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Brasileirão Futebol

Lateral ou ala ofensivo? Como Bernabei rende melhor no Inter de Pezzolano

A suspensão de Matheus Bahia deu uma dor de cabeça das boas para Pablo Pezzolano no Inter às vésperas do duelo contra o Atlético-MG. O confronto deste sábado (22), às 18h30min, no Beira-Rio, pela 24ª rodada do Brasileirão, deixou uma vaga aberta na lateral esquerda. O treinador tem nas mãos a chance de simplesmente recuar Bernabei para a sua posição de origem ou aproveitar o momento para manter o argentino solto como um ala ofensivo no esquema tático.

No papel, a escolha soa simples e óbvia. Bernabei é lateral por formação e Luiz Felipe, também especialista do setor, poderia herdar a vaga naturalmente. O xis da questão é que o momento vivido pelo argentino transformou uma troca burocrática em um grande dilema tático: Bernabei atravessa simplesmente a temporada mais artilheira e produtiva de toda a sua carreira profissional.

São impressionantes nove gols e quatro assistências em apenas 31 partidas disputadas em 2026, somando 13 participações diretas em gols. Para se ter uma ideia do salto de desempenho, o número atual atropela tudo o que ele produziu em suas duas primeiras temporadas no Beira-Rio. Em 2024, foram três gols e seis assistências em 25 jogos. No ano seguinte, balançou as redes duas vezes e deu seis passes decisivos em 51 atuações. Somadas, as duas jornadas renderam cinco gols e 12 assistências em 76 partidas. Em 2026, com metade do caminho percorrido, ele já tem quase o dobro dos gols que acumulou naqueles dois anos inteiros somados.

O melhor Bernabei aparece mais perto do gol?

É justamente esse salto estatístico que coloca Pezzolano contra a parede. O técnico uruguaio pode interpretar a ausência de Matheus Bahia como a deixa perfeita para devolver Bernabei ao setor defensivo, recompondo o desenho tradicional sem inventar moda. Por outro lado, seria um desperdício travar justamente a principal válvula de escape do time.

Atuando como ala ofensivo, o argentino recebe a bola no terço final do campo, ataca o espaço em velocidade e pisa na área com frequência. Em vez de gastar combustível percorrendo todo o corredor desde a defesa, ele concentra energia onde o jogo se decide. E os números provam que isso não é mero acaso ou boa fase passageira: ele nunca foi tão influente no placar em toda a sua vida profissional. Atuar mais solto na ala dá a ele a liberdade necessária para pisar na área e encostar nos atacantes sem a obrigação constante de fechar a primeira linha de combate.

Luiz Felipe ou Allex: as opções para liberar Bernabei

Se Pezzolano optar por manter o argentino solto como ala ofensivo, a lateral de origem precisará de um novo dono. Para isso, o comandante tem duas opções jovens no grupo:

  • Luiz Felipe: É a escolha mais lógica e segura. Lateral de origem, entra na vaga de Matheus Bahia sem exigir improvisações ou grandes malabarismos táticos no setor defensivo, permitindo que Bernabei continue com total liberdade no ataque.

  • Allex: É a cartada ousada. Meio-campista de formação, teria que atuar deslocado na lateral, o que mudaria a dinâmica de saída de bola, mas traria um componente extra de improviso em um jogo de peso contra o Galo.

A decisão passa por um cálculo claro de risco e recompensa. Recuar Bernabei traz a segurança do time ideal, mas afasta da meta adversária um jogador em estado de graça. Mantê-lo na frente como ala exige dar voto de confiança aos garotos na defesa, mas preserva a maior arma de perigo do Internacional na temporada.

Diante do Atlético-MG, Pezzolano terá de responder à pergunta do torcedor: vale a pena devolver Bernabei à lateral tradicional ou a fase exige mantê-lo como ala ofensivo, onde seus números mostram que ele é mortal? Com 13 participações em gols em 31 jogos, a resposta está longe de ser convencional.

Foto: Divulgação/Internacional