O River Plate de 1996 foi um verdadeiro esquadrão. Com um elenco recheado de craques, a equipe argentina conquistou merecidamente a Copa Libertadores, demonstrando um futebol de alto nível. O time contava com grandes nomes, como o ídolo uruguaio Enzo Francescoli e jovens talentos como Ariel Ortega e Hernán Crespo. Essa geração brilhante levou o clube ao topo da América do Sul pela segunda vez em sua história, ao vencer o América de Cali por 2 a 0 na grande final, disputada no Monumental de Núñez. Curiosamente, uma década antes, em 1986, os argentinos também haviam superado os colombianos no mesmo palco, conquistando seu primeiro título continental.
Um Elenco Estelar
O River Plate contava com um elenco muito qualificado em todas as posições. No gol, duas opções de alto nível: Roberto Bonano e Germán Burgos, ambos futuros goleiros da seleção argentina. Na defesa, destaque para o paraguaio Celso Ayala, que brilhou no River, mas não repetiu o mesmo desempenho ao jogar pelo São Paulo. Eduardo Berizzo, Gustavo Lombardi e Guillermo Rivarola garantiam solidez defensiva, enquanto Juan Pablo Sorín e Ricardo Altamirano davam profundidade pelas laterais.
O meio de campo era repleto de talento. Matías Almeyda, Leonardo Astrada, Sergio Berti, Hernán Díaz, Gabriel Cedrés, Marcelo Escudero, Marcelo Gallardo, Ariel Ortega e o jovem Pablo Aimar formavam um setor criativo e dinâmico. Além, claro, do grande maestro do time, Enzo Francescoli. No ataque, o artilheiro Hernán Crespo era a referência, contando ainda com a habilidade do chileno Marcelo Salas (que chegou após a Libertadores) e Julio Cruz, outro reforço no segundo semestre.
Campanha do River Plate na Libertadores de 1996
O River começou sua trajetória na fase de grupos ao lado do compatriota San Lorenzo e dos venezuelanos Minervén e Caracas. A equipe terminou em primeiro lugar, com quatro vitórias e dois empates – ambos contra o San Lorenzo (1×1 fora e 0x0 em casa).
Nas oitavas de final, sofreu sua única derrota no torneio ao perder para o Sporting Cristal, no Peru, por 2 a 1. No entanto, no jogo da volta, o River atropelou, aplicando um 5 a 2, com Crespo (2), Francescoli, Ortega e Cedrés marcando os gols. Nas quartas de final, enfrentou novamente o San Lorenzo. Venceu o primeiro jogo por 2 a 1, com gols de Crespo e Ortega. No duelo de volta, um empate por 1 a 1 garantiu a classificação.
A semifinal foi contra a Universidad de Chile, que contava com Marcelo Salas, futuro reforço do River. No primeiro jogo, no Chile, empate em 2 a 2, com gols de Francescoli e Sorín. Na volta, Almeyda marcou o gol da vitória por 1 a 0, colocando o River na final.
A decisão contra o América de Cali começou com um revés na Colômbia: derrota por 1 a 0, gol de De Ávila. Porém, na partida decisiva, no Monumental de Núñez, o River se impôs com autoridade e venceu por 2 a 0, com dois gols de Crespo, garantindo o título. O atacante foi o artilheiro da equipe no torneio, com 10 gols, e, logo após a conquista, transferiu-se para o Parma, enquanto Marcelo Salas chegou para reforçar o elenco.
A Dinastia Continua: Conquistas Nacionais e Mundial de Clubes
Após a conquista continental, o River Plate dominou também o cenário local. No Torneio Apertura 1996, a equipe sobrou, vencendo 15 dos 19 jogos e anotando 52 gols – disparado o melhor ataque da competição. Julio Cruz terminou como artilheiro da equipe, com 10 gols.
No Torneio Clausura de 1997, o River manteve a regularidade e conquistou mais um título, com Francescoli sendo o goleador do time, com 12 gols. No final de 1996, o River disputou o Mundial de Clubes contra a Juventus, da Itália. Apesar do grande elenco, a equipe argentina foi derrotada por 1 a 0, com um gol de Alessandro Del Piero aos 36 minutos do segundo tempo.
Além disso, a equipe teve uma participação frustrante na Supercopa de 1996, sendo eliminada logo na primeira fase pelo Atlético Nacional. Após empatar em 2 a 2 na Argentina, acabou derrotada na Colômbia por 2 a 1. O técnico Ramón Díaz, que também foi ídolo como jogador, era o comandante dessa máquina vencedora.
O Estilo de Jogo do River Plate de 1996
O River Plate de Ramón Díaz era um time extremamente equilibrado, competitivo e ofensivo. A equipe costumava atuar em um esquema tático flexível, variando entre 4-3-1-2 e 4-3-3, dependendo da situação do jogo. O grande diferencial era a movimentação intensa e a pressão alta na marcação.
No meio-campo, Enzo Francescoli exercia o papel de “enganche”, sendo o cérebro do time e o responsável pela organização das jogadas ofensivas. Hernán Crespo, com sua precisão na finalização e mobilidade, era o centroavante letal. Ariel Ortega, com sua habilidade no drible e velocidade, era a peça-chave para romper as defesas adversárias.
Outros nomes fundamentais foram Almeyda e Astrada, que garantiam solidez na marcação e transição rápida para o ataque. Sorín se destacava pelo apoio ofensivo e qualidade nos cruzamentos. Marcelo Gallardo, mesmo sendo reserva durante a Libertadores, também teve um papel importante, agregando criatividade ao meio de campo.
Essa equipe ficou marcada pelo equilíbrio entre juventude e experiência, combinando uma defesa segura com um ataque dinâmico e criativo. Seu jogo envolvente e agressivo permitiu que dominasse a América do Sul em 1996 e mantivesse seu protagonismo no futebol argentino nos anos seguintes
O River Plate de 1996 não apenas conquistou a Libertadores, mas também deixou um legado de futebol envolvente e eficiente. Foi um time que marcou época e é lembrado até hoje como uma das melhores formações da história do clube.
(Foto: Getty Images)