Futebol Libertadores

LDU aproveita vacilos do São Paulo e vence com autoridade na altitude

O São Paulo sabia que teria um desafio enorme na altitude de Quito, mas saiu do Equador com um resultado ainda mais preocupante. Pela partida de ida das quartas de final da Libertadores, o Tricolor foi derrotado pela LDU por 2 a 0, nesta quinta-feira (18), e terá de buscar uma virada quase heroica no jogo da volta.

A equipe paulista, comandada por Hernán Crespo, sofreu no primeiro tempo, reagiu na segunda etapa, mas viu sua ofensividade se transformar em vulnerabilidade, castigada no final pelos equatorianos.

Para avançar diretamente às semifinais, o São Paulo precisará vencer por três gols de diferença no MorumBIS, na próxima quinta-feira (25). Triunfo por dois gols leva a decisão para os pênaltis.

O jogo

A partida começou com a LDU se impondo. Empurrada pela torcida e beneficiada pela altitude, a equipe equatoriana pressionou o São Paulo nos minutos iniciais, forçando erros de saída de bola. Apesar disso, o Tricolor conseguiu, aos poucos, subir suas linhas e tentar equilibrar o confronto.

Boa parte das jogadas paulistas passava pelos pés de Rigoni, que buscava abrir espaços pelo lado esquerdo, mas não encontrava soluções. E quando parecia que o São Paulo se organizava melhor, veio o golpe dos donos da casa. Aos 15 minutos, Marcos Antônio foi arrastado pela marcação, Cédric se perdeu no posicionamento e Bryan Ramírez recebeu lançamento nas costas da defesa. Cara a cara com Rafael, o camisa 28 finalizou de primeira e abriu o placar para a LDU.

Mesmo com a vantagem, os equatorianos não recuaram. Mantiveram a posse e exploraram falhas na saída de bola do São Paulo. Rafael precisou trabalhar em finalizações de Quintero e Medina, mas os chutes não tiveram a força necessária para ampliar. O Tricolor paulista, por sua vez, pouco ameaçava. A única tentativa mais aguda veio em jogada de Luciano no fim da primeira etapa, com uma meia-bicicleta que assustou, mas não levou perigo real.

O primeiro tempo terminou com a sensação de que o São Paulo precisava de muito mais criatividade para competir em Quito.

No retorno do intervalo, o São Paulo mostrou postura diferente. Logo aos dois minutos, Luciano recebeu de Rigoni, driblou o goleiro Valle e chutou para o gol vazio, mas o lance foi invalidado por impedimento. O ímpeto, no entanto, mostrava que a equipe havia voltado mais agressiva.

O Tricolor empurrou a LDU para trás, mantendo presença constante no campo ofensivo. Luciano teve outra grande chance aos dez minutos, após passe de Pablo Maia, mas parou em defesa difícil de Valle. Pouco depois, Marcos Antônio arriscou de fora e novamente o goleiro equatoriano salvou. Ferreira também assustou em chute desviado.

A pressão paulista, contudo, não se transformou em gol. E no futebol, quando as oportunidades são desperdiçadas, a punição costuma vir. Aos 35 minutos, Ferraresi tentou iniciar jogada com Pablo Maia, mas entregou a bola no meio. Azulgaray recuperou, invadiu a área e perdeu o domínio, mas Michael Estrada apareceu livre para bater colocado e ampliar: 2 a 0.

O gol esfriou de vez a reação do São Paulo e deixou a LDU em situação confortável para a partida de volta.

LDU se aproveita de erros do São Paulo

O confronto em Quito mostrou duas equipes em momentos distintos. A LDU, acostumada à altitude e com elenco experiente, soube aproveitar suas chances. Não foi brilhante, mas foi eficiente. O primeiro gol nasceu de falha de posicionamento da defesa paulista, e o segundo, de erro na saída de bola. Em jogos de Libertadores, isso é fatal.

O São Paulo, por outro lado, deixou escapar a chance de sair do Equador com um resultado administrável. Criou oportunidades na segunda etapa, mas pecou na finalização e esbarrou em grande atuação do goleiro Valle. O time de Crespo mostrou vontade, mas faltou calma e repertório para furar a defesa equatoriana.

O 2 a 0 complica demais a vida do Tricolor. A missão de vencer por três gols no MorumBIS é possível, mas exige atuação perfeita, intensidade durante 90 minutos e, sobretudo, eficiência ofensiva. O São Paulo terá de ser cirúrgico, algo que não foi em Quito.

Além disso, a equipe precisará lidar com a pressão psicológica. A torcida certamente vai apoiar, mas a ansiedade pode jogar contra se o gol não sair cedo. Hernán Crespo terá de encontrar soluções criativas, talvez apostando em uma escalação mais ousada, para tentar reverter o cenário.

A LDU, por sua vez, chega a São Paulo com tranquilidade. Pode jogar pelo empate, pela derrota mínima ou até mesmo pela derrota por dois gols, já que levaria a decisão para os pênaltis. Essa vantagem permite aos equatorianos adotarem postura mais conservadora e explorar contra-ataques.

No final, o São Paulo saiu de Quito com um resultado indigesto e que escancara as dificuldades de atuar na altitude. Sofreu no primeiro tempo, reagiu no segundo, mas falhou nas duas áreas: defensivamente, com erros de marcação e saída de bola; ofensivamente, com desperdício de oportunidades.

A LDU, ao contrário, mostrou frieza e eficiência. Aproveitou as falhas, marcou nos momentos decisivos e leva para o MorumBIS uma vantagem significativa.

Se quiser seguir vivo na Libertadores, o Tricolor precisará de uma noite perfeita em casa. E para isso, terá de transformar a frustração da altitude em combustível diante de sua torcida.

(Foto: Rodrigo Buendia/AFP)