A possibilidade de LeBron James vestir a camisa do Golden State Warriors continua movimentando os bastidores da NBA, mas existe uma questão que vai muito além da negociação. Se o astro realmente desembarcar em San Francisco, Steve Kerr terá um problema daqueles considerados “bons”, mas nem por isso simples de resolver: como fazer LeBron James e Jimmy Butler funcionarem juntos dentro da mesma equipe?
No papel, reunir dois futuros membros do Hall da Fama parece um sonho para qualquer treinador. Afinal, são atletas acostumados a decidir partidas, liderar elencos e disputar títulos. Porém, quando se observa o estilo de jogo de ambos, surgem dúvidas importantes sobre o encaixe tático.
Curiosamente, os dois compartilham características muito parecidas. Gostam de controlar o ritmo da partida, iniciam boa parte das ações ofensivas com a bola nas mãos, atacam constantemente o garrafão e têm enorme capacidade para criar oportunidades para os companheiros. Em outras palavras: ambos são protagonistas por natureza.
Essa semelhança levanta uma pergunta inevitável. Em uma equipe que já conta com Stephen Curry e Draymond Green, haverá espaço suficiente para que todos atuem em seu melhor nível?
LeBron James continua sendo o grande sonho do Warriors
Mesmo sem qualquer definição oficial, o nome de LeBron James segue fortemente ligado ao Golden State Warriors.
Boa parte dessa conexão acontece por causa da relação próxima do camisa 23 com Stephen Curry, Draymond Green e Steve Kerr, construída ao longo dos últimos anos tanto na NBA quanto na seleção dos Estados Unidos.
Além disso, Golden State aparece como um dos destinos mais interessantes para LeBron por ficar próximo de Los Angeles, cidade onde sua família está estabelecida.
Segundo informações divulgadas recentemente, o astro não estaria priorizando questões financeiras nesta reta final da carreira. Seu foco estaria concentrado em quatro fatores principais: felicidade pessoal, conforto para a família, confiança nos companheiros e uma oportunidade realista de conquistar o quinto título da carreira.
O Warriors consegue atender parte desses requisitos, mas ainda existe a necessidade de montar um elenco capaz de competir com os principais candidatos ao campeonato.
Jimmy Butler também gosta de ter a bola
É justamente aí que aparece o principal obstáculo.
Desde que chegou ao Warriors, Jimmy Butler deixou claro que está feliz na franquia. Mesmo afastado das quadras enquanto se recupera da cirurgia no ligamento cruzado anterior do joelho direito, o veterano demonstra sintonia com a organização e conta com a confiança da diretoria.
Mike Dunleavy Jr., gerente-geral da franquia e ex-companheiro de Butler no Chicago Bulls, nunca escondeu que pretende contar com o ala assim que ele estiver recuperado.
O problema é que Butler construiu toda a carreira sendo o centro das atenções.
Ao longo das passagens por Bulls, Timberwolves, 76ers, Heat e Warriors, sempre atuou como principal criador ofensivo da equipe. Seu jogo é baseado em infiltrações, ataques constantes ao garrafão, geração de faltas e distribuição de assistências.
Curiosamente, essa descrição também serve perfeitamente para LeBron James.
Steve Kerr teria desafio para dividir protagonismo
A grande questão não é se LeBron James e Jimmy Butler conseguem jogar juntos.
Tecnicamente, ambos possuem inteligência suficiente para encontrar soluções dentro da quadra. O desafio está em extrair o máximo de dois jogadores que produzem melhor exatamente da mesma maneira.
Quem será responsável por iniciar as jogadas?
Quem ficará mais tempo sem a bola?
Quem aceitará atuar aberto no perímetro esperando um passe para arremessar?
Nenhuma dessas funções parece combinar naturalmente com LeBron ou Butler. Durante praticamente toda a carreira, ambos lideraram suas equipes ofensivamente. São jogadores acostumados a decidir quando acelerar, quando controlar o ritmo e como distribuir a bola.
Dividir esse protagonismo pode não ser impossível, mas certamente exigiria diversos ajustes por parte de Steve Kerr.
Experiência dos Lakers serve como alerta
O próprio LeBron James viveu algo parecido na última temporada defendendo o Los Angeles Lakers.
Com a chegada de Luka Doncic e o crescimento de Austin Reaves, o camisa 23 passou alguns períodos atuando como terceira opção ofensiva, situação inédita em sua trajetória.
Após a eliminação da equipe nos playoffs, LeBron comentou que nunca havia ocupado esse papel antes e admitiu que precisou aprender a se adaptar.
Apesar de afirmar que conseguiu desempenhar bem essa nova função, a experiência também mostrou que dividir protagonismo não acontece automaticamente, mesmo quando envolve um dos maiores jogadores da história da NBA.
Essa mudança de contexto ajuda a explicar por que LeBron avalia cuidadosamente seu próximo destino antes de tomar qualquer decisão.
Anthony Davis pode mudar completamente o cenário
Outro fator que acompanha toda essa novela envolve Anthony Davis.
O pivô atualmente defende o Washington Wizards e segue sendo considerado um dos companheiros favoritos de LeBron James durante toda a carreira.
Os dois conquistaram juntos o título da NBA em 2020, na temporada disputada dentro da bolha de Orlando, e mantêm uma ótima relação fora das quadras.
Por enquanto, o Wizards demonstra interesse em renovar o contrato de Davis e utilizá-lo como peça central do projeto ao lado de Trae Young, AJ Dybantsa e Alex Sarr.
No entanto, existe uma data importante no horizonte.
Dentro de algumas semanas, Anthony Davis poderá assinar uma extensão máxima de contrato. Caso Washington demore para apresentar uma proposta convincente, especulações sobre uma possível saída devem ganhar força.
Nesse cenário, o Warriors poderia mudar completamente sua estratégia.
Em vez de simplesmente contratar LeBron James, Golden State tentaria reunir novamente a dupla campeã formada por LeBron e Anthony Davis.
Butler pode virar moeda de troca
Naturalmente, uma negociação por Anthony Davis exigiria um investimento enorme. Além de escolhas de Draft, o Warriors provavelmente precisaria enviar um contrato alto para equilibrar os salários envolvidos. E justamente aí entra Jimmy Butler.
O veterano receberá quase 57 milhões de dólares no último ano de seu contrato, tornando-se a principal peça financeira para qualquer troca de grande porte.
Embora essa possibilidade ainda seja considerada remota, ela resolveria automaticamente o principal problema de encaixe entre LeBron James e Butler.
Em vez de dividir funções semelhantes, LeBron atuaria novamente ao lado de Anthony Davis, parceiro com quem já demonstrou enorme química dentro da quadra.
LeBron James ainda mantém Warriors em compasso de espera
Enquanto nenhuma decisão oficial acontece, o Golden State Warriors segue avaliando diferentes cenários para tentar aproveitar os últimos anos da carreira de Stephen Curry.
A chegada de LeBron James continua sendo uma possibilidade capaz de transformar completamente o patamar competitivo da equipe. No entanto, ela também abriria uma série de desafios táticos que não podem ser ignorados.
Por mais talentosos que sejam, LeBron James e Jimmy Butler gostam de controlar o jogo da mesma forma. Adaptar dois jogadores acostumados a comandar ataques exigiria criatividade de Steve Kerr e disposição das próprias estrelas para fazer concessões.
Talvez funcione. Talvez renda mais uma campanha de título. Mas, antes mesmo de a primeira bola subir, uma coisa já parece certa: se LeBron James realmente desembarcar em San Francisco, administrar o talento será tão importante quanto reuni-lo.
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