O cenário que o Liverpool vive hoje na Premier League é bem distante da empolgação que cercou o clube no início de agosto. Atual campeão inglês, o time começou o campeonato dando a impressão de que repetiria o domínio do ano passado, ainda mais depois de uma janela de transferências em que investiu pesado e trouxe alguns dos talentos mais valorizados da Europa.
E, de fato, tudo parecia caminhar nessa direção. No dia 20 de setembro, logo após vencer o Everton no clássico, o Liverpool liderava a liga com cinco vitórias em cinco jogos, somando 15 pontos e passando a sensação de que ninguém conseguiria encostar. Só que o encanto durou pouco.
Dois meses depois, o clube caiu para a oitava posição, estacionado nos 18 pontos após perder cinco dos últimos seis jogos. A queda brusca gerou uma enxurrada de críticas, tanto pelo desempenho quanto pelo contraste com o início animador. Apesar de o time não ter jogado um futebol brilhante nas primeiras rodadas, ninguém imaginava um declínio tão rápido.
O impacto emocional dentro do Liverpool
É claro que havia motivos para preocupação antes mesmo da bola rolar. O impacto emocional da morte de Diogo Jota, em julho, foi profundo. Jogadores, comissão técnica e até os reforços recém-chegados sentiram o peso dessa perda trágica. Até hoje, o clima dentro do clube ainda é afetado por isso. Andy Robertson, por exemplo, admitiu durante a Data Fifa que ainda pensa constantemente no ex-companheiro, mostrando o quanto o grupo está carregado emocionalmente.
Além disso, o começo da tabela também não ajudou. Dos 11 adversários enfrentados, apenas um estava entre os seis últimos colocados no momento. O Liverpool já encarou, fora ou em casa, praticamente todos os times da parte de cima da tabela. Isso não justifica completamente o momento ruim, mas mostra que o caminho inicial realmente foi pesado.
Ainda assim, perder cinco de 11 jogos é um número chocante para uma equipe que na temporada passada só foi derrotada quatro vezes no campeonato inteiro. A diferença de performance é gritante.
Uma sequência favorável no horizonte
No entanto, há espaço para esperança. O Liverpool terá agora uma sequência teoricamente mais tranquila, abrindo com um jogo em casa contra o penúltimo colocado Nottingham Forest. Entre as próximas cinco partidas, só uma será contra um time da metade de cima da tabela. É o tipo de oportunidade que pode redefinir o rumo da temporada.
O técnico Arne Slot, porém, precisa encontrar respostas mais rápido do que nunca. Muita gente acreditava que repetir o meio-campo que funcionou tão bem na última temporada — Gravenberch, Mac Allister e Szoboszlai — seria suficiente para estabilizar o time. Mas esse trio também esteve presente em boa parte das derrotas recentes, mostrando que não há uma solução tão simples.
O Liverpool também tem sofrido com a maneira como os adversários têm jogado. O time lidera a Premier League em posse de bola, mas isso não significa controle. Pelo contrário: os rivais têm optado por bolas longas e, caso não funcionem, se fecham em blocos baixos, obrigando o Liverpool a criar espaços em defesas densas.
O peso sobre Wirtz e Isak
Foi por isso que o clube investiu pesado em Florian Wirtz, imaginando que o alemão traria justamente essa capacidade de desmontar retrancas. Só que, até aqui, o impacto dele no campeonato inglês ainda está aquém do esperado.
Wirtz tem produzido bem na Champions League, mas não conseguiu repetir as atuações no inglês. Os números deixam isso claro: ele cria mais chances, mais assistências esperadas e mais jogadas perigosas na competição continental que na Inglaterra. Seus dois passes para gol pela seleção alemã nesta Data Fifa podem ser o ponto de virada para enfim embalar com a camisa do Liverpool.
Outro reforço caríssimo que pode mudar o cenário é Alexander Isak. Ele está perto de voltar e pode ser uma peça vital. O time tem uma taxa baixa de conversão de finalizações, e Isak foi um dos atacantes mais eficientes nesse quesito na temporada anterior. Se ele entregar algo próximo disso, já será uma melhoria significativa.
Ekitiké se destaca, mas o ataque sofre
Apesar disso, ele terá que disputar espaço. Hugo Ekitiké vem sendo um dos poucos pontos positivos do Liverpool no ano, liderando o time em gols e mostrando evolução tanto no clube quanto na seleção francesa. Slot já declarou que pode utilizá-lo ao lado de Isak, e essa dupla parece promissora.
Mas, no geral, o ataque tem produzido menos. Na temporada passada, Liverpool marcava em média 2,3 gols por jogo; agora, caiu para 1,6. E, mesmo criando muitas chances, a conversão é baixa. Defensivamente, os números também preocupam: muitos gols sofridos, muitas finalizações concedidas e uma quantidade alta de grandes oportunidades dadas ao adversário.
Tudo isso ajuda a explicar porque o Liverpool tem saído atrás no placar com tanta frequência. E, sempre que isso acontece, o time perde — ainda não conseguiu virar um jogo sequer nesta Premier League.
A necessidade urgente de reação
Outro dado alarmante é o tempo de jogo em que a equipe está atrás no placar. Em 11 partidas, já passou mais de 400 minutos perdendo, quase alcançando o total do campeonato passado inteiro — e ainda estamos no começo da temporada.
Apesar de todos esses problemas, existe um fio de otimismo. Na última Premier League, o time também teve uma queda de desempenho por volta desse mesmo período, mas se recuperou fortemente depois da 11ª rodada. Slot tem a esperança — e a necessidade — de que isso volte a acontecer.
Agora, é um daqueles momentos em que um time precisa mostrar quem realmente é. O Liverpool tem qualidade, elenco, investimento e capacidade para reagir. Mas precisa mostrar isso dentro de campo imediatamente. A temporada não está perdida, mas o tempo para reagir está diminuindo. E, com a pressão aumentando, a ausência emocional de Jota ainda pesando e uma liga cada vez mais competitiva, o desafio é enorme.