Aos poucos, o elenco memorável do Bayer Leverkusen da temporada 2023/24 vai se desmanchando. Mesmo assim, nomes como Jeremie Frimpong, Jonathan Tah, Granit Xhaka, Florian Wirtz, Lukas Hradecky, Victor Boniface, Amine Adli e o técnico Xabi Alonso marcaram presença e deixaram o clube ao término do último ciclo. Para reagir, os Werkself mapearam cuidadosamente o mercado e promoveram uma reformulação profunda, mantendo os princípios de jogo que os levaram ao sucesso e alimentando o sonho de desafiar novamente a hegemonia do Bayern de Munique, campeão da Bundesliga.
Na temporada passada, após conquistar a Bundesliga, a Copa da Alemanha, a Supercopa, além do vice-campeonato da Europa League, o Bayer Leverkusen não conseguiu repetir o mesmo brilho e acabou em branco em termos de títulos. Agora, os Farmacêuticos tentam virar a página com as chegadas de Erik ten Hag, Malik Tillman, Jarell Quansah, Claudio Echeverri e Loic Badé, entre outros reforços. No entanto, remanescentes como Edmond Tapsoba, Exequiel Palacios, Piero Hincapié, Robert Andrich, Aleix García, Alejandro Grimaldo, Patrik Schick e Martin Terrier seguem no elenco para manter o alto nível competitivo.
Com esse elenco remodelado, o Bayer Leverkusen estreia na Bundesliga 2025/26 contra o Hoffenheim neste sábado (23), às 10h30 (horário de Brasília), jogando em casa, na BayArena. Essa será apenas a segunda partida oficial sob comando de Ten Hag, já que na semana anterior a equipe goleou o Sonnenhof Grossaspach por 4 a 0, pela Copa da Alemanha. Segundo o treinador, a base do time foi mantida, a identidade do clube preservada e os novos contratados demonstraram rápida adaptação. O desafio, contudo, é enorme: suceder Xabi Alonso e, ainda assim, manter equilíbrio no elenco.

Bayer Leverkusen sofre perdas pesadas na janela de transferências
Embora não tenha perdido grandes destaques logo após a temporada histórica, o baque veio mesmo em 2025/26. Ao todo, foram 13 saídas relevantes, incluindo quatro titulares e, claro, o técnico Xabi Alonso,peça central no ciclo de glórias. Sua partida para o Real Madrid foi o ponto mais impactante: seduzido pelo projeto de remontar os “Galácticos”, o espanhol assumiu o comando de um elenco que agora conta com reforços de peso como Trent Alexander-Arnold, Dean Huijsen e Franco Mastantuono, além de estrelas já consagradas como Kylian Mbappé, Vinícius Júnior, Fede Valverde e Thibaut Courtois.
Outro duro golpe do Bayer Leverkusen foi a despedida de Florian Wirtz. O camisa 10 e cérebro do meio-campo rumou para o Liverpool por incríveis 135 milhões de euros, estabelecendo a maior venda da história do clube e superando a marca de Kai Havertz. Do mesmo modo, o lateral-direito Jeremie Frimpong também desembarcou em Anfield, por 40 milhões de euros, enquanto Amine Adli seguiu para o Bournemouth, Xhaka acertou com o Sunderland e Jonathan Tah reforçou o rival Bayern.
Além disso, o atacante Victor Boniface, peça importante do Bayer Leverkusen mesmo vindo do banco, está próximo de fechar com o Milan. Já o capitão Lukas Hradecky transferiu-se para o Monaco, onde dividirá elenco com Paul Pogba, e o reserva Matej Kovář foi para o PSV. A diretoria, portanto, precisou recorrer à criatividade do scouting: reforçar a equipe sem comprometer o caixa.

Bayer Leverkusen aposta em reposições econômicas e estratégicas
As vendas renderam cerca de 230 milhões de euros, mas os gastos com contratações ficaram em torno de 130 milhões, sinal de que o Bayer Leverkusen conseguiu equilibrar saída e entrada sem perder força. E o principal reforço veio no banco de reservas: Erik ten Hag. Após passagem turbulenta pelo Manchester United, o técnico holandês , que se consagrou no Ajax, foi escolhido justamente pelas semelhanças de ideias com Alonso.
A estratégia foi clara: trazer atletas com características semelhantes às peças que saíram. Para a vaga de Wirtz, por exemplo, o jovem Claudio Echeverri, considerado uma joia argentina, chegou por empréstimo do Manchester City. Malik Tillman, ex-promessa do Bayern e destaque no PSV, também foi contratado para reforçar o setor criativo. Já Badé e Quansah foram buscados em Sevilla e Liverpool, respectivamente, para substituir Jonathan Tah.
No gol do Bayer Leverkusen, Mark Flekken, ex-Brentford, herdou a titularidade deixada por Hradecky. Além dele, jovens como Ibrahim Maza, Ernest Poku, Farid Alfa-Ruprecht, Christian Kofane e Axel Tape também chegaram para ampliar opções. Na ala direita, Arthur Augusto, revelado pelo América-MG, deve assumir a posição de Frimpong, enquanto Fosu-Mensah será o reserva imediato.

Uma nova era em Leverkusen com Ten Hag
O Bayer Leverkusen encerra um ciclo histórico para abrir outro, cheio de incertezas, mas também de expectativas. Sob Xabi Alonso, o clube atingiu feitos inéditos e viveu o auge de sua trajetória recente, mas agora aposta em Ten Hag para dar continuidade à filosofia de futebol ofensivo, mesclando experiência e juventude.
O plano da diretoria foi balancear o presente e o futuro: reforços prontos para manter competitividade imediata e jovens talentos para sustentar um novo ciclo. Se as saídas de ídolos como Wirtz abalaram a torcida, a chegada de novas promessas reacende a esperança de que os Farmacêuticos continuarão brigando pelo topo.
Ten Hag, no entanto, terá de lidar com pressão intensa: além de implementar suas ideias, precisará provar que o Leverkusen pode seguir competitivo mesmo após o desmanche. A temporada 2025/26, portanto, se desenha como um divisor de águas para o clube da Renânia, que busca provar que pode se reinventar sem perder força no cenário europeu.
(Foto: Getty Images)