Ainda é cedo para falar em virada definitiva do Manchester United, mas no caso de Bruno Fernandes, a resposta parece bem mais clara. A atuação empolgante dos Red Devils na vitória sobre o Manchester City, no sábado, naturalmente reacendeu o debate sobre uma possível retomada do clube — uma reconstrução simbólica após a saída de Ruben Amorim.
Recolocado em sua função mais natural, como um autêntico camisa 10, o português foi o cérebro da equipe em Old Trafford. No primeiro tempo, teve um gol e uma assistência anulados por impedimento. No segundo, participou diretamente da abertura do placar e ainda escreveu seu nome na história da Premier League diante de um adversário específico: o City de Pep Guardiola.
Um feito inédito contra Guardiola
Em dez anos sob o comando de Guardiola, nenhuma equipe havia permitido que um jogador criasse quatro grandes chances em uma mesma partida de Premier League. Bruno Fernandes foi o primeiro a quebrar essa marca.
Mais do que isso: ele é o único atleta da atual temporada a atingir esse número contra qualquer adversário — e já o fez duas vezes, repetindo o desempenho na vitória contra o Wolverhampton, no mês passado.
O dado não é isolado. Nas últimas três temporadas da Premier League, apenas quatro partidas registraram um jogador criando quatro grandes chances. Bruno esteve presente em três delas. Um lembrete poderoso de que, embora frequentemente apontado como parte do problema, o português esteve muito mais entre as vítimas do momento irregular do United.
Números que explicam a influência de Bruno Fernandes
A atuação contra o City levou Bruno Fernandes à impressionante marca de 600 chances criadas em sua carreira na Premier League — 168 a mais do que Kevin De Bruyne, o segundo colocado no ranking desde a estreia do português na competição.
O dado ganha ainda mais peso quando se considera o contexto: Fernandes produziu esse volume atuando, em muitos momentos, em equipes abaixo do nível esperado para um clube do tamanho do United.
Curiosamente, os números também indicam que ele não esteve “limitado” sob o comando de Amorim. Pelo contrário: lidera o ranking de chances criadas nesta temporada. Ainda assim, os mapas de calor mostram um deslocamento progressivo para zonas mais recuadas do campo, reflexo de um sistema que não prevê, de forma natural, um camisa 10 clássico.
Michael Carrick, agora no comando, parece disposto a corrigir isso — e os efeitos foram imediatos.
Decisão esportiva e financeira

Liberto para atuar mais perto da área adversária, Bruno Fernandes volta a ser decisivo. E isso vai além do campo. A diretoria do United pode olhar para sua idade e para o potencial financeiro das propostas vindas da Arábia Saudita e fazer seus cálculos. Mas há outro fator na equação: o retorno esportivo e econômico que uma vaga na Champions League proporciona.
E esse Bruno Fernandes — protagonista, criativo e decisivo — demonstra que ainda é capaz de garantir isso.
A próxima batalha se aproxima: contra o Arsenal, fora de casa, no próximo domingo (25), às 13h30 (horário de Brasília). A equipe de Michael Carrick não tem nenhum compromisso no meio de semana, portanto caminho livre para descansar seus comandados e prepará-los para o duro embate diante dos Gunners.
Créditos pela foto de capa: Michael Regan/Getty Images