade.
Além da capacidade defensiva, Militão poderia oferecer uma solução tática interessante, permitindo que o Brasil alternasse entre diferentes formações durante as partidas.
O problema é que o defensor passou os últimos anos convivendo com uma sequência extremamente complicada de lesões.
Desde 2023, o jogador sofreu graves problemas nos joelhos que interromperam repetidamente sua sequência de jogos. Mesmo após retornar aos gramados, teve dificuldades para recuperar o ritmo competitivo que apresentava antes das lesões.
Com novos problemas físicos surgindo ao longo da preparação para a Copa, Militão deixou de ser uma opção totalmente confiável para assumir a lateral direita em um torneio tão exigente.
Agora, a preocupação gira em torno de Wesley. O lateral surgiu como principal candidato à posição, mas uma possível ausência obriga a comissão técnica a avaliar alternativas como Vitinho e Paulo Henrique.
O cenário é preocupante porque nenhum dos dois chega ao Mundial com o mesmo nível de consolidação internacional que Daniel Alves possuía em 2018 ou que Danilo apresentava em 2022.
Por outro lado, ambos oferecem características diferentes para Ancelotti. Vitinho se destaca pela consistência defensiva e pelos números elevados de desarmes, enquanto Paulo Henrique oferece maior participação ofensiva e capacidade de criação pelos lados do campo.
Independentemente de quem seja escolhido, uma conclusão parece inevitável.
Desde a lesão de Daniel Alves antes da Copa de 2018, a Seleção Brasileira nunca conseguiu chegar a um Mundial sem dúvidas, lesões ou improvisações na lateral direita. O que durante décadas foi uma das posições mais fortes da história do futebol brasileiro se transformou em uma das maiores preocupações da equipe nacional.
E se Wesley realmente não estiver disponível, a Copa de 2026 apenas dará continuidade a uma sequência que já dura três Mundiais consecutivos.
(Foto de capa: Reprodução/TV Globo)

