A contratação de Robert Lewandowski pelo Chicago Fire recoloca a franquia de Illinois no centro das atenções do futebol internacional. Aos 37 anos, o lendário centroavante polonês deixa o Barcelona para iniciar sua trajetória no futebol dos Estados Unidos, trazendo na bagagem o peso de toda sua trajetória no futebol europeu. Contudo, a chegada a grande estrela não é um território totalmente inédito para os torcedores no Soldier Field. Ao carimbar seu passaporte para Chicago, Lewandowski passa a integrar uma galeria seleta de lendas mundiais e ídolos históricos que escolheram o clube como destino na Major League Soccer.
Desde a sua fundação em 1997, o Chicago Fire se caracterizou por ser um clube que sabe misturar a juventude do mercado norte-americano com o impacto de contratações midiáticas e de forte apelo cultural. Seja para dialogar com as gigantescas colônias de imigrantes locais, seja para injetar experiência internacional em elencos que buscavam o topo da liga, o clube já foi a casa de campeões do mundo, ícones da América Latina e pilares da própria seleção dos Estados Unidos. Abaixo, relembramos os seis nomes mais marcantes que pavimentaram esse caminho antes da chegada de Lewandowski.
Lewandowski irá jogar no mesmo clube que Bastian Schweinsteiger jogou
Quando o meia alemão desembarcou em Chicago, em 2017, muitos acreditavam que sua passagem pelos Estados Unidos seria apenas um protocolo de fim de carreira devido aos problemas físicos enfrentados no Manchester United. Campeão do mundo com a Alemanha em 2014 e ídolo do Bayern de Munique, Schweinsteiger provou o contrário. Ele disputou três temporadas pelo Fire, somando 92 partidas e se transformando no verdadeiro cérebro da equipe.
Sua leitura de jogo impecável e sua liderança técnica foram fundamentais para organizar um time que vinha de anos difíceis. Schweinsteiger se aposentou dos gramados em 2019 vestindo a camisa do Chicago, deixando uma marca na história da equipe.
Cuauhtémoc Blanco e Jorge Campos: Lendas mexicanas
Nenhum jogador na história do Chicago Fire entendeu tão bem a pulsação cultural da cidade quanto Cuauhtémoc Blanco. Contratado em 2007 como jogador designado, o genial e polêmico jogador mexicano chegou sob enorme expectativa, especialmente pela imensa comunidade mexicana que reside em Chicago. Em campo, Blanco entregou tudo o que se esperava, desde sua genialidade tática, grandes passes e gols decisivos. Foram três anos de pura magia, onde ele liderou a equipe a finais de conferência consecutivas e se tornou um dos rostos mais emblemáticos da própria MLS.
Anos antes da chegada de Blanco, o clube já havia flertado com a mística mexicana ao assinar com o goleiro Jorge Campos, em 1998. Famoso mundialmente por seus uniformes multicoloridos desenhados por ele mesmo e por sua capacidade de jogar tanto embaixo das traves quanto como atacante de linha, Campos defendeu o Chicago Fire logo na temporada de estreia do clube na liga. Embora sua passagem tenha sido curta, sua presença foi fundamental para atrair os primeiros torcedores locais e dar ao Chicago Fire uma identidade visual e apelo internacional desde os seus primeiros passos.
Hristo Stoichkov
No início dos anos 2000, o Chicago Fire chocou o mercado ao anunciar o veterano Hristo Stoichkov. Vencedor da Bola de Ouro em 1994 e lenda do Barcelona de Johan Cruyff, o atacante búlgaro já tinha 34 anos quando pisou em Illinois. Mesmo veterano, a personalidade explosiva e o instinto finalizador que o consagraram na Europa continuavam intactos.
Stoichkov defendeu o clube entre 2000 e 2002, período em que balançou as redes em 22 oportunidades e liderou a equipe na conquista da US Open Cup de 2000. Sua mentalidade competitiva ajudou a moldar o caráter vencedor das primeiras gerações do Chicago Fire, e seu impacto na liga é muitas vezes comparada com a de David Beckham.
Carlos Bocanegra
Nem só de astros estrangeiros vive a história do Chicago Fire. Revelado pelo clube através do draft da MLS no ano 2000, o defensor Carlos Bocanegra construiu as bases de sua carreira vestindo as cores da franquia de Illinois. Em quatro temporadas pelo Chiago Fire, Bocanegra se consolidou como o melhor zagueiro da liga, conquistando o prêmio de Defensor do Ano em duas ocasiões e vencendo duas edições da US Open Cup.
Seu desempenho pelo Chicago Fire chamou a atenção do futebol europeu, abrindo as portas para sua transferência para o Fulham, da Inglaterra, além de pavimentar seu caminho para se tornar o capitão de longa data da seleção dos Estados Unidos. Para o torcedor local, Bocanegra é o símbolo máximo de que o clube também sabe lapidar e projetar suas próprias referências esportivas para o mundo.
Créditos da foto de capa: Miguel Riopa / AFP