A temporada de 2025 da Fórmula 1 terminou com domínio quase absoluto da McLaren. A equipe britânica conquistou o título de construtores e viu Lando Norris levantar seu primeiro campeonato de pilotos, consolidando um ciclo de sucesso que parecia indicar continuidade no ano seguinte.
No entanto, o início da temporada de 2026 trouxe um cenário bem diferente. Mudanças grandes no regulamento técnico e problemas mecânicos inesperados transformaram o começo do campeonato em uma sequência de desafios para a equipe de Woking. O ponto mais crítico ocorreu no GP da China, quando a McLaren sequer conseguiu alinhar seus dois carros no grid de largada.
A seguir, uma linha do tempo que explica como a equipe passou do domínio ao início turbulento em poucos meses.
A temporada perfeita em 2025 e os problemas
O ano de 2025 marcou o auge da reconstrução da McLaren. Após anos de desenvolvimento gradual, a equipe finalmente conseguiu produzir um carro competitivo o suficiente para disputar títulos.
Com um pacote aerodinâmico extremamente eficiente e excelente manejo do desgaste de pneus ao longo do calendário, a equipe conquistou o campeonato de construtores. Ao mesmo tempo, Norris terminou a temporada de forma consistente e garantiu o título mundial de pilotos.
A McLaren também mostrou grande força em circuitos variados e encerrou o campeonato como referência técnica no grid. Em corridas como o GP da China daquele ano, por exemplo, a equipe chegou a conquistar uma dobradinha com Piastri vencendo e Norris em segundo lugar.
O desempenho dominante criou expectativa de continuidade para 2026.
Com o novo conjunto de regras técnicas da Fórmula 1 para a temporada de 2026, foram alterados vários elementos fundamentais dos carros.
Essas mudanças obrigaram todas as equipes a redesenhar seus projetos praticamente do zero. Para a McLaren, que vinha de um carro extremamente competitivo, o desafio era adaptar seu conceito vencedor a um regulamento completamente novo. Como frequentemente acontece em grandes mudanças técnicas na Fórmula 1, algumas equipes conseguem interpretar melhor as novas regras do que outras.
A primeira corrida da temporada já mostrou que a McLaren não tinha começado o campeonato com o mesmo nível de desempenho do ano anterior. A equipe passou a enfrentar dificuldades tanto de performance quanto de confiabilidade. O próprio Norris admitiu que o carro precisava evoluir e que a equipe ainda estava tentando entender os efeitos das mudanças regulamentares.
Segundo o piloto britânico, o problema não estava apenas na unidade de potência, mas no conjunto do carro, que parecia menos competitivo em comparação com rivais como Mercedes e Ferrari. Esse cenário indicava que a McLaren teria de acelerar o desenvolvimento do carro ao longo das primeiras etapas da temporada.
Problemas técnicos começam a aparecer
Além da perda relativa de desempenho, os primeiros fins de semana da temporada também trouxeram preocupações relacionadas à confiabilidade.
Em corridas recentes, Norris já havia relatado dificuldades com o comportamento do carro e até problemas mecânicos durante provas. Em um caso específico no GP da Austrália, o piloto chegou a enfrentar problemas de freio nas voltas finais, perdendo ritmo e lidando com momentos perigosos ao volante. Embora o incidente não tenha comprometido a corrida naquela ocasião, ele evidenciava que a equipe ainda buscava consistência técnica.
No entanto, o momento mais dramático desse início de temporada ocorreu no GP da China de 2026.
Durante os preparativos para a largada, a equipe identificou um problema elétrico na unidade de potência do carro de Norris ainda na garagem. Os mecânicos tentaram resolver a falha, mas não conseguiram corrigir o defeito a tempo. Enquanto isso, o carro de Piastri também apresentou um problema elétrico diferente pouco antes da corrida.
Com as duas falhas simultâneas, a McLaren acabou em uma situação extremamente rara na Fórmula 1 moderna: nenhum dos seus carros conseguiu largar na corrida. O episódio foi um golpe para uma equipe que havia dominado o campeonato apenas alguns meses antes.
Próximos passos para a equipe
Mesmo com o início complicado, a temporada de Fórmula 1 é longa, e a McLaren ainda tem tempo para reagir.
Equipes de ponta frequentemente enfrentam dificuldades em anos de mudança de regulamento, mas conseguem recuperar desempenho ao longo do campeonato por meio de atualizações aerodinâmicas e ajustes mecânicos. Assim aconteceu com a Red Bull em 2014 e com a Mercedes em 2022.
A prioridade da equipe agora é resolver os problemas de confiabilidade e entender melhor o comportamento do carro dentro das novas regras.
Se conseguir fazer esses ajustes rapidamente, a McLaren ainda pode voltar a disputar vitórias ao longo da temporada. Caso contrário, o domínio absoluto de 2025 pode acabar se transformando em apenas um capítulo isolado antes de um novo ciclo competitivo na Fórmula 1.
Foto: XPB Images